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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Realismo mágico ?



O título deste poste socorre-se do nome de uma corrente de ficção sul-americana que teve em Gabriel García Márquez um dos seus mais célebres cultores. É que, se não fora este livrinho (Cobras, lagartos e baratas, 2020) ter sido editado por uma instituição credível e séria, eu teria uma extrema dificuldade em acreditar em tudo o que lá vem escrito, a propósito de animais de estimação, em Portugal.


Pois logo no início do exergo deste pequeno volume, como se pode ler, João Loureiro, biólogo do ICNF,  refere insolitamente que:
"Há muita gente que tem muito mais do que trinta cobras em casa. (...)"
Parece inacreditável!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Inventário e modelo


O prédio albergava, divididos pelas 32 fracções dos 8 andares, onze cães e nove gatos. Os pequenos felinos eram tutelados, maioritariamente, por viúvas inconsoláveis; os canídeos, por famílias com criancinhas muito sensíveis. Havia também canários pelo prédio, que não incomodavam ninguém. E peixes, em vários aquários, que não tugiam nem mugiam, por isso nem se dava por eles. O Silva do PAN considerou-o um prédio modelo, e propôs ao PR que lhe fosse concedida uma venera simbólica e benefícios fiscais aos utentes moradores.
Quando souberam disto, os pobrezinhos que brincavam na Comporta, resolveram fazer uma marcha silenciosa de protesto até S. Bento e Belém.
Compreensível, aliás!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Descartáveis


Sabe-se que o amor não é eterno, sobretudo na vida real. E os impulsos ou paixões fulgurantes, ainda menos. O que amamos na infância ou na juventude raramente nos desperta o mesmo sentimento, na idade adulta. É natural e humano, que assim seja. Mas há algumas coisas, neste capítulo, que tenho dificuldade em aceitar e, muito menos, compreender.
É sabido, embora sibilino pelo menos para o PAN que é um partido particular e ruralmente correcto, que, pelo início das férias, algumas boas almas simples, por entre lágrimas insofridas, costumam libertar para a rua um ou outro animal de estimação, para poderem usufruir, mais tranquilamente, os seus tempos livres... É assim que, aqui, na zona outrabandista, vagueiam em liberdade e matilha 4 canídeos, um dos quais ainda ostenta  uma afectiva coleira de amor passado. Quanto a gatos, esses donos caritativos já abandonaram dois às delícias da liberdade. Quando os vejo, lembro-me sempre de Nicolau Tolentino e do seu exemplar soneto Deitando um cavalo à margem

No que a livros diz respeito, nunca pensei, porém, que na sua imobilidade discreta pudesse estorvar ou incomodar o espaço dos seus proprietários. Hoje, fiquei na dúvida. Talvez estorvem o espaço de alguma gentinha pragmática com ligeiras intenções do sempre em festa - e devem incomodar. Porque encontrei, matinalmente, junto aos contentores do lixo outrabandista, uma pequena e desorganizada biblioteca juvenil. Composta por 5 ou seis livros escolares, ainda impecáveis, e cerca de uma dezena  de álbuns de BD, abandonados.
Deixo, em imagem, dois testemunhos. E devo confessar que fiquei siderado. Foi o meu momento zen, do dia, talvez da semana de início da sempre beatífica e libertadora silly season!...