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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Portugueses, segundo Antonio Tabucchi (1943-2012)


Há nos portugueses, um veio pícaro forte, um escárnio sempre presente, uma maldadezinha, um tom mais baixo, rabelaisiano.

Antonio Tabucchi, em entrevista (2000) a Maria João Seixas.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Hábitos, escolhas e expectativas


Todos os anos, pelo mês de Dezembro, o TLS pede a um grupo alargado de escritores, académicos e outros intelectuais que indiquem os livros que mais gostaram de ler, nos doze meses anteriores.
É sempre com grande expectativa que eu percorro as listas dos escolhidos, em busca de um nome familiar e português, que tenha sido eleito, no conjunto das traduções feitas para a língua inglesa.
Julgo que apenas uma vez fui recompensado, ao verificar que George Steiner optara pela tradução de "A Viagem do Elefante", de José Saramago, livro que mais tarde viria a ser galardoado pela excelente tradução.
Este ano, tive uma meia compensação grata. Karl Miller (1931) escolheu um português de adopção: Antonio Tabucchi (1943-2012). E o livro "Pereira maintains" (Canongate), tradução do romance "Afirma Pereira" (1993), cujo enredo decorre em Portugal, nos anos do salazarismo.

domingo, 25 de março de 2012

Salão de Recusados XLII


Teve algum nome e era falado, nos anos 50 e 60 do século passado, este poeta, António de Sousa, nascido no Porto em 1898, e que veio a falecer, quase em clausura, após a morte da Mulher - ao que dizem -, em Oeiras, no ano de 1981. Pertenceu ao movimento literário da Presença, publicou vários livros e traduções, colaborou nas revistas Vértice e Seara Nova.
Em jeito de epígrafe de "Livro de Bordo", o amigo Vitorino Nemésio dedicou-lhe dois poemas, e diz num deles:

Agora, amigo, a morte
Só tem de separar
O que nos nega a sorte
Do que Deus apurar.

António de Sousa está hoje esquecido. São ínvios os caminhos da eternidade literária e as selectas têm de ser restritas, com usura, na memória dos nomes que retêm. Talvez com alguma premonição do esquecimento, António de Sousa escreveu:

Meu coração - velha sanfona rouca -
tudo o que diga é um luar vencido.
O mel de amor amarga-me na boca
e a minha vida é um caminho ido.

Mas a luz não se acaba neste sono,
e a manhã tem a graça do menino.
Que eu chore o meu romance de abandono
- o que importa aos destinos do Destino?

Nota pessoal: faleceu, hoje, com 68 anos, em Lisboa, o escritor Antonio Tabucchi, nascido em Pisa, no ano de 1943. Amigo de Portugal e dos portugueses, o seu desaparecimento é uma grande perda, para nós.