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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Visita inesperada, mas bem-vinda


Nos últimos 5 ou 6 anos, é raro eu ver uma abelha. As vespas, no entanto, continuo a vê-las, com alguma frequência. Mesmo assim, quanto a populações benignas daqueles bonitos e úteis insectos, parece que estamos em melhores  condições do que a Alemanha, que já teme pelo seu mel silvestre. Ou que a Inglaterra, onde as colónias de abelhas diminuíram drasticamente.
Nos últimos três dias, porém, tive um sinal favorável, que me alegrou. Na varanda a leste apareceu, por diversas vezes, uma abelha a sobrevoar o limoeiro e, como tínhamos a janela aberta, entrou para a cozinha. Depois de vários círculos, dirigiu-se para a garrafeira, talvez por ser o local mais fresco, e demorou-se por lá, em inspecção minuciosa. Mais tarde regressou ao ar livre da varanda.
Volte sempre, senhora abelha, que é bem-vinda!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Uma "história" de E. de A., para o fim da tarde


História de Verão

Uma abelha, dessas que dizem ser italianas, entrou pela janela, obstinou-se em escolher-me, pousa-me no ombro, descansa dos seus trabalhos. Lisonjeado com aquela preferência, comecei a amá-la devagar, retendo a respiração, com receio de que não tardasse a dar pelo seu engano, que cedo viesse a descobrir que não era eu a haste de onde se avistam as dunas. Mas o seu olhar tranquilizava, era calma ondulação do trigo. Agora só uma interrogação perturbava a minha alegria - comigo, como é que faria o seu mel?

Eugénio de Andrade, in Memória doutro Rio (1978).

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A abelha e a vespa


Por ambas fui mordido, quando era jovem, e acho que elas consideram que eu já tenho a minha conta, porque há mais de quarenta anos que não lhes experimento o ferrão. Também nunca mais as cacei, com aquelas caixas de fósforos gigantes que abria para fechar, rapidamente, sobre as flores onde pousavam. Saiu-me cara, muitas vezes, a brincadeira, mas a tentação de repetir a proeza, era sempre muita... Por destino biológico, ao espetarem o ferrão como arma de defesa, as abelhas e as vespas, morrem pouco depois. Devido a esta semelhança pensava, dantes, que a zumbidora abelha e a agressiva vespa deviam ter um parentesco longínquo com os escorpiões... É também evidente que gosto mais de abelhas do que de vespas. E não só pelo mel.
O que eu não sabia, e soube ontem, é que a nível simbólico as vespas representam a ordem no seio da comunidade, muito embora os antigos egípcios e persas associassem a vespa ao Mal, bem como os gregos e os romanos. E, mais interessante ainda, uma lenda polaca conta que as abelhas foram criadas por Deus, e o Diabo, invejoso, também quis criar algumas abelhas, mas saíram-lhe vespas.