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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Antologia 27

 

Os livros antigos pagam liberalmente a quem os atura. Não ha velhice mais dadivosa e agradecida do que a d'elles. Sentam-se comnosco á sombra de arvores, suas coevas, e contam-nos coisas que viram os plantadores das arvores. Nos silencios das noites giadas dos nossos janeiros, elles, que os contam aos centos, aconchegam-se de nós e conversam com o mesmo affecto das tardes estivas, embora o frio lhes esteja orvalhando os pergaminhos das capas. Optimos amigos que nem quando nos adormecem se agastam, e até soffrem ser ouvidos sem ser escutados!

Camilo Castelo Branco (1825-1890), in prefácio de Cavar em Ruinas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Da leitura 63

 


Da antologia Lisboa (Prosa), escolhida por Tomaz Ribas, e do texto de M. Teixeira Gomes (1860-1942) passámos a citar da página 60:

"Na Rua do Tesouro Velho encontrei o Jorge Della Faille. Entrámos na cervejaria Jansen e abancámos no terraço. O Della Faille é de Anvers, terra que eu conheço quase tão bem como a da minha própria naturalidade, e eu tivera ensejo de ver ali o pai, o conde Della Faille, senador, num baile dado pelo governador da província, o barão Ozy. Além disso conhecia-lhe perfeitamente a casa de habitação, ao pé da Igreja de S. Jacques (tão cheia, esta, de recordações portuguesas) e apelidade casa de Santo Inácio por ter sido ali, segundo reza a tradição, que endireitaram a perna quebrada de S. Inácio de Loiola (quebrando-lha outra vez), que ficara torta do primeiro conserto. A fachada da casa, enegrecida pelos anos e pelo clima (e a que religiosamente conservam a pátina) é triste mas harmoniosa e nobre, nas linhas puras da renascença neoclássica flamenga."

com agradecimentos a H. N.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Antologia 26

 

Se porventura eu tivesse de escolher apenas um filme dos que se seguiram à fase do neo-realismo cinematográfico italiano, não hesitaria em optar por Una Vita Difficile (1961), realizado exemplarmente por Dino Risi (1916-2008). Muito bem acompanhado pelos desempenhos de Alberto Sordi (1920-2003) e Lea Massari (1931-2025), artista discreta que trabalhou com os maiores realizadores italianos e franceses. E que eu acabo de saber que faleceu recentemente (23/6), em Roma.

sábado, 21 de junho de 2025

Antologia 25



As Matanças

Mês de Dezembro, na Junça, na casa do Manuel Coelho, lavrador dos mais remediados da povoação e que, por esse facto e por ter numerosa família, mata dois porcos, cada um deles de peso não inferior a oito arrobas. Mal amanheceu, toda a família se pôs a pé, a arrumar, a limpar, a chegar os panelões à fogueira de ramos de tomilho e de giestas com achas de carrasqueira e freixo, o mais novito até, o Augusto, em fralda ainda, a fazer piruetas e a cantarolar no meio da casa. Os porcos, que não comeram a ração última da tarde, grunhem na corte, desconhecedores do mal que os espreita. Afiam-se facas, ajeitam-se estopas para calafetar o buraco mortal da mortal ferida do porco, limpam-se convenientemente alguidares e barrenhões para o sangue, deita-se-lhes uma porção de sal no fundo, vai-se ao sobrado pelo chambaril que há-de suspender pelos jarretes o cadáver, para ser aberto; (...)

Carlos Alberto Marques, in Beira Alta (pg. 157).

terça-feira, 10 de junho de 2025

De antologia...

 


" Somos portugueses porque somos universais e somos universais porque somos portugueses."

Marcelo Rebelo de Sousa (1948), no discurso do 10 de Junho de 2025.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Antologia 24



 " Em Gaza, os pais decidiram escrever o nome dos seus filhos nas pernas deles, com tinta preta e assim, se a família for separada durante um bombardeamento israelita, eles terão alguma esperança de vir a encontrá-los de novo; ou pelo menos terem a possibilidade de identificar os seus corpos."

