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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Afinidades


Os sonhos, tal como os versos, nascidos do nada, ou se recordam logo e apontam, por escrito ou de memória, de imediato,  ou então voltam ao vazio donde vieram e ao total esquecimento.

sábado, 23 de janeiro de 2021

Bibliofilia 185



Publicaram-se 20 números, alguns duplos, da revista cultural luso-francesa Afinidades, entre 1942 e 1946. Hoje o conjunto completo vende-se, quando aparece nos alfarrabistas, entre 200 e 300 euros. Eu tenho apenas 6 volumes, um dos quais é duplo (7/8), mas dá para ver a sua qualidade, bem como o nível dos seus colaboradores, de várias nacionalidades: Paul Valéry, T. S. Eliot, Ribeiro Couto, Fidelino de Figueiredo, Éluard, Aragon, Saint-Exupéry... 



Presença constante é a de Lionel de Roulet (1910-1990), redactor,  ex-aluno de Sartre e diplomata, que viria a casar com a pintora Hélène de Beauvoir (1910-2001), irmã mais nova de Simone de Beauvoir. Hélène colaborou também com frequência na revista, escrevendo recensões a exposições de pintura e abordando pequenos estudos sobre arte moderna. A pintora francesa, além de dar aulas no Instituto Francês, publicou um curioso anúncio no número 5 de Afinidades, já em Lisboa. Onde viveu, creio, até 1946.



Como curiosidade julgo interessante referir que a Universidade de Aveiro possui um acervo de 84 telas de Hélène de Beauvoir, que lhe foram cedidas pela própria pintora francesa, em jeito de gratidão pelo convite que lhe fora feito pela instituição para lá fazer uma exposição. 



terça-feira, 16 de julho de 2019

Osmose 107


As afinidades criam-se, muitas vezes, de sobreposições, ainda que ténues. Um gesto que reconhecemos também nosso, uma palavra que nos irmana pelo significado distinto e próprio, um gosto partilhado intimamente, um desprezo oculto que aflora simultâneo, geminado e natural, depois de expresso.
É assim, ainda que cada vez mais raro com o passar dos anos, que reconhecemos a fisionomia de um amigo possível. E a hipótese, nem sempre concretizável, de uma relação para sempre. Embora possa ter demorado muito, até o vazio ter reconhecido uma presença real de ocupação merecida.