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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Ideias fixas 96

 

Estou convencidíssimo que o Tavares é um filho natural, embora muito inferior em qualidade, de Agustina.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Recomendado : noventa e cinco



Antes que porventura se esgote, apraz-me registar e informar que o jornal Público de hoje é acompanhado, graciosamente, de um suplemento, de grande qualidade, dedicado a Agustina Bessa-Luís (1922-2019). A não perder para quem se interesse pelo assunto.
Até porque as coisas boas devem e merecem ser partilhadas.

sábado, 27 de agosto de 2022

Tradução, segundo Agustina



Toda a tradução simplifica uma relação amistosa; a palavra precisa de ser registada no coração, para poder ser transmitida.

Agustina Bessa-Luis (1922-2019), in Caderno de Significados (pg.45).

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Uma afirmação (talvez) descuidada



O que faz deste livro uma leitura agradável e compensadora é provavelmente o facto de Agustina ser uma grande registadora de fragmentos, em prejuízo de obras de maior fôlego ou de escrita corrida.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Ler, segundo Agustina



Ler exige recolhimento, uma ociosidade adequada, num gosto de anonimato que não se pode dizer que seja louvado.
(...)
A sociedade não se organizou no sentido de fazer do leitor um património cultural. Aquele que lê modera as leis da imbecilidade, que é o mesmo que dizer as leis do mal.
(...)  
Ler e educar são coisas inseparáveis. A leitura é um movimento ginástico em que participam o coração e o cérebro. E porque não as veias sujeitas à esclerose precoce?
...

Agustina Bessa-Luís (1922-2019), in Caderno de Significados (pgs. 24/5). 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Divagações 162


São como as cerejas, as palavras - diz-se. E assim foram, para mim, contagiosas. De Agustina (O Susto), passei para Pascoaes (Regresso ao Paraíso) que, curiosa e poeticamente, nunca me contagiou muito; e ao ensaio e antologia escolhida por Sena (Brasília Editora) sobre o poeta de S. João de Gatão. Poupei-me a reler Os Afluentes do Silêncio, em que Eugénio traça um belo e comovido retrato de Teixeira de Pascoaes (1877-1952), real e não ficcionado como o de Bessa-Luís.


Pela biografia de René Char (Tempus, 2013) ando eu, há meses, mergulhado em leituras do maravilhoso texto de Laurent Greilsamer. Até que fui dar com umas palavras sobre o pintor russo Nicolas de Staël (1914-1955), amigos que eles foram, que me fez ir à estante buscar o livro de Antoine Tudal (Le Musée du Poche, 1958). Sucinto de escrita, como convém à biografia de um suicida, mas bastante. E de competente iconografia.
Fiquemos por aqui!

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Últimas aquisições (25)


É sabido que a Babel (ex-Guimarães Editores, de melhor memória e ilustres pergaminhos), recentemente, repudiou Agustina, mas a Família da escritora, prontamente e bem, arranjou a Relógio D'Água para lhe reeditar a obra, sobretudo a esgotada. A escritora só ganhou com o incidente, de um ponto de vista objectivo.
Ora, eu de há muito que queria ler O Susto (1958), de Agustina Bessa-Luís (1922-2019). E por várias razões: a obra foi inspirada em Teixeira de Pascoaes (1877-1952) e, na altura da publicação, causou grande polémica e troca de azedumes, entre a escritora e a família do Poeta. Régio ainda tentou pôr água na fervura. Em vão...
Aqui há uns meses, vi a obra, na edição primitiva, usada, à venda. Pediam pelo livro 35 euros, o que me pareceu uma exorbitância oportunista, e não o comprei. A segunda edição saiu este ano, em Janeiro, com a chancela da Relógio D'Água. Adquiri, assim, o livro, por pouco mais de 17 euros.
E vou começar a lê-lo...