TLS (nº 6358), in We are the news (pg. 8).

domingo, 2 de março de 2025

Antologia 23



"... O primeiro poema de Nemésio que conheci foi o dos alciões*. Ouvi-o da boca de Manuela Porto, há muitos anos, juntamente com outros que esqueci. Só os alciões, que regressavam cansados da viagem, me ficaram na memória. E nunca nenhuns outros versos do autor de La Voyelle Promise me surpreenderam tanto, me abriram tanta janela para a aventura sempre nova da poesia. Muito diferente daquele sortilégio é A Águia, de Jorge de Sena, escrito em 1970 e publicado postumamente. É um poema de linguagem rigorosa, implacável, dura, a linguagem de grande prosa, mas que serve também a grande poesia:

No olhar verde e vazio de pupilas raiadas
pelo sangue a escorrer do bico para as penas sujas
pardas e grisalhas de um pó excrtementício
que as grossas patas cobre como lama sua...  "

Eugénio de Andrade (1923-2005), in Prosa (pg. 151), Ed. Modo de Ler (2011).


* para quem desconhecer o poema referido, poderá lê-lo no Arpose (20/2/2010): Favoritos IX: Vitorino Nemésio.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Antologia 22

 

Daquilo que conheço, creio que há dois poetas que se abalançaram a falar com propriedade original e sabedoria sobre a criação em poesia. T. S. Eliot (1888-1965), de que registei um pequeno fragmento de texto no Arpose (2/2/2010), e René Char que passo a citar:

"Heráclito põe o acento sobre a exaltante aliança dos contrários. Ele vê neles, em primeiro lugar, a condição perfeita e o motor indispensável para produzir harmonia. Em poesia acontece que, no momento da fusão destes contrários, surge um impacto sem origem definida, cuja acção dissolvente e solitária provoca o delizar dos abismos que trazem de forma tão antifísica o poema. Pertence ao poeta interromper cerce este perigo fazendo intervir, seja um elemento tradicional de razão já experimentada, seja o fogo de uma demiurgia tão milagrosa que anule o trajecto da causa para o efeito. O poeta pode então aperceber-se dos contrários - estes milagres pontuais e tumultuosos -, direccionar a sua linha imanente personificada, poesia e verdade, que, como sabemos, são sinónimos."

René Char (1907-1988), in Fureur et Mystère (pgs. 69/70).

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Antologia 21



Outros locais, outro meio. Mas deixando Fayard pela Gallimard, Simenon não muda de estilo. Ele segue o seu plano.
Seria sobrestimar realmente a influência  de um editor atribuir-lhe um tal poder sobre o mecanismo de criação de um dos seus autores. Principalmente quando este tem a força de carácter e a personalidade de um Simenon, mais inclinado a imaginar a sua obra do que a debruçar-se sobre as teorias da sua escrita. Contrariamente ao que inventaram esses ensaístas muito franceses que as classificações dão como seguras, não há uma época Gallimard, entre a época Fayard e a época Presses de la Cité, como se costuma dizer dos períodos azul ou rosa de Picasso.

Pierre Assouline (1953), in Simenon (pg. 296).

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Antologia 20

 


De Le Crépuscule des Pensées (L'Herne, 1991), de E. M. Cioran, em versão portuguesa:

pg. 92 - Existem olhares femininos que têm algo da perfeição triste de um soneto.

pg. 101 - A palidez mostra até que ponto o corpo pode entender a alma.

pg. 124 - O gosto violeta da infelicidade.

pg. 143 - Há dores cuja desaparição do céu poderia consolar.

terça-feira, 7 de maio de 2024

Antologia 19



Deu-me hoje para reler Ruy Belo (1933-1978), um dos poetas portugueses de que nunca deixei de gostar. Dos sete livros que folheei, fiz uma pequena colheita de dois poemas que aqui deixo registados. Para o lembrar.

Saint-Malo 63

Eu curvo ante a infância a face embaciada

A praça é muito grande para uma criança
Ela estranha as pessoas do jardim,
criança abandonada, limitada vida renascente
e carne e riso
Olhamo-la encher tudo
e vamos cada qual às nossas compras
Já nada em nossos bolsos pesa nem pecados
de novo estamos disponíveis para a primavera
e muito pequeninamente adormecemos

in Boca Bilingue (pg. 21)

O Valor do Vento

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que eu gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

in Homem de Palavra(s) (pg.100)

terça-feira, 26 de março de 2024

Antologia 18



Tenho dúvidas se os livros de Wenceslau de Moraes (1854-1929) serão ainda hoje procurados e lidos. Para quem queira ter uma ideia do Japão antigo, as suas obras serão, no entanto, imprescindíveis. Mas depois dum ressurgimento, merecido, da sua pessoa devido ao diplomata Armando Martins Janeira (1914-1988) e da reimpressão dos seus livros, nos anos 70 do século passado, pela Parceria A. M. Pereira, creio que o escritor terá entrado num certo limbo de apagamento.
Para contrariar um pouco esse esquecimento, vou aqui deixar um pequeno extracto pitoresco repescado duma antologia organizada por A. M. Janeira para a Portugália Editora , em 1971. Segue (pgs. 198/9):




