Mostrar mensagens com a etiqueta Alvarinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alvarinho. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Ideias fixas 98

 

Tenho sempre alguma dificuldade em escolher um vinho para acompanhar pratos em que entra pato. Se assado não duvido, será tinto, mas outras variações criam-me dúvidas, optando, quase sempre, por um vinho branco. Da última vez acamaradei o Arroz de Pato com um Encostas do Tua 2024, da Adega Cooperativa de Pinhel, lotado com Síria e Fonte da Cal (13º), e que está a um preço risível à venda numa das grandes superfícies. E é bom.
Cumulativamente, ninguém me tira da ideia que as castas de vinho têm um lugar ideal geográfico preferencial insubstituível, onde produzem de forma exemplar ou melhor. Não falo sequer da Baga, na Bairrada, do Alvarinho e do seu Monção e redondezas naturais, embora haja alguns produtores e enólogos novos ricos de cabeça que o plantem no Alentejo (com resultados mediocres, aliás, quanto a mim).
O Arinto alcança o seu pleno em Bucelas, insisto. Tenho só algumas dúvidas quanto ao Roupeiro que assim se chama no Alentejo e, nas Beiras, é Síria, mais mineral nestas bandas do que a Sul, onde madura de forma mais suave, normalmente. E em qualquer dos terroirs, embora diferenciado, dá vinhos de muito boa qualidade.


sábado, 23 de março de 2024

Mercearias Finas 198

 

Não tenho a menor dúvida na opção, por entre atum e espadarte, prefiro um bife deste último. Ainda para mais estavam os dois peixes ao mesmo preço: 22,50 euros o quilo, na banca do mercado. E frescos.
Batatas fritas e grelos salteados, como acompanhantes dos bifes de cebolada.
Havia que fechar  com chave de ouro: escolhi bem, um Alvarinho de Monção 2017 - esplêndido!
Tive foi que o decantar, 7 anos para um branco é muito tempo de adega...

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Mercearias Finas 163


Estes últimos dias de intenso nevoeiro matinal fizeram-me lembrar a simpática mas fria praia da Adraga, onde o Sol só costumava assomar por volta do meio-dia. Entretanto, por casa havia que dar a última volta, este ano, aos vinhos brancos, na garrafeira, e a Adraga veio de novo à colação: era da região, o vinho mais velho (2014) guardado na adega. E, embora fosse estreme da casta Alvarinho (12,5º), nunca fiando quanto à sua longevidade qualitativa...

Nem de propósito, tínhamos trazido do mercado da Trafaria um fresquíssimo Pregado (nobre familiar  do rodovalho e do linguado) com 1kg100, para assar, que veio a acasalar lindamente com o néctar. Acompanharam uns grelos salteados, para HMJ, e uma pequena couve-flor, para mim, para além das regimentais batatas assadas. Deve dizer-se que tudo estava na perfeição - passe a imodéstia...

domingo, 9 de setembro de 2018

Produções


Se é certo que não viramos ainda, este ano, a página das vindimas portuguesas, já se vai noticiando que a  colheita será das menores de sempre. No Dão, com certeza. Boa justificação para subir os preços, que não estão nada baratos, a não ser nos vinhos regionais que, dizem os entendidos, muitos deles são feitos com uvas de fora... Há, pelo menos, que confiar nos de região demarcada.
Ao que parece, a França não se queixa, nem de uma coisa nem de outra. E L'Obs até traz, no seu último número, algumas sugestões de vinhos com preços diversos, mas numa escala moderada.
Não serei isento, porque gosto muito do Alvarinho Deu-la-Deu, da Adega Cooperativa de Monção.  É sobretudo uma garantia, ano após ano, de boa qualidade e preço justo. Pois o sítio do costume tem-no em promoção, neste momento, ao preço imbatível de 4,49 euros. Vale a pena aproveitar...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mercearias Finas 64 : Alvarinho


É, talvez, a casta branca portuguesa, autóctone, mais complexa, rica e de melhor qualidade. Pelo menos, para mim, assim a considero e, apenas, o Arinto de Bucelas, às vezes e em raros anos (1992, foi um exemplo, que pude confirmar, em Novembro de 1998, no restaurante Jordão, de Guimarães), lhe possa pedir meças, pelo seu aroma delicado e elegante. Por outro lado, o Alvarinho, da sub-região de Monção e Melgaço, assegura uma longevidade (5 anos, garantidamente) incomum, no Noroeste peninsular dos vinhos verdes. E faz lotes de segura qualidade, como é o caso do Muralhas (90% de Alvarinho, 10% de Trajadura, habitualmente) que, com imenso e merecido sucesso, a Adega Cooperativa de Monção produz, generosamente, todos os anos. Nas nossas irmãs Rias bajas da Galiza, esta casta branca ganha o nome de Albariño. Que é também de muito boa qualidade. Porque o clima é gémeo do do nosso Alto-Minho.
O terreno e as condições climáticas são considerados como a base fundamental da personalidade e características próprias de um vinho, seja ele tinto ou branco, pela forma, sabor e aromas que, as castas aí plantadas e amadurecidas, adquirem, inconfundivelmente. Daí os franceses terem criado a palavra terroir, com um significado enológico exclusivo. Ora, muito recentemente, um conceituado produtor de vinho de Napa Valley's (EUA) saiu-se a dizer que o terroir era um mito e que tal coisa não tinha nenhum fundamento. Saíram-lhe à estocada e com argumentos, e bem. Eu faria o mesmo, escandalizado com o dislate.
Aqui há algum tempo, nesta mesma rubrica, afirmei que a casta Alvarinho era exclusiva do Alto-Minho. Os produtores gostam muito de fazer experiências, e, por isso, a minha afirmação já não corresponde à realidade. Plantam-na no Ribatejo, na região de Lisboa, nas Terras do Sado e, até (pasme-se!), no Alentejo - mas com medíocres resultados. Até José Neiva, que costuma ser um mágico dos vinhos que produz (empresa DFJ), fez, no Ribatejo/Estremadura/Lisboa, um Alvarinho estreme que é um desastre. E, refere o "Fugas" (jornal Público) de sábado passado, que a Adega de Borba também fez a experiência, no Alentejo, com maus resultados ("...um branco sem muita graça e nenhuma personalidade..."). Em resumo: Alvarinho, só na sub-região de Monção e Melgaço - terroir é que é!