sábado, 14 de março de 2020

Curiosidades 79


Vão desculpar-me, mas não vou falar do que toda a gente fala...
Recentemente, e aquando da releitura do romance A Sibila, de Agustina Bessa-Luís (1922-2019), deparei-me com o frequente uso, por parte de uma protagonista, da palavra Cantés! (pgs. 12, 18, 34...), que, de mim conhecida, há muito que já não via utilizada e não me lembrava sequer do seu respectivo significado. Releve-se o facto de que me não recordava de alguma vez a ter ouvido oralmente, em conversa, mas vira o vocábulo em algumas obras neo-realistas, no passado. A palavra, sempre a achara estranha.
Ao tentar saber o seu significado, verifiquei que o Houaiss não a registava, mas o simples Torrinha  (de 1945) indica-a, embora no singular, com a valência (Canté!) de: Quem dera!. O Dicionário Analógico, de Artur Bívar consagra o mesmo significado e também como: certamente!. O Moraes, na sua 3ª edição de 1823, também não o inclui (será o vocábulo moderno?). Entretanto, o Dicionário (1958) de José Pedro Machado refere em significado: Oxalá! Em nenhum deles consta porém a sua origem ou uso inicial...

sábado, 7 de março de 2020

Ideias fixas 54


À terceira ou quarta página de A Sibila, relendo, veio-me à memória Camilo. Embora actualizado de vocabulário. Somos assim, naturalmente: ou pelo mundo, como Eça, ou nortenhos e terrunhos, amando de perdição. Em boa companhia, aliás, com Régio, Manoel de Oliveira... - tudo da mesma família.
Ao menos, poupavam-se os néons amaricados. Ou marcanos? De lojas pindéricas, a armar ao fino, por esses algarves foleiros e lisboetas pacóvios. De gentinha, que imagina saber inglês.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Letras e imagens


Neste segundo episódio televisivo, ontem (11/8/2019), Hastings também não apareceu, mas ele consta, vindo da América, no policial de Agatha Christie. Nem o inspector Japp, substituído que foi pelo convencido Crome, também ele da Scotland Yard. Não é por isso literal e fiel esta adaptação de Sarah Phelps, do policial The A.B.C. Murders, para a Fox Crime. E não é que estou a habituar-me ao Poirot de Malkovich? Embora continue a pensar que o Poirot-Finney era melhor. O detective belga, nesta série, é um ser mais solitário.
Todos nos lembrámos das pequeninas zangas entre Agustina e Manoel de Oliveira, pelas infidelidades cometidas pelo realizador ao adaptar os romances da escritora  ao cinema. E será que Fitzgerald e Faulkner foram fiéis, quando andaram por Hollywood? Duvido. Assim, desculpemos a Sarah Phelps ter metido, na série televisiva, coisas da sua lavra. Como popularmente se diz: Quem conta um conto, acrescenta um ponto. É humano, e assim até parece história nova, esta, para quem a vê e já tinha lido o romance policial.
Por afecto às origens, e enquanto espero pelo terceiro e último episódio, no próximo Domingo, fui buscar à estante o número 167 da Vampiro (Os Crimes do ABC), para reconstituir a verdade ficcional que Agatha Christie imaginou em 1936. E que Sarah Phelps re-criou, agora, para a televisão.
Já  agora louve-se, na banda sonora, a breve entrada de Schubert (Trio op. 100). Copiada de Kubrick?
(Conhecem? Está por aqui [Arpose] a 3/1/2017. É uma peça musical lindíssima!)

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Faz agora uma semana, a 10 de Junho....


