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sábado, 22 de junho de 2024

Citações CDLXXXVIII

 

O maior mistério não é que nós sejamos atirados ao acaso para entre a profusão da matéria e a dos astros; mas que, nesta prisão, nós consigamos de nós mesmos imagens tão poderosas para negar o nosso nada.

André Malraux (1901-1976), in Les Noyers de l'Altenberg.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A aceleração dos tempos



Ficou célebre, na memória de muitos e da história francesa, o empolgante elogio fúnebre feito por André Malraux, em 1964, aquando do acolhimento simbólico de Jean Moulin no Panthéon, durante o consulado de Charles de Gaulle. Tinham-se passado 21 anos sobre o assassinato de um dos mais importantes chefes da Resistência, até a decisão ter sido tomada, ainda que com ampla justificação.
Robert Badinter (1928-2024), ministro da Justiça responsável pela abolição da pena de morte em França, na presidência de Miterrand, faleceu a 9 de Fevereiro, e cerca de 5 dias depois, Macron anunciava pressuroso a sua próxima entrada no Panthéon francês. Aliás, nos tempos recentes, o número de jazidas tem crescido muito: Simone Veil (2018), Maurice Genevoix (2020), Josephine Baker (2021).
Parece notar-se a necessidade premente de novos heróis, mas, em Portugal, não é muito diferente.
Prefere-se a urgência emocional à serena reflexão sobre os méritos da "panteonização".

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Citações CDXXII

 


Eu vejo na Europa uma barbárie atentamente ordenada, onde a ideia de civilização e a da ordem são quase todos os dias confundidas.

André Malraux (1901-1976), in La Tentation de l'Occident (1926).

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Citações CDXXXVIII



Os intelectuais são como as mulheres, os militares fazem-nos sonhar.

André Malraux (1901-1976), in Les Noyers de l'Altenbourg (1948).

segunda-feira, 14 de março de 2022

Curiosidades 91



Do rei D. Manuel I se dizia que era entroncado, mas tinha o tórax curto e os braços muito compridos, que quase lhe chegavam aos joelhos. Sobre as suas régias mãos não constam as crónicas.
Por diversas vezes, Maria João Pires referiu que o seu repertório evitava Liszt por a pianista portuguesa ter as mãos pequenas e os dedos curtos.
Em Quando os robles também se abatem diz-nos André Malraux (1901-1971) que : "Volto a descobrir, ao apertar-lhe a mão, como as mãos deste homem (Charles de Gaulle), tão grande ainda, são pequenas e finas. Também as mãos de Mao Tsé-Tung, descarnadas, parecem as mãos de um outro." (pg. 20)

quinta-feira, 3 de março de 2022

Uma curiosa epígrafe usada por Malraux



Na abertura de La Tentation de l'Occident (1926), de André Malraux (1901-1976), vem a seguinte inscrição:

Celui qui regarde longtemps les singes devient semblable à son ombre.
                                                                                                                    Proverbe malabar

( Adágio que se poderia traduzir por: "Aquele que contempla durante muito tempo os macacos torna-se semelhante à sua sombra.)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Fantasias



"Os meus planos são feitos com os sonhos dos meus soldados adormecidos." 

(Palavras de Napoleão, referidas em Quando os Robles se Abatem, de André Malraux.)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

3 fragmentos para um massacre


Le XXIe siècle sera religieux ou ne sera pas.

André Malraux (1901-1976).
...
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.

Eugénio de Andrade (1923-2005).
...
Por isso, não mandes perguntar
por quem o sino dobra,
que ele, também, dobra por ti.

John Donne (1573?-1631).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Retrato de Malraux, em palavras


Em Malraux (1901-1976), prefiro "Les voix du silence" a "La condition humaine", ou seja, a sua ficção troco-a, de bom grado, pelos seus pensamentos sobre Arte, em geral. E tive o privilégio de ver, em televisão, vários programas em que ele discreteava sobre temas artísticos. Pesasse embora o facto de ser penoso vê-lo, pelos tiques físicos e esgares faciais que alguma doença nervosa (?) lhe provocou, nos últimos anos de vida.
Por outro lado, e já aqui o disse, aprecio muito os retratos por palavras. Ora, "Le Monde"  de 13/7/12, a propósito do sucesso de "Journal 1918-1933", escrito por Hélène Hoppenot (1896-1990), trancreve o retrato que ela fez de André Malraux. E aqui fica, em tradução despreocupada que fiz:
"Magro e pálido, os olhos bugalhudos, cem por cento cerebral. As palavras, as frases, desarrumam-se na sua boca, os seus gestos bruscos transformam-se num fogo de artifício de tiques e a ginástica mental a que nos obriga, para segui-lo, deixa-nos exaustos, como se depois de uma forte gripe."

