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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Auto-crítico, e com muitos itálicos


Ontem, depois de um modesto, mas saborosíssimo almoço, acompanhado por um fresco Chardonnay, da Casa Santos Lima, decidi-me a fumar um Montecristo, que me fora  generosamente oferecido por um bom amigo. E bebi, à falta de uma Adega Velha, uma competente Fim de Século, com uma pedrinha de gelo.
Por momentos, senti-me na pele de um Rendeiro (caridosamente absolvido, no seu primeiro processo, pelos amáveis juízes lusos) contemplando, embevecido, a sua pinacoteca privada. Imaginei-me Oliveira e Costa, deliciado, a observar os seus Mirós, sem pulseira electrónica, em casa. Ou o paquidérmico e facilitador agente da cultura, na Ajuda e sem dívidas ao Fisco, fumando um Cohiba, enquanto era entrevistado por Le Monde. Ao mesmo tempo que ia rabiscando uns apontamentos para o próximo policial, post-funções, e convalescente. Faltou-me só transportar-me até um resort em Cabo Verde ou Aguiar da Beira...
Ou seja, durante cerca de 15 minutos paradisíacos, vivi acima das minhas possibilidades. Será que a dívida portuguesa, por isso, subiu mais uns pontos? Fiquei a matutar.
Mas, depois, foi a ressaca. Durante quase 60 segundos, fiquei cheio de remorsos esquerdistas.

para H. N., aromaticamente.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mercearias Finas 21 : perdizes em Aldoar



Não sei se elas terão vindo do Alentejo (nem o António sabia), como veio o tinto Cartuxa de 2006, mas vieram morrer, maneirinhas, à mesa, lá para as bandas de Aldoar. Não estavam sozinhas: foram acompanhadas de túbaras, lardeadas de bacon, com batatas às rodelas e pequenos cogumelos - eram muitíssimo boas, as perdizes, neste Outono do ano da graça de 2010. Foram, para nós, as primeiras desta época.
Antes, e para fazer boca, umas vieiras, em pequenos cilindros vestidos de (quase laminadas) courgettes, tendo por cima umas pequeníssimas bagas de pimenta rosa que, pela côr, mais pareciam framboesas. Eram lindíssimas mas, rapidamente, se foram, pelo gosto que tinham. Casaram-se com o E. A. branco, também alentejano (Antão Vaz, Perrum e Roupeiro) da Fundação Eugénio de Almeida. Excelente.
Quase no final chegou à mesa o celebrado Toucinho do Céu que, com as Tortas, há quem diga, nasceram da doçaria conventual vimaranense; no entanto, este toucinho era tripeiro de gema, e feito pela mão cuidada da Isabel - na perfeição, ponto e gosto. Depois do café, para coroar tudo isto, a suprema Adega Velha, da Aveleda, elegante na sua garrafa alta e estreita, e de sabor divino.
Obrigado, Amigos!