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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Miscelânea (11)


Aqui há uns bons anos, um jornal inglês de esquerda, perguntava na capa, com a imagem de Gerhard Schröder (1944), pouco antes de eleições germânicas, se o leitor era capaz de comprar um carro em segunda mão a este alemão. O dito ex-chanceler ganha, hoje, a vida na Gazprom, e muito bem.
Eu creio que, nessa altura, os reclames apresentavam ainda para bom exemplo indivíduos compostos, às vezes de gravata e fato, sérios, limpos e bonitos. Hoje o paradigma mudou radicalmente de estilo. Quanto mais sujo, descomposto e feio, melhor.



É certo que eu tenho grandes dúvidas que os jovens comprem o jornal Público, pelas capas, habitualmente inestéticas, do suplemento ípsilon, mas os directores devem achar que sim, para persistirem no método, de forma teimosa, para não dizer: autista. Pela minha parte, devo confessar que, do anexo hebdomadário, leio apenas, normalmente, a antepenúltima e penúltima página com os artigos de António Guerreiro e Ana Cristina Leonardo. O resto parece-me palha quase sempre, e da pior.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Citações CDLXXVIII


... o problema não são os medíocres, mas sim o espaço que ocupam.

Ana Cristina Leonardo (1959), in ípsilon de 27/10/2023.


Nota: creio que a jornalista se referia a José Rodrigues dos Santos.

sexta-feira, 31 de março de 2023

Divagações 186



A ípsilon, que já foi um dos suplementos preferidos do meu jornal (já nem é), terá sido objecto, nas palavras do director do diário (ípsilon, tempos de mudança), de alterações (?). Não dei por muito, apenas os articulistas António Guerreiro e Ana Cristina Leonardo passaram das últimas para as primeiras páginas (2 e 3) do referido suplemento. Ou seja, e como se dizia antigamente: vira o disco e toca o mesmo...

Achei porém curiosa a citação que a cronista ACL, e a propósito do cepticismo e distanciamento da idade, refere de uma frase conhecida e realista do realizador, norte-americano de origem polaca, Billy Wilder (1906-2002) que eu não resisto a citar no original: They say Wilder is out of touch with his times. Frankly, I regard it as a compliment. Who the hell wants to be in touch with these times.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Desabafo (67)



Às vezes, talvez por preguiça, abancamos em determinada realidade que, nem de longe nem de perto, coincide com o nosso gosto. Outras vezes, talvez por cansaço ou tédio, desistimos de afrontar a mainstream e o lugar comum que predominam. O esforço - e creio que é um pensamento íntimo - não merece confrontarmos o assunto, pela pequenez da sua importância. Mas sabe bem termos um sinal de alguém alheio que pensa connosco.
A ironia subtil, com que Ana Cristina Leonardo começa a sua crónica ( "Num dos seus momentos menos enigmáticos, escreveu Maria Gabriela Llansol: ...") na ípsilon de hoje, do jornal Público, já me fez ganhar a manhã e encarar o dia com boa disposição.

domingo, 15 de novembro de 2020

Citações CDXLVIII

Preparem-se, porque a citação é longa, ao contrário do que é habitual. E tem como autora uma dissonante ou dissidente (ou demitida?) ex-colaboradora das bem pensâncias directoriais do Expresso, que já tinham posto a andar António Guerreiro por não fazer as delícias tranquilas do leitor-médio do excelso e pio semanário do regime. Aí vai, então, na voz livre de Ana Cristina Leonardo (1959) e da sua crónica na ípsilon, do jornal Público (13/11/2020):

"...Por cá, neste «ano introspectivo» - seja lá o que isso for que a expressão não é minha - as editoras continuam a publicar e muito, apesar da suspeita de que, nesse muito, o que não faltarão são os «cagalhões líricos que por aí andam, passeiam e triunfam» de que falava em tempos um editor infelizmente desaparecido, Vitor Silva Tavares. Auschwitz, por exemplo, mantém-se em alta não só como tema, mas também nos títulos.

