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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Falar simples, falar barato


Talvez o que melhor distinga a crítica ou recensão crítica de origem anglo-saxónica é que, após a sua leitura, não se fica de todo ignorando o enredo ou tema do livro que foi analisado. Noutras críticas de origem europeia, muitas vezes, a citação erudita ou os malabarismos pseudo-intelectuais correm paralelos, mas nunca convergentes, ao teor da obra e, frequentemente, ficamos sem saber aquilo de que o livro trata, na realidade. É, talvez por essa razão, que a crítica portuguesa tem má fama. Assim, achei que talvez fosse útil traduzir e citar, do TLS (nº 5832), o início da recensão que o editor Adam Begley fez sobre o livro "The Republic of Imagination", de Azar Nafisi. Portanto, aqui vai:

Uma das muitas maneiras de ler Adventures of Huckleberry Finn é prestar cuidadosa atenção ao papel desempenhado pelos livros e pela leitura - atenção que é prontamente recompensada logo pela frase inicial do romance: "Não saberão nada de mim, se não tiverem lido um livro que tem por título The Adventures of Tom Sawyer, mas isso não será muito importante. Esse livro foi escrito pelo sr. Mark Twain e, a maior parte das vezes, ele falou verdade". Esta metaficção prepara-nos para o Capítulo II, no qual Tom Sawyer esplica aos seus rapazes amigos que irá orientar o seu bando de acordo com o sanguinário precedente estabelecido pelos "livros de piratas" e dos "livros de salteadores". Matar as suas vítimas seria o melhor, afirma Tom - mas ele aceita também o resgate, que será uma alternativa possível... Quando um dos rapazes lhe pergunta o que é um resgate, Tom confessa a sua ignorância: "Eu li isso em livros; por isso é aquilo que devemos fazer". A atrevida ironia de Mark Twain dá um nome feio à literacia. E, à medida que formos avançando na leitura, iremos  descobrir que muitas das aventuras de Huck apontam na mesma direcção: para a perniciosa influência daquilo que aprendemos nos livros que lemos. ...


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Romances de Amor, uma escolha de Updike


Até finais dos anos 70 do século passado, e por razões académicas, mantive-me relativamente actualizado sobre a figura e obra do poeta e romancista norte-americano John Updike (1932-2009). Depois, o acompanhamento foi bastante mais bissexto. Mas uma recente recensão, no TLS (nº 5802), sobre a saída de uma biografia do escritor (Updike, de Adam Begley), permitiu que eu actualizasse alguns dados e fosse em busca de outros. Deparei-me, por exemplo, com a sua escolha pessoal dos 5 melhores romances de Amor, da literatura mundial, que veio a ser incluida no volume Due Considerations: essays and criticism (2007). Por ordem cronológica, a escolha de Updike é a seguinte:
1. La Princesse de Clèves (1678), de Madame de La Fayette.
2. Les Liaisons Dangereuses (1782), de Choderlos de Laclos.
3. The Scarlet Letter (1850), de Nathaniel Hawthorne.
4. Madame Bovary (1856), de Gustave Flaubert.
5. Loving (1945), de Henry Green.
Tentei fazer o mesmo exercício, mas pessoal e apenas em relação a obras portuguesas. De momento, e pese embora algum lapso de memória, só consegui seleccionar três:
1. As Cartas Portuguesas (Les Lettres Portugaises, Paris, 1662), atribuidas a Mariana Alcoforado, mas mais provavelmente da autoria de Gabriel de Guillaragues.
2. Amor de Perdição (1862), de Camilo Castelo Branco.
3. O Primo Basílio (1878) ou Os Maias, de Eça de Queiroz.

P. S. : Por oportuna sugestão de HMJ, que apoio, junta-se uma 4ª escolha portuguesa - Menina e Moça ( 1554), de Bernardim Ribeiro.