Mostrar mensagens com a etiqueta Adega de Pegões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adega de Pegões. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Mercearias Finas 188



A banca de frutas e verduras do Telmo fica na esquina que vai dar ao corredor que tem, ao fundo, a banca de peixe da Leonor, no Mercado do Monte. Em vésperas do fim-de-semana pascal, ambas estavam repletas de produtos frescos e tentadores. Acabamos por trazer o que desse até ao Domingo em que o anho tinha lugar cativo à mesa. E o vinho, retirado da horizontal na garrafeira, já estava ao alto na mesa, pronto a abrir. Com 23 anos de idade o tinto da colheita seleccionada, naturalmente, teve que ser decantado e lá ficou a respirar cerca de 3 horas, antes de vir a ser servido, para acompanhar o chibinho e um queijo de pasta mole, caprino, que bem o mereciam.
Com 13,5º, o lote com Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, dava ainda sinal de taninos, mas suaves, e não deixou ficar mal a criação proficiente de Jaime Quendera, enólogo que muito tem feito pela Adega de Pegões (passe a publicidade...) - aqui o deixo exarado e com louvor merecido.

sábado, 29 de julho de 2017

Mercearias Finas 124


Como as donas de casa costumam fazer, anualmente, as limpezas de Primavera, arejando a casa, também eu, como adegueiro doméstico, tenho por hábito, fazer a limpeza de vinhos brancos (mais antigos), pelo meio do Verão. Antes que eles fiquem passados de todo e imbebíveis. Que os tintos são mais longevos, habitualmente e se forem bons.
Calhou, anteontem, a vez a um Colheita seleccionada, branco, 2006, da Adega de Pegões, que já tinha muito pó na garrafeira, e era o dux veteranorum. Por essa altura, Jaime Quendera pontificava, sabiamente, por lá, como enólogo. Era trunfo a favor, mas os 11 anos de vida desse Branco (castas: Arinto, Chardonnay e Antão Vaz) acentuavam o meu cepticismo.
Mas a rolha saíu inteira, sinal positivo, e o pé era pouco - nem foi preciso decantar este Branco com 14º, bem medidos de pujança.
E foi uma agradável surpresa. Velho na cor (amarelo carregado), com aroma distinto e sabor ameno. Tinhamos massas italianas com carne picada, a que HMJ agregou, inspiradamente, folhas de aipo e uns restos de brócolos. E o vinho de Pegões combinou bem. O melhor estava, no entanto, para vir, quando encetámos a sobremesa: figos e umas lascas de meloa algarvia, entre o doce e o apimentado. O Pegões branco de 2006 mostrou aí toda a sua raça e subtileza longeva. Parecia um Sauternes dos bons  ou um Colheita Tardia de grande qualidade. Sobressairam sabor e doçura comedidos. Deus o abençoe - que já se foi, neste Verão de 2017.