"Eu tenho aqui um galo e três galinhas, de raça anã, vulgar neste país (Japão); quase do tamanho de pombos. Nem eu poderia passar sem ouvir, todas as madrugadas, cantar o galo, em minha casa. Porquê? Difícil de explicar. Um sentimento herdado, presumo. O cantar do galo sugere-me miragens de um mundo de delícias - alacridades campesinas, alegrias de aldeia, vida serena no lar, com esposa e muitos filhos... - Eu devo ter tido algum remoto avô, que nunca viu o Oceano, que nunca sonhou com viagens e em países de exotismo, que viveu feliz na sua aldeia, rodeado de família, entretido na lavoura, escutando o boi de trabalho mugir cerca, os cães de guarda em seus latidos, os galos a cantarem; e dessa orquestra rústica de vida simples, enlevo do velho parente ignorado, ficou-me, talvez, o amor pelo cantar do galo, ao alvorecer."

sábado, 30 de dezembro de 2023

Antologia 17



O mérito da entrevista no suplemento ípsilon do jornal  Público, de ontem (29/12/2023), é sem dúvida do poeta Manuel de Freitas (1972), mas não deixa de ser atribuível também à boa e inteligente arquitectura das perguntas do entrevistador - Luís Miguel Queirós (1962). O tema fundamental debatido é a poesia portuguesa. Dos sublinhados que fiz, ao ler este trabalho, vou transcrever uma pequena selecção que reflecte opiniões subjectivas, mas algumas das quais não deixaria de subscrever eu próprio, pessoalmente. Aqui vai a "antologia", com algumas respostas parciais de Manuel de Freitas:

"Ou seja, estive 11 anos a procurar editor. Tentei os que já conhecia pessoalmente, mas também outros que admirava - a & etc., a frenesi, a Assírio & Alvim, com o Manuel Hermínio Monteiro - e, ninguém mostrou interesse suficiente."
...
"O caso de Nuno Júdice é paradigmático. A (minha) antologia (Poetas sem Qualidades, 2002) era contra essa poesia autocomplacente, bonitinha, com uma retórica a toda a prova, mas que pouco ou nada tinha para dizer."
...
"A Fiama (Hasse Pais Brandão), por exemplo, não acho que seja uma má poeta, mas aquilo não era o que eu queria escrever. (...) Acho que hoje há muito pouca autocrítica. A pressa de publicação e reconhecimento está a ser perniciosa para alguns poetas."
...
"Quando tinha 17 anos, Ruy Belo era um dos meus poetas. Depois comecei a ver ali muitos truques retóricos e a achar aquilo um pouco maçador. (...) Claro que há também poetas que foram subvalorizados, como o Assis Pacheco, que é, sem dúvida, um dos grandes poetas portugueses do século XX."
...
"Nunca dependeu de mim escrever um poema, e mesmo os livros vão surgindo de coisas que preciso de resolver, de memórias que preciso de resgatar."

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Antologia 16





De Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987), transcreva-se, a propósito de culinária brasileira: 

"Do traço importante de infiltração de cultura negra na economia e na vida doméstica do brasileiro nos resta acentuar: a culinária."
...
"No regime alimentar brasileiro, a contribuição africana afirmou-se principalmente pela introdução do azeite dendê e da pimenta malagueta, tão característicos da cozinha baiana; pela introdução do quiabo; pelo maior uso da banana; pela grande variedade na maneira de preparar a galinha e o peixe. Várias comidas portuguesas ou indígenas foram no Brasil modificadas pela condimentação ou pela técnica culinária do negro, alguns dos pratos mais característicamente brasileiros são de técnica africana: a forofa, o quibebe, o vatapá."
(pg. 431)
...
"Desses tabuleiros de pretas quituteiras, uns corriam as ruas, outros tinham  seu ponto fixo, à esquina de algum sobrado grande ou num pátio de igreja, debaixo de velhas gameleiras. Aí os tabuleiros repousavam sobre armações de pau escancaradas em X. A negra ao lado sentada num banquinho.
Por esses pátios ou esquinas, também pousaram outrora, gordas, místicas, as negras de fogareiro, preparando ali mesmo peixe frito, mugunzá, milho assado, pipoca, grude, manuê; e em S. Paulo, que nos fins do século XVIII se tornou a grande terra do café, as pretas de fogareiro deram para vender a bebida de sua cor a « dez réis a chícara acompanhada de fatias do infalível cuscuz de peixe, do pãozinho cozido, do amendoim, das pipocas, dos bolos de milho sovado ou de mandioca, ..."
(pg. 433).

