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sábado, 8 de julho de 2023

Mais 4 "greguerías" zoológicas de J. G. R.

 

1. O porco-espinho: espalitou-se.
2. As focas beijam-se inundadamente.
3. A zebra se coça contra uma árvore, tão de leve, que nem uma listra se apaga.
4. Seu leque gagueja: o pavão arremia, às vezes, como o gato no amor.

João Guimarães Rosa (1908-1967), in Ave, Palavra (pgs. 67/70).

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Apontamento 145: "Animais e Cidadãos"

 

A revolta interior perante um completo desvario da sociedade actual, que se manifesta na ausência de princípios morais, éticos e de civilidade, procura, por vezes e durante muito tempo, como é o caso, as palavras certas para transmitir o que sentimos de profundo desagrado perante o trilho desviado pelo CAPITAL para a Humanidade.

O título do “post” encontra-se com sinal de citação em função de um artigo de António Guerreiro, no último ípsilon do Público. O autor do artigo coloca, de uma forma simples, pela prioridade da enunciação, o problema actual: primeiro os animais e depois os cidadãos. Era, exactamente, o mote que precisava para o meu texto há muito adiado, à espera de conseguir a contenção para o escrever. Mesmo assim, o rancor não tem contemplações, nem censuras, e não domina a emoção.

 


1 – As duas imagens acima espelham, para quem tenha ainda dúvida, as opções humanamente inaceitáveis de uma sociedade que se diz democrática, a saber, o direito do animal “gato” a ter uma casota, toda catita e até com quintal, financiada pelo erário público, e, por outro lado, o IGLO para seres humanos, que as sociedades MODERNAS – França, etc – inventaram para “abrigar” as pessoas que não conseguem uma habitação condigna ou foram, na maior parte dos casos, despejadas pela mercado do capital que invadiu o universo supremo do direito de cidadania, i.e. uma casa para viver.

2 – Perante o completo falhanço, do ponto de vista da humanidade e civilidade, da sociedade actual em acabar com as pessoas a viverem na rua, assistimos a estes remédios abjectos em vez de colocar as pessoas em casas desocupadas – parece que em Lisboa há 40.000 segundo a nova Vereadora – acabando com um espectáculo degradante por todo o lado nas nossas cidades.

3 – O que vemos, portanto, são casotinhas agradáveis com quintalinho para os gatinhos, IGLOS ou ruas com arranjos inqualificáveis à entrada de prédios com pessoas e seus haveres. Mesmo para uma pessoa sem a falsa compaixão divina de jonês e companhia pergunta-se: santo Deus, perdemos o juízo por completo !

4 – Não falta dinheiro das autarquias para o apoio a ida a veterinários para animais de companhia das pessoas “necessitadas” (?) Estamos a falar de pessoas necessitadas SEM AQUECIMENTO para o bem-estar e comodidade do ser humano ? Pessoas necessitadas são as que encontrei, hoje, num supermercado a perguntar a uma funcionária: “tem uma massa ... (não percebi o tipo que a senhora queria), porque o meu cãozinho só come peitinhos de frango com massa ...” A senhora, sem nenhuma acrimónia, tinha um aspecto remediadíssimo, embora o aspecto exterior se revelaria, como ficou dito, ainda mais composto do que a miséria mental. E a sociedade actual continua a fomentar este tipo de miséria ? Em benefício de quem ?

5 – Não estamos, portanto, como sociedade a contribuir para uma elevação das nossas vivências, privilegiar opções humanas e de civilidade. É isto que me incomoda diariamente para além dos ruídos e sujidades que os animais provocam sobretudo pela incivilidade dos proprietários. Em Lisboa, semana sim, semana não, temos mais burgessos – nacionais e estrangeiros – com cães, a ladrar a qualquer hora do dia e da noite. A falta de educação dos proprietários revela-se pela postura inadequada dos seus animais domésticos. Deviam é ter comprado um monte no Alentejo, porque não nos incomodavam pela sua falta de civilidade.

Sempre tive animais domésticos, em criança, cães e gatos, mas numa casa com quintal e enquadrado num quadro mental e educacional para cuidar deles SEM incomodar a vizinhança. Na certeza, porém, que cada um ficava no seu lugar. PRIMEIRO o pai e a mãe, a restante família e, DEPOIS, o resto do carinho para os animaizinhos, bem comportados e educadinhos como se exigia e se fazia em primeiro lugar aos meninos !

Bons tempos em que a hierarquia ainda trazia benefício de sossego de alma: cuidar dos vivos e domar os animais!

Post de HMJ

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Lembrete 70


Já saiu o número 7, do Outono. O dossier temático é sobre os animais, mas creio que a revista Electra não tem parceria nem patrocínio de nenhum partido político, por muito que possa parecer...

