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domingo, 12 de setembro de 2021

Sonhos



Ao invés da aguarela algo harmoniosa e naïf, de inspiração marítima, os sonhos da noite, colhendo caoticamente as impressões do dia passado e o futuro almoço de filetes de pescada, domingueiro, albergavam pássaros e peixes enormes, Jorge Sampaio discursando em Timor-Leste e o mercado de Dili, onde uma nativa, da sua banca, me queria vender, melíflua, o que me pareceu ser uma gigantesca jamanta. Ainda lhe perguntei se não teria raias. Silenciosa me apontou ameaçadora o que me pareceu ser uma lula de dimensões muito avantajadas. Que recusei, categórico, pelas poucas bocas que teria à mesa, hoje.
Até que, para meu sossego, resolvi acordar e regressar à Metrópole...

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Da Páscoa, e com amizade


Por entre azul celeste e verde esperança, nos chegam amigos votos. Que nos colhem de surpresa e sem palavras suficientes. Ocorre-me, um pouco a despropósito, inadequada talvez, uma quadra antiga que se aproxima do grato sentimento que experimento. E que endereço, com simplicidade, à Margarida, em retribuição pobre, do que posso:

Foi bom o dia de hoje nas pessoas
de quem não esperava nem palavras:
desconhecidos gritam-me bons dias
e o barco vai firme sobre as águas.

Com grata estima, e cordialmente,
A. S. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Tomas Tranströmer (1931-2015)


Música lenta


O edifício está fechado. O sol entra pelas vidraças
e aquece, do alto, as secretárias
sólidas bastante para suportar o peso do destino.

É o nosso dia de saída, para a longa extensão dos taludes.
Muitos vestiram os fatos escuros. Podemos apanhar sol
e fechar os olhos e sentir o vento que nos leva, suave.

Eu, que raramente venho até à beira-mar, aqui estou,
por entre os rochedos cobertos por algas macias.
Rochedos que, lentamente, souberam emergir das águas.


Tomas Tranströmer, in Klanger och Spär (1966).