Agora que o coro de vozes excitadas serenou e o silêncio do tempo tomou conta dos dias, talvez seja  a melhor altura de dar voz ao António, que conheceu e entrevistou Agustina Bessa-Luís, e a quem pedi, desafiando-o, a dar o seu testemunho. E, afortunada e amavelmente, João Menéres, que com ela privou e que faz dos seus dias um testemunho perene de vida, com os seus belos instantâneos ( é só ver o blogue Grifo Planante... ), com generosidade me cedeu uma fotografia inédita de Agustina e me autorizou a reproduzi-la aqui no Arpose, chegou, assim, o momento de voltar a lembrá-la.
Aos dois, António e João, o meu muito e muito obrigado.
Seguem a foto de João Menéres e o texto de António de Almeida Mattos:



A última vez que vi Agustina foi no café duma Fnac, há já muitos anos. Pouco depois foi-me morrendo.
Tive a sorte de conviver um pouco com ela e com o marido (Alberto Luís), seu quase escrivão de puridade, homem discreto, atento, distinto, mas também um bom desenhador.
Agustina era uma mulher de armas e de letras, com um humor por vezes contundente, brilhante para uns, para outros não.
Era muito feminil, coquete, com uns olhinhos miúdos muito vivos e buliçosos como se de uma ave que prepara, vertical, um voo picado e certeiro.
Foi Maria da Glória Padrão quem me ensinou muito sobre a escritora.
Não li tudo de Agustina. Como quem guarda, avaro e prevenido, uma garrafa de vinho especioso para uma data que o mereça. Mas li o bastante para saber que Agustina tinha um saber, um dom de adivinhar quase de vidente.
Uma das vertentes da sua grandeza está em tratar temas que conheço de perto, algo regionais na sua intensidade, e esse micocosmos em que se debruça, pela sua humanização concentrada, se alargar ao mundo inteiro.
Dália Dias refere que Agustina tinha uma imensa atracção pelo caos, no sentido de Criação.
Uma vez, no mercado do Bom Sucesso, perguntou à vendedeira o preço de um qualquer artigo.
- Não sabe ler? Está lá escrito!
- Os meus Pais não me mandaram à escola - respondeu Agustina.
Não precisou. Dentes de Rato era uma menina sábia, que se tornou Mulher férrea na disciplina, livre e ousada na criação do mito, que nunca esqueceu ser criança. Quer na inocência, quer na perversidade.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Para remate : Agustina e Oliveira - história, ficção e cinema


Esta conversa no Porto, em documentário de Daniele Segre, foi gravada em 2005, e é, por isso, um dos últimos testemunhos de duas personalidades fascinantes - Agustina Bessa-Luís (1922-2019), escritora, e o cineasta Manoel de Oliveira (1908-2011). Há, por aqui, várias reflexões sobre a Arte, de dois amigos que nem sempre se entendiam, mas muitas vezes se completavam. Até porque ambos pensavam à sua maneira, coisa que, em Portugal, nem sempre é habitual, mesmo entre criadores.

Nota: o documentário tem a duração de 1 hora, 14 minutos e 14 segundos. É para se ir vendo e ouvindo, como eu vou fazendo...

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Reler. Ouvir


A entrevista, de que escanei uma pequena parte inicial, tem um pouco mais de 36 anos, e foi dada ao jornal Expresso, por Agustina Bessa-Luís (1922-2019), cerca de dois meses depois da saída de Os Meninos de Ouro (Março de 1983). Nela, a escritora confirma, a Maria João Avillez, que se inspirou em Francisco Sá Carneiro para efabular a personagem de José Matildes.
Mas há quem diga que por lá anda também, no romance, o escritor Ruben A., travestido.
Porque escolhi esta obra? Talvez porque foi o livro de Agustina que gostei mais de ler.
E, por isso, o aconselho hoje, aqui.