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Adagiário CCXC


Coitados dos cordeiros, quando os lobos querem ter razão.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Variações sobre as coisas que andam no ar


Não se tinha passado sequer uma semana, depois do meu poste sobre animais domésticos (16/5/2017), e eis que, ao comprar o penúltimo TLS (nº 5954), vejo a sua capa e temática consagradas às relações entre os humanos e os bichos. Na altura do poste, no Arpose, lembrei-me de Gilbert Cesbron (1913-1979), por associação, e dos seus "Cães perdidos sem coleira" (1954), livro que teve um enorme sucesso nos anos 50/60, e que tratava dos padres-operários, experiência piloto que a Igreja católica permitiu e sancionou, pouco antes desse renascimento religioso de dimensões fraternas, mas também realistas, que foi o Concílio Vaticano II, resultado da previdência, e do dinamismo humano e inteligente de João XXIII. A viradeira veio a dar-se, depois, com Paulo VI...
Haverá pioneiros sempre, incompreendidos na altura, mas quem pensa e sente, com verdadeira atenção e humildade o seu tempo, tem, muitas vezes, grandes possibilidades de antecipar o futuro próximo - no fundo, aquilo que já anda no ar do tempo. Para usar as palavras que Nina Ricci deu a um belo perfume feminino (L'Air du Temps), em 1948. E para dar um exemplo mais simples e corriqueiro.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Os animais domésticos e os outros


Aqui, pelas cercanias, já se podem contar quatro cães vadios, ultimamente. A matilha parece capitaneada por um pastor-alemão, de olhar dócil, que permite supor que já terá sido o ai, Jesus! de alguma família que, entretanto, se terá cansado dele não sei por que motivos...
Não sou particularmente afeito a cães: fui mordido várias vezes na infância e começo da juventude. A minha estima, a nivel de animais, vai toda para os sensíveis e nervosos canários que, às vezes, cantam lindamente. Tenho deles recordações inesquecíveis.
A estes cães abandonados, cujas matilhas crescem progressivamente, a Câmara, de tempos a tempos, costuma levá-los para o canil municipal - cumprindo um elementar serviço público, também de higiene. Mas hoje, dei-me a pensar, que tendo sido domésticos, estes animais frequentam, decerto, as redondezas dos seus antigos lares. E pergunto-me se os seus ex-donos, ao vê-los, não experimentam qualquer tipo de sentimento?
Os animais...

sábado, 6 de outubro de 2012

Os animais falantes e "musicantes"

Os fabulistas (Esopo, Lafontaine, Curvo Semedo...) usaram um horizonte alargado de animais falantes, desde os aéreos aos terrestres e aquáticos. Os compositores, no entanto, parece-me que privilegiaram as aves, nas suas composições musicais. Lembrei-me disso quando coloquei, no poste anterior, a peça musical de Rameau, "A Galinha (La Poule)", numa execução magistral de Grigory Sokolov (1950).
Mas, já antes de Rameau, Josquin des Prez tinha composto a deliciosa canção "El Grillo è buon cantore" (no Arpose, a 30/5/2010) ou Daquin a pequena peça "O Cuco". E de alguns outros me lembro, embora, com toda a certeza, a lista irá muito incompleta:
- Tchakovsky - "O Lago dos Cisnes"
- Rimsky- Korsakov - "O voo do moscardo"
- Rossini - "Dueto dos Gatos"
- Saint-Saëns - "O Carnaval dos Animais"
- Prokofiev - "Pedro e o Lobo"
- Pablo Casals - "Cant dels Ocells"
- Hovhaness - "And God created the great Whales".

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O desamor aos animais


É da história: o amor é um sentimento, quase sempre, fugidio. E a necessidade pode muito - já lá dizia Almeida Garrett. A crise, por outro lado, tem muita força. Diz o povo: vão-se os anéis, fiquem os dedos. Já aqui dei conta, em 3/1/2011 (Os cavalos irlandeses e a crise), que os irlandeses tinham abandonado 20.000 cavalos à sua sorte: uns morriam à fome, outros iam sendo abatidos...
Vejo hoje nos jornais portugueses que a Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais tem para adopção 250 animais, que lhe foram entregues pelos anteriores donos. A maior parte são gatos. Aqui, na zona outrabandista, também já se nota o aumento das matilhas e dos gatos vadios. E a procissão ainda vai no adro. Ao contrário do que dizia Júlio Dantas, n' "A Ceia dos Cardeais", não é assim tão diferente o amor em Portugal...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cromos 6 : O Mundo Maravilhoso do Reino Animal





Foram muitas as colecções de cromos sobre animais que houve nos anos 50 e 60 do século passado. Umas mais completas e informativas do que outras e, algumas, quase diria: sofisticadas. Esta colecção "O Mundo Maravilhoso do Reino Animal", apesar de rudimentar, é interessante, sobretudo, pela ingenuidade dos seus desenhos, que até contemplam animais fabulosos e bichos pré-históricos.
A minha colecção está completa, nos seus 192 cromos. É, toda ela, obra de um senhor que dava pelo nome de Júlio Machado S. e que sedeava na Calçada de Santana, nº 34 - 3º, em Lisboa. Data de Setembro de 1953, e a caderneta, que teve um preço inicial de Esc. 5$00 e depois baixou para 4$oo, tirou 5.000 exemplares. Houve um patrocínio, provavelmente: da casa comercial Old England de que se faz publicidade nas páginas interiores. A Introdução à colecção é um encanto... Os desenhos dos animais têm a assinatura de M. Mendonça.
P.S.: para MR, que deve gostar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Adagiário X : animais


1. Doze galinhas e um galo comem tanto como um cavalo.

2. Perdiz derreada, perdigotinhos guarda.

3. Tens um leitão? - Mostra-o ao juíz e dá-o ao escrivão.