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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Idiotismos 45


Ora, hoje, que se anunciam para o almoço jaquinzinhos, pus-me a pensar se a alcunha se deve a algum Joaquim com que fossem parecidos esses carapauzinhos pequenos, a exemplo dos Oscares de Hollywood, que assim foram crismados por a bibliotecária da Academia, Margaret Herrick (1902-1976), ter achado a estatueta do prémio, em 1931, muito parecida com o seu Tio Oscar. A história correu mundo e assim lhes ficou o nome.



Petinga fia mais fino. Que é sardinha miúda, sabem-no todos, mas donde lhe virá o nome?
Diz Houaiss, referindo Nascentes, que provirá do tupi (pe'tinga), com significado de pele branca.  Morais já antes o tinha referido, acrescentando que, no Brasil, a esse peixinho pequeno lhe chamavam: petitinga. E mais não disse o estudioso da língua portuguesa.
Por isso, nós, simples ignorantes, teremos de nos ficar por aqui.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Idiotismos 24


Não posso dizer que tenha sido grande apreciador do Latim, nos cerca de dois anos em que o frequentei e estudei. Mas, com a idade, deu para perceber que esses rudimentos me foram e são de alguma utilidade, sobretudo, para entender a genealogia de algumas palavras portuguesas.
Está em causa, hoje, a expressão popular: não perceber patavina. Que tem um significado próximo de: não entender nada. Mas o busílis reside, fundamentalmente, na palavra - patavina. Que um dicionário banal regista como coisa nenhuma. Coisa pouca, para se entender...
Mas Antenor Nascentes, no seu Dicionário Etimológico, vai mais longe, explicando que patavina vem de Pádua (em latim, Patavium). Ora, o historiador Tito Lívio (59-17 a. c.), nascido nessa cidade, usava, nos seus escritos, muitos regionalismos de Pádua (patavismos) que tornavam a compreensão dos seus textos complicada, para quem não fosse da região. Criticavam-no por isso porque, muitas vezes, os leitores não percebiam patavina...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Adagiário CXXXI : Bigodes


1. Bigode de homem não se corta.
2. Viva quem tem bigode, quem tem cavanhaque é bode.

Nota pessoal: este cavanhaque do rifão deu-me água pela barba, se assim se pode dizer... No Torrinha, nada. Fui ao Morais, e nada consta, no Lacerda, idem. O Caldas Aulete também não regista. Salvou-me o Antenor Nascentes (Dicionário Etimológico, R. de Janeiro, 1932) que anota: "de Cavaignac, nome de um general francês". Ora este francês bigodudo, de nome Louis-Eugène Cavaignac (1802-1857) foi primeiro-ministro e Governador-geral da Argélia. E tinha, como se pode ver pela imagem, um bigode farfalhudo que justifica, amplamente, o ditado... 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Idiotismos 13


Algo documentada, desde há muito, em obras literárias, a expressão ir bugiar ou mandar bugiar significa mandar à fava ou, mais literalmente, mandar pentear macacos, como refere Alexandre de Carvalho Costa, na sua obra já aqui referida. No fundo, uma forma mais extremada de dizer: Não me aborreças!
Parece que a expressão terá tido origem em Bougie (Argélia), onde os espanhóis, quando lá aportaram teriam visto muitos macacos. Foi esta terra do norte de África que Teixeira Gomes escolheu para exílio, e lá acabou por morrer.
Mas, e voltando ao princípio, a expressão já aparece na Ulysipo, de Jorge Ferreira de Vasconcelos:
 Vai, vai Joana bugiar,
não andes no alparvado.
E Gil Vicente usou-a também, no Auto de Mofina Mendes:
Senhora não monta mais
semear milho nos rios.
Que queremos por sinais
meter coisas divinais
na cabeça dos bugios.
Porque, classicamente, bugio é uma classe de macacos. Muito embora já tenha visto o vocábulo utilizado para significar rochedo, no meio das águas. E no feminino (bugia) valha, também, por pequena vela de cera, ou griseta.
Antenor Nascentes lembra que o étimo do nosso bugiar talvez possa ter origem comum ao do verbo italiano bugiare - dizer mentiras. Custa-me a aceitar. Mas seja como for, a expressão está ligada a macacos e, sobre isso, não há dúvidas.
A propósito, já agora, pergunta-se porque chamaremos nós, Forte do Bugio, à pequena fortaleza, com farol, na Barra do Tejo? Com planos mandados fazer, ainda no reinado de D. Sebastião, mas só edificada no tempo de Filipe I, foi instalada na ilhota de Cabeça Seca. Inicialmente denominado por Forte de S. Lourenço, o povo crismou-o, para sempre, como Forte do Bugio (do macaco?).