Agustina Bessa-Luís


Sejamos singelos. Evitemos os derrames barrocos de que Agustina (1922-2019) tanta vez abusou.
Mas a ingratidão é sempre um pecado imperdoável, e capital. E eu li-a, quase sempre com gosto, no passado.
Lembranças compassivas a Mónica, sentidas e sinceras.

sábado, 30 de março de 2019

Profissão assistida


Já Nicolau Tolentino se queixava de ter que aturar meninos, na sua profissão de mestre-escola, para sobreviver economicamente e poder ter algum tempo, ainda livre, para dedicar ao seu prazer maior que era escrever poesia. Esquecia ou, melhor, omitia que o vício do jogo lhe consumia uma boa parte dos rendimentos auferidos... Melhor sorte teve José Daniel Rodrigues da Costa, seu contemporâneo, que conseguiu viver do que escrevia e publicava, mas teve que trabalhar muito e deixar obra larga.
Que isto da poesia não é boa enxada, nem lucrativa, pelo menos, em Portugal.
De prosas viveu Camilo, mas teve que se esgadanhar a escrevê-las. E se não fossem os bens e rendimentos da Dª. Ana Plácido, provavelmente, ainda teria vivido pior. Eça também se queixava muito, apesar de escritor de sucesso e diplomata em exercício, que não seria mau ofício quanto a salário, decerto. No século XX, só me lembro de Ferreira de Castro e Agustina terem vivido da pena. Cesariny, só quando se desdobrou em pintor, é que teve um crescente desafogo na bolsa. E foi pela pintura que enriqueceu.
Li em Le Monde, recente, que são raríssimos, em França, os escritores que não têm uma segunda profissão, para poderem sobreviver. Lá como cá, seguramente.
E dos novos lusos publicistas? De tão fraca laia e escrita de água chilra? Viverão de biscates e croquetes de vernissages? É que muitos deles nem sequer chegam à mediocridade rentável de Houellebecq, que lá vai vivendo, em França, do que escreve. Tem, por ele, a sorte dos seus leitores não serem muito exigentes. E o sentido crítico, em grande parte deste mundo, andar pelas ruas da amargura.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Centenários e projectos


No limiar do novo ano, o TLS (nº 6040) recordou centenários de alguns escritores, que se vão celebrar em 2019. De Salinger a Iris Murdoch e Doris Lessing, entre outros. Pela nossa parte, portuguesa, cabem-nos Sena e Sophia, porque  Eugénio terá de esperar mais 4 anos. Hoje, fariam apenas 96 anos sobre o seu nascimento, na Póvoa de Atalaia (Fundão).


E, sobre Jorge de Sena, se eu não mudar de ideias, preparo-lhe a minha possível e modesta homenagem, mas lá mais para Novembro, que é quando o Arpose completa os seus primeiros 10 anos, juvenis, nove dias depois da data do nascimento do poeta de Fidelidade.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Produtos Nacionais 22


Não se exclua dos ofícios mecânicos uma certa linhagem de nobreza que, no antigamente, era óbice para ascender à aristocracia ou manchava de suspeita qualquer artífice, por melhor que fosse.
Ramalho, de Rosa (1888-1977), que até foi celebrada por Agustina, os Côta, Prazeres, Milagres, são alguns dos nomes e apelidos familiares que ilustraram e ilustram essa genealogia de barristas gentios de Barcelos.
E foi o galo, milhares de vezes reproduzido em cores variadas e berrantes, que se constituiu ex-libris indiscutível e símbolo regional, e mesmo nacional, destes artesãos simples, mas imaginativos.
Monstros inomináveis, mafarricos assustadores, zoomorfismos apenas existentes no imaginário popular foram povoando de figuras estranhas esta mitologia única que se vai fazendo à beira do Cávado.



Eu sempre fui mais atraído pelos músicos canhestros de bigodaças, mas compostos na sua indumentária, destas bandas de barro rústico, que fui juntando até compor uma orquestra de 10. Todos têm a particularidade de serem assobiadores, porque na base posterior de todos existe um apito primitivo, por onde se pode soprar. O gigantone, ao fundo à direita, com o seu bombo, reuniu-se-lhes, por oferta gentil de uma minha amiga, já em meados dos anos 80. E esse sei eu que é do Milagres. Talvez algum dos outros, mais pequenos, possa ter saído das mãos hábeis e talentosas de Rosa Ramalho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Livros de arte, catálogos de exposições, preâmbulos


Hoje em dia, é muito raro eu comprar um livro de arte, sobretudo com predominância iconográfica. São normalmente luxuosos, em novos, e muito caros; usados, são muitas vezes vendidos ao desbarato, porque perderam a actualidade. Nos anos 70, eram postos displicentemente em salas de visitas, nas casas de novos-ricos, a dar um toque de fingido requinte...