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

André Malraux


André Malraux nasceu em França, precisamente, há 110 anos (3 de Novembro de 1901). Da sua obra, escolhemos um pequeno excerto de "La Tentation de l'Occident", traduzido por António Ramos Rosa, para a Livros do Brasil (Colecção Miniatura, nº 159). O livro é constituído por uma troca epistolar entre A. D., francês, de 25 anos, e Ling-W.-Y., chinês de 23. É de uma carta deste último que se transcreve uma pequena parte. Que segue:
"...Nada poderia melhor que os nossos sonhos esclarecer a diferença que separa as nossas sensibilidades. Se sonhamos é apenas para pedir aos nossos sonhos a sabedoria que nos recusa a vida. A sabedoria, e não a glória. «O movimento no sonho», escrevia o senhor. Eu respondo-lhe: a calma no sonho.
Porque o Chinês que sonha torna-se um sábio. O seu sonho não é povoado de imagens. Ele não vê nele nem velhas conquistas, nem a glória, nem a potência, mas a possibilidade de apreciar tudo com perfeição, de não se prender ao efémero, e, se a sua alma é um pouco vulgar, alguma consideração.
Nada o dispõe à acção. Mesmo em sonho... Ele é. Sentir-se respeitado não é imaginar que entra numa sala em que as cabeças se inclinam. É saber que às coisas que lhe são particulares se acrescenta o respeito que ele inspira. Por muito singular que tal possa parecer-vos, o Chinês imagina, se posso exprimir-me assim, sem imagens. É isso que o faz ater-se à qualidade e não à personagem. É por isso que a ideia do mundo, esse mundo que ele não poderia imaginar, corresponde para ele a uma realidade. ...(pgs. 70/71).

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Citações LXX : André Malraux


"O museu separa a obra do mundo "profano" e aproxima-a das obras opostas ou rivais. Ele é uma confrontação de metamorfoses."
André Malraux (1901-1976), in As Vozes do Silêncio

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

André Malraux : pintura, fotografia e cinema


"...Quando a pintura deixou de descobrir novos meios de representação, passou a empenhar-se numa procura delirante e de perseguição do movimento, como se o movimento, só ele daí para o futuro, trouxesse consigo a força persuasiva recentemente anunciada pelos meios de representação conquistados. Mas não era uma descoberta de representação que iria permitir a posse do movimento. Aquilo que se designa por gestos de afogados no mundo barroco, não é uma modificação da imagem, é uma sucessão de imagens; não é estranho que esta arte, toda de gestos e de sentimentos, obcecada pelo teatro, viesse a acabar no cinema.
A «concorrência ao estado civil» foi exercida pela fotografia. Mas, para representar a vida, a fotografia, que em trinta anos passara de uma imobilidade bizantina a um barroco frenético, não tinha feito mais que encontrar de novo, um-após-outro, os problemas da representação. Ela detinha-se onde esta se detivera. E tanto mais paralisada quanto é certo que não dispunha da ficção: se fixava o salto de uma bailarina, por outro lado, não podia fazer entrar os Cruzados em Jerusalém. Ora, desde as feições dos Santos até às reconstituições históricas, a vontade de representação dos homens aplicou-se não só ao que nunca viram como, também, ao que conheciam.
O esforço prosseguido durante séculos para captar o movimento detinha-se, portanto, no mesmo ponto, tanto na fotografia como na pintura; e o cinema, se bem que permita fotografar o movimento, não fazia mais que substituir uma gesticulação imóvel por uma gesticulação móvel. Para que pudesse prosseguir o grande esforço de representação enterrado no barroco, seria necessário chegar à independência da câmara em relação à cena representada. O problema não residia no movimento de uma personagem, mas na sucessão de planos. Ele não foi resolvido tecnicamente, por uma transformação do aparelho, mas artisticamente, pela invenção do «découpage». ..."
André Malraux, in "As Vozes do Silêncio" (pgs. 118/119).