segunda-feira, 20 de março de 2023

Antologia 15



Sobre criação literária, refere Graciliano Ramos (1892-1953):

" Afirmavam-me não ser difícil percorrermos um texto, aprendendo a essência e largando o pormenor. Isso me desagradava. São as minúcias que me prendem, fixo-me nelas, utilizo insignificâncias na demorada construção das minhas histórias. Aquele entendimento rápido, afeito a saltos vertiginosos e complicadas viagens, contrastava com as minhas pequeninas habilidades que pezunhavam longas horas na redacção de um período. Julguei Sérgio isento de emoção, e isto me aterrou. Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões. "

Graciliano Ramos, in Memórias do Cárcere (pg. 206).

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Antologia 14



...
Arriei perto, senti a maciez fofa dos panos: aquilo parecia colchão. Ignoro se veio comida, suponho que todos ficaram sem alimento. De cócoras, deitados, zumbiam à luz fraca da lâmpada muito alta. Exposição humilhante era a sórdida latrina, completamente visível. Sobre o vaso imundo havia uma torneira; recorreríamos a ela para lavar as mãos e o rosto, escovar os dentes. As dejecções seriam feitas em público. A ausência de porta, de simples cortina, só se explicava por um intuito claro da ordem: vilipendiar os hóspedes. Nem cadeiras, nem bancos, inteiro desconforto, o aviltamento por fim, a indignidade. Alguém teve ideia feliz: conseguiu prender uma coberta em frente à coisa suja, poupou-nos a visão torpe. Isso nos deu alívio: já não precisávamos fingir o impudor e o sossego de animais.
...

Graciliano Ramos (1892-1953), in Memórias do Cárcere (pg. 175).




 

domingo, 25 de dezembro de 2022

Antologia 13



Da escritora goesa Vimala Devi (1932), inserto no volume 12 (capa em imagem) da Antologia da Terra Portuguesa (Bertrand), citando, sobre o Natal em Goa, nas páginas 196/7, transcreve-se:

"O habitante de uma grande cidade, acostumado a multidões serpenteando por entre armazéns, lojas e pastelarias, na lufa-lufa de compras, de olhos arregalados para as montras repletas de brinquedos, doces e bugigangas, achará decerto o Natal de Goa muito monótono."
(...)
"Também em Goa, pobres e ricos, muito portuguêsmente, fazem presépio. Certas famílias, com alguma antecipação, semeiam nachinim, cereal que grela rapidamente em terra espalhada sobre uma pequena tábua. Quando as folhinhas começam a aparecer, formam um tapete verde, sobre o qual é armado o presépio de palha.
Ao contrário da Europa e da América, em nenhum lar goês se vê árvore de Natal. Por essa mesma razão, não há o costume de trocar presentes entre parentes e amigos. Durante toda a minha infância em Goa nunca recebi nem dei uma prenda de Natal. No entanto posso afirmar que, se alguma vez senti o verdadeiro simbolismo desse dia, foi precisamrnte aí."
(...)

domingo, 6 de novembro de 2022

Antologia 12

 


Romã

Há fruta cujo paladar desloca
a sede habitual de experiência.
A língua sabe. Mas analisa a ciência
num sal de exílio e de saliva. A boca

conserva só esse fulgor sombrio
de sílabas pensadas e que têm
a dor aguda dum rubi, refém
do pomo aonde se esmiúça o brilho.

Ou se trata do fruto em que a pupila
se apalata minúsculo. Rutila
em seu culto indiviso e mineral.

Ou agrupa a romã sua conquista
na glória funda de estar sendo vista
estilhaço de sapiência palatal.


Fernando Echevarría (1929-2021), in Poesia, 1980-1984 (pg. 453).

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Antologia 11



A mesa do café move-se objecto
celeste cujo brilho
além da área augusta do silêncio,
leva essa mão sem sítio.
Mão de ninguém. Só membro
do sonolento ofício
de escrever arrabaldes ao silêncio
que a mesa leva para um futuro antigo.


Fernando Echevarría (1929-2021), in Poesia, 1980-1984 (pg. 316).

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Antologia 10



6ª lição

A nós nos lemos quando estamos lendo
na habitual penumbra desta sala.
(...)

Fernando Echevarría. in Poesia, 1980-1984.