Na segunda metade do século XX, era também frequente, cá dentro e lá fora, poetas e escritores fazerem pequenos textos introdutórios em catálogos de exposições de pintores. Alguns muito felizes. Estou-me a lembrar de Eugénio de Andrade, com textos belíssimos sobre a pintura de Carlos Carneiro, Resende, Angelo de Sousa, Armando Alves, José Rodrigues... Mas também Pedro Tamen e Vasco da Graça Moura, por exemplo, assinaram belas prosas para o mesmo efeito.
Esta semana, o meu alfarrabista de referência tinha duas mesas grandes coalhadas de catálogos de exposições. Desde os anos 20 da Sociedade de Belas-Artes (modestos), até aos da Galeria S. Mamede, passando pelos de Manuel de Brito, da Galeria 111. O acervo não chegava, porém, ao século XXI, que agora não se vende tanta pintura, e os catálogos são pobretes, muitas vezes não passam de uma folha de fotocópia, com uma ou nenhuma reprodução. 

Catei, naquela floresta, textos que me interessassem, mas a colheita foi pobre em quantidade, embora válida de qualidade. Trouxe para casa um catálogo de uma exposição de Cargaleiro, na S. Mamede (1981/1982), com uma imaginativa prosa de Agustina. E outro, da Fundación Juan March (1991), sobre uma retrospectiva de Vieira da Silva, riquíssimo de iconografia. Com um poema de René Char e que integra, também, um retrato de Árpad Szenes, tendo como modelo a Mulher, que deixo em imagem final, para quem o não conheça. E porque gosto muito dele.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ilse Losa (1913-2013), quase esquecida?


Não fora MR, no Prosimetron, e também eu me teria esquecido do centenário do nascimento de Ilse Losa, que passou a 20 de Março. Escritora portuense de adopção, mas nascida na Alemanha, discreta mas de escrita firme onde abordou, maioritariamente, memórias e recordações. Autora também de livros para crianças, onde um humor subtil, às vezes, se cruzava com universos sensíveis e mágicos.
A capa de "Encontro no Outono", em imagem, de João da Câmara Leme, sempre me lembrou os pequenos pinhais dispersos (ainda lá estarão?) de Esposende, onde ela costumava passar férias, com a Família, e se juntava, na preferência, a Agustina.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Grafologia, caligrafias e outras considerações avulsas


Há vidas que são uma única e só hesitação. Outras, que se pulverizam em fragmentos inúteis e se perdem em pequenos nadas, sem fim à vista. Outras, ainda, de uma coerência a toda a prova, que parecem uma recta perfeita, em direcção ao infinito. Numa pulsão que ignora os obstáculos e os empecilhos.
Parece que, quem tiver acesso a um poema manuscrito de Keats, poderá ter a impressão de que os versos teriam sido escritos na véspera, tal a beleza caligráfica e a linearidade fresca e limpa da escrita do poeta inglês. Sabe-se quanto a escrita (pequeníssima) de Agustina é críptica e difícil de ler - era o Marido que passava, à máquina, os manuscritos. A de Vergílio Ferreira era poupada, ocupando todo o espaço das folhas de papel. Proust (ver imagem) era muito desarrumado a escrever.
E, ao que dizem, Hitler raramente escrevia à mão (até o testamento foi dactilografado), tentando decerto evitar futuras análises grafológicas à sua caligrafia.