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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Apontamento 81: Venturas e desventuras de uma hortelã citadina


Ora, como bem se lembram, estávamos à espera de um valente aboboral, transformando até o meu escadote em suporte para as ditas abóboras à medida que iam crescendo. Iam, bem dito, porque até ao momento não se safou nenhuma !



No entanto, ficou-nos o belo espectáculo das flores que ainda vão abrindo. Ao fim do dia murcham e passados dois dias caem. Ao que parece, são masculinas e não dão fruto. São segredos da natureza que não sei resolver.

Como este ano tem sido pródigo, também ficámos com uma boa colheita de beldroegas no vaso da roseira que, infelizmente, morreu. Ora vejam !



O tamanho das beldroegas inspirou a gula e lá fomos nós consultar, novamente, a receita da sopa. Tudo comprado e tudo preparado foi, então, hoje o dia em que o almoço servido veio, na substância, da nossa horta caseira.



 Post de HMJ

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Abóboras (bis)


E vão três...
Para já são apenas flores. Esplendorosamente amarelas, ao Sol. Não imagino no que irão dar, só faço votos para que sejam maneirinhas, mas saudáveis se vierem a desabrochar em fruto...

domingo, 19 de junho de 2016

Apontamento 79 (bis): Abóboras


Vamos dar conta da evolução das nossas abóboras. Como se vê pela foto, a primeira flor cumpre o dito: "quem sai aos seus ..."

De facto, a mãezinha era uma senhora abóbora !

Post de HMJ, com os votos de um bom Domingo

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Abóboras na paisagem


Da Escola vem um alarido, um clamor selvático de gritos infantis, tão desmesurado que até consegue abafar a música pimba, provinda de uns altifalantes rudimentares do recinto interior.
Cá fora, dezenas de pais e avozinhos, impedidos de entrar, espreitam, embevecidos, através das grades e da rede, as criancinhas mascaradas, como num jardim zoológico humano descontrolado.
Não, obrigado! Para mim, abóboras, só para a sopa e nos bolinhos de jerimu.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mercearias Finas 39 : Coelho na abóbora, tinto Douro e jerimus

O coelho era português, e manso, as abóboras de Constância e o vinho tinto duriense (d'Eça 2009), de Sabrosa, que não tendo pujança excessiva, compensava com uma elegância inesperada e acolhedora nos seus 13,5º graus aveludados, já. Marcado, absolutamente, pelo aroma e sabor inconfundíveis da Touriga Nacional - eflúvios de violeta cálida, envolvida em fumos de tabaco e chocolate. A garrafa foi toda, e quase pedia mais...


O coelho foi aconchegado e assado no forno (como manda o "Chico Elias", de Tomar), no interior de uma cucurbitácia média, mas nutrida. Para não ficar sozinho fizeram-lhe a cama e rodearam-no de aipo, cebola, um cheirinho de salsa, pequenas tiras de pimento rútilo, algumas rodelas de chouriço, três ou quatro gotas de piri-piri. No útero róseo-alaranjado da abóbora, quentinho, adormeceu - e fez-se.


Entretanto, as cabaças pequenas e mais jovens, que não chegaram a ser cantil de romeiros e peregrinos, secas, ou mera decoração de mesa, foram sofrendo tratos de polé, em vida e sumarentas, até adquirirem uma consistência de polme maleável, poroso e amarelado - daí, talvez, o nome de abóboras manteiga. Fritas se transformaram em "bolinhos de jerimu", com polvilhos leves de fino açúcar e canela. Puro esplendor divino, como manã bíblico, que se desfazia na boca.
Gastronómico domingo, digno de deuses!

A HMJ, pela confecção perfeita; a AVP, pela sábia indicação do vinho d'Eça 2009, tinto. 


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A infância, e as abóboras

Ao que parece, as sementes das cucurbitácias, se o tempo ajudar, são pródigas e reproduzem em abundância. Acontece que, por amável oferta, nos entraram em casa, recentemente, 4 abóboras lindas e perfeitas. Duas são abóboras manteiga donde se fazem os saborosos bolinhos de jerimu; outra delas, a maior, já tem destino: sopa e uma curiosa receita que dá pelo nome de Coelho na Abóbora. Finalmente, a quarta é uma abóbora gila (ou Chila) que se destina a compota: e se pode comer simples ou usar em doçaria conventual, mais sofisticada.
Simultaneamente, aconteceu que comprei e estou a ler "Infância" (talvez disso fale, em detalhe, oportunamente) de Graciliano Ramos, onde ele relembra as suas recordações matriciais das cucurbitácias. Não resisto a partilhar, com os meus amigos, um pequeno excerto, que segue:
"...A vazante das abóboras, por exemplo, ficava longe. Sòzinho, não me seria possível atingí-la. Dez ou vinte aboboreiras na terra de aluvião. Amaro havia dito que uma bastava. Se o inverno viesse, aquêle despotismo seria estrago; chegando a sêca, não se colheria um fruto, ainda que enterrassem na lama tôdas as sementes. Meu pai desprezou o conselho do caboclo - e o resultado foi uma praga de abóboras. A princípio uns cordõezinhos se torceram na vasa, enfeitaram-se de botões amarelos, de pequenas cabaças.  (...) E as abóboras cresceram, tantas que a gente andava na roça pisando em cima delas. Juntavam-se, enganchavam-se duas, três, num bloco, figuravam bela calçada movediça. ..."