Ele há fotógrafos de Auschwitz, tatuadores de Auschwitz, mágicos de Auschwitz, gémeas de Auschwitz, farmacêuticos de Auschwitz, bibliotecárias de Auschwitz, violinos de Auchwitz, bebés de Auschwitz..."


Nota pessoal: nunca será demais falar deste oportunismo nojento e chulo de algumas editoras e autores mercenários. Eu próprio já aqui o tinha feito em 14/10/2020 (Ideias Fixas 59). 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

3 motes para uma causa


Duas transcrições repescadas de há dias:

1.
Este mundo (editorial) definhou. Coisa que Saramago previu, no seu pessimismo ontológico, a propósito da morte do romance. Definhou sobretudo por duas razões, uma paroquial e outra cosmopolita. A paroquial é simples. Os editores começaram a publicar o sabor do mês, a jovem promessa, e os críticos a considerar génio todo o autor ignoto que não lhes ameaçasse a sapiência ou preponderância. O mundo literário povoou-se de nulidades que criaram a sua legião crítica.
Clara Ferreira Alves, in A Seita (Expresso, 7.4.2018).

2.
Estava portanto arrumada, por insuficiente, a hipótese etária, quando me recordo - maldita memória! - de um autor de nome minúsculo que confessou enervá-lo Herberto Helder; "por isso não está neste livro".  E porque o enerva Herberto Helder, a ponto de eliminar do tal livro um texto em que o nome deste aparecia? O motivo veio nos jornais: "...Herberto Helder não era acolhedor. Cheguei a falar com ele por telefone umas duas vezes e até lhe bati à porta - teria uns 26 anos -, e falámos pelo interfone. Não abriu a porta nem me quis receber".
Ana Cristina Leonardo, in Primeiro foram as Padarias, depois foram as Livrarias (Expresso, 7.4.2018).

E, já agora, deixem-me meter a minha colherada!

3. Reparem-me nestes dois "tesourinhos deprimentes" que foram editados, tendo como títulos:

- 25 Gramas de Felicidade,
- O cancro não gosta de beijinhos,  

por duas editoras(?) portuguesas, provavelmente ronceiras e muito mal amanhadas. Mais uma vez, por caridade, evito referir o nome dos autores de tais obras salvíficas.


Querem mais títulos?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Ideias fixas 11


Eu creio que já o disse por aqui: leio com algum atraso o miolo pulp fiction do jornal Expresso. Um bom amigo poupa-me aos miriagramas de lixo anunciante ou inútil que o acompanham. E não faz mal esse atraso de dias com que folheio o caderno principal e a revista que me chegam às mãos. O que lá vem, normalmente, já veio repisado noutros jornais, ou online.
Porque, tirando as crónicas divertidas e delirantes de Ana Cristina Leonardo e as bem informadas e humoradas colunas de Manuel S. Fonseca, o resto, para além do sermão dominical (embora ao sábado) e outras bugigangas, são meras ordens de serviço, muito bem compostinhas, e mera rotina entediante de escreventes núbeis ou serôdios, sem qualquer interesse de maior.
Politicamente correcto, ao pormenor, quem diria que o Expresso já foi um jornal de referência?!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Palavras passadas... mas presentes


"... A verdade é que tenho andado à procura de melhor do que «O Delfim» e não encontro. O facto é que Mestre Aquilino mete num chinelo 90% do que por aí se publica. O facto é que se lê «A Sibila» e não nos apetece mais nada. Tentem ler José Luis Peixoto depois de lerem Camilo. Valter Hugo Mãe depois de Nuno de Bragança. Afonso Reis Cabral depois de Fernando Assis Pacheco. Nuno Camarneiro depois de Dinis Machado (indo mais longe, deixem-me que vos diga que Michael Cunningham é uma chatice, sobretudo depois de Updike). Eu envelheço, a ficção portuguesa infantiliza-se. ..."

Ana Cristina Leonardo, in Atual (Jornal Expresso, de 6/12/14).