Mostrar mensagens com a etiqueta Andy Warhol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Andy Warhol. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Assim vai a arte



Vai longe o tempo em que as obras de arte se adquiriam por gosto estético, por empatia cultural e, maioritariamente, sem ter em conta a eventual valorização do objecto. Hoje, na prática, quase tudo se compra no propósito de investimento e ganhos futuros. Esta serigrafia de Andy Warhol, semelhante a uma série de mais 4 que só diferem nas cores, atingiu um recorde, neste início do século XXI. Representante icónica da Pop Art, ultrapassou o anterior valor máximo de obra de arte, em leilão, que pertencia ao quadro Les Femmmes d'Alger, de Picasso, que também a Christie´s vendera, em 2015, por 170 milhões de euros.
A obra de Warhol foi arrematada por um conhecido galerista norte-americano (Larry Gagosian) e, o único aspecto que eu, subjectivamente, considero positivo, é que o montante apurado na venda será destinado à criação de sistemas de apoio de prestação de cuidados de saúde para crianças e programas educacionais.
Valha-nos, ao menos, isso!

sábado, 5 de abril de 2014

Sobre Arte


Os excertos, que traduzi do francês e irei transcrever, pertencem a uma entrevista que Nathalie Heinich (Marselha, 1955) concedeu ao "Obs." (nº 2577), a propósito do lançamento do seu recente livro "Le Paradigme de l'art contemporain" (Gallimard, 2014). A socióloga francesa e estudiosa de Arte, que tem um trabalho anterior, de referência, sobre a pintura de van Gogh, dá-nos a perceber, de forma simples mas evidente, algumas questões essenciais que estão ligadas à Arte, actualmente.
Não é difícil associar, quando ela refere "as várias dezenas de pessoas que realizam as suas obras", repito, associar e pensar, por exemplo, nas instalações da artista portuguesa Joana Vasconcelos; ou, quando fala do "simulacionismo", nos lembrarmos dos trabalhos do norte-americano Andy Wahrol.
Porque me parecem reflexões importantes e pertinentes sobre a Arte actual, julgo útil partilhá-las e fazê-las constar do arquivo do nosso Blogue. Seguem:

"Temos tendência a usar «arte moderna» e «arte contemporânea» como termos equivalentes, cuja única diferença seria cronológica. É um erro: há tantas diferenças entre a arte contemporânea e a arte moderna como aquelas que existem entre a arte moderna e a arte clássica. Cada uma distingue-se pelas regras de jogo implícitas, que formam aquilo que Thomas Kuhn chamava um «paradigma». Assim, a arte moderna baseia-se na transgressão das regras da figuração clássica (impressionismo, cubismo, surrealismo...). A arte contemporânea, essa, transgride a própria noção de obra de arte tal como ela é normalmente reconhecida. Por exemplo, a obra não será mais feita pela mão do artista mas fabricada por terceiros. O acto artístico não reside já na manufactura do objecto mas na sua concepção, no discurso que o acompanha, nas reacções que suscita... A obra pode ser efémera, evolutiva, biodegradável, blasfematória, indecente. Uma corrente surgida nos anos 80, o simulacionismo propunha até fazer desaparecer toda a ideia de originalidade, porque se tratava de reproduzir com maior exactidão obras já existentes. A arte contemporânea é uma invenção permanente dos modos de experimentar os limites ontológicos (a noção de obra) e morais (a maneira de ser artista). Donde as reacções que suscita."
"...Jeff Koons é um velho comerciante e veste-se com fatos completos e clássicos, contrastando com as calças já coçadas do artista boémio. Ele e Hirst não escondem que ganham muito dinheiro e que também gastam imenso. São empreendedores, com ateliês de várias dezenas de pessoas que realizam as suas obras, e tão depressa encontramos esses dois artistas nas páginas cor de rosa, como nas páginas de revistas culturais. As suas obras situam-se no cruzamento do sensacionalismo com a cultura popular: Hirst expõe uma vitela cortada em duas e conservada em formol, Koons fabrica peluches monumentais. Esta tendência corresponde à chegada ao mercado da arte de novos compradores ligados à financiarização da economia mundial (negociantes, burguesia dos países emergentes). Desde há uma quinzena de anos que se formou uma bolha artístico-financeira que fez com que algumas obras atingissem preços exorbitantes, o que repercute o próprio espírito dessas obras - o quitche, o cinismo, o espectacular. ..."
"... Na arte contemporânea, a personagem central é, com o crítico, o comissário da exposição, uma profissão relativamente recente. O comissário opera para um organismo público - museu, bienal, centro de arte - e as suas escolhas vão permitir que a cotação de um artista cresça exponencialmente." (...) "Os intermediários procuram promover artistas sempre mais jovens, e vêem-se artistas que tiveram desde cedo a sua hora de glória, regressar brutal e rapidamente ao anonimato. (...) Para alguns, a arte contemporânea é uma decepção desoladora e uma caricatura pungente dos caprichos mais pueris da época. Para outros, é, pelo contrário, um instrumento de reflexão fascinante e até mesmo uma catarse saudável e desejável. Quanto à minha opinião pessoal, ela é das mais banais: certas propostas da arte contemporânea parecem-me excelentes, outras, sem qualquer interesse. De resto, é uma das grandes características da arte contemporânea, que é a de obrigar a ter uma opinião, de ser provocadora de opinião. E, isto, é também apanágio da nossa época."


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Roy Lichtenstein


Penso que está enraizada a ideia, pelo menos para mim, em quem vê ou aprecia uma obra de arte, que a sua execução terá de ter, atrás de si, tempo e trabalho - que a justifique.
Uns traços breves, cópias trabalhadas ou retocadas, colagens, à partida, encontram resistências, demoram a ser aceites, quando não são rejeitadas, liminarmente, pelo meu espírito. Ou sentido crítico.
No entanto, quando em 1973, e ao vivo, vi na Tate algumas obras do pintor norte-americano Roy Lichtenstein (1923-1997), pela primeira vez, confesso que fiquei agradavelmente surpreendido.
O penúltimo "Obs." (nº 2542) dá conta, em artigo (ver imagem), da exposição, que tem sido itinerante (Chicago, Londres, Washington), de R. Lichtenstein, no Centro Pompidou. E, por interessante, não posso deixar de traduzir o princípio da crónica de Bernard Géniès. Aqui vai:
"Logo no início dos anos 60, um jovem artista americano tendo acabado de comprar um desenho de Jasper Johns na galeria nova-iorquina de Leo Castelli fica pasmado perante as telas de um desconhecido: Mas eu faço coisas como estas, por influência da publicidade! Não quer vir ver o meu trabalho? É muito diferente mas tem a mesma inspiração! O jovem (tem 32 anos) chma-se Andy Warhol. E a tela que chamou a sua atenção está assinada por Roy Lichtenstein. ..."
Devo acrescentar que prefiro, de longe, as obras de Lichtenstein aos trabalhos de Warhol.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Citações XX : J. W. Goethe



O talento alimenta-se sempre da solidão,
Mas o carácter só por entre as tempestades do mundo.


Johann Wolfgang Goethe (1749-1832).