Acabei de ler recentemente "Rencontres avec René Char" (ed. José Corti, 1991) de Jean Pénard. Com imenso agrado. É um livro em que um amigo fala, também, sobre a velhice de outro amigo: as debilidades físicas, o sofrimento pela morte do gato Tigron (que morreu 3 anos antes de Char), o regresso memorial à infância, o amor (já) saudoso pela Natureza, algum desânimo...
Retive algumas ideias de Char (para lá da minha surpresa do Poeta não gostar nada de J. L. Borges), retransmitidas por Pénard. Aqui vai, partilhando, em tradução, um pensamento de René Char:
"Não há poetas sem delírios. Alimentámo-nos deles, dominando-os. O nó do problema é o de saber quem vai ganhar, o poeta ou o delírio. Se o delírio domina temos Hölderlin, Nietzsche, Artaud e tantos outros em pintura, em música, ainda com algumas fulgurações, mas fulgurações enlouquecidas."