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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Idiotismos 39


A fazer fé naquilo que afirma António Thomaz Pires, no seu Origem de várias locuções, adagios... (Elvas, 1928): "Os turcos cumprimentam-se uns aos outros, com : SALAMALAI KOM (a saúde vos acompanhe); destas palavras árabes veio a palavra salamaleque."
Actualizadamente, a expressão correcta será Salaam Aleikum, traduzível por: a paz esteja convosco. E a adaptação ao português, ou corruptela fazer salamaleques vale por um tratamento cortês algo exagerado.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Idiotismos 38


Essa história que colhi de António Thomaz Pires, da obra já por aqui anteriormente citada, tem a sua graça algo insólita. A expressão idiomática, que dela resultou, é a ver em que param as modas e a sua origem virá duma anedota sobre um louco que andava nu pela rua, justificando-se junto das pessoas com o facto de que pretendia ver em que ficavam as modas, até resolver vestir-se...
Quanto ao idiotismo levar uma sarabanda, reporta-se a uma dança espanhola de ritmo animado e muito praticada nos finais do séc. XVI. Pode ver-se a sua execução no vídeo que encima este poste.

sábado, 8 de outubro de 2016

Bibliofilia 147


Palavras e nomes há que servem uma geração ou duas, e depois desaparecem para sempre, ou porque a necessidade do seu uso já não se faz sentir. ou porque a história que lhes deu origem deixou de ter interesse ou foi esquecida. Vemos assim expressões estranhas em textos de Gil Vicente, Francisco Manuel de Melo ou até mais perto de nós, em poemas de Tolentino, de que não sabemos o exacto significado. Alinhemos alguns mistérios:
1. Saiu-lhe o gado mosqueiro.
2. Andar à bambalhona.
3. À  Chomberga.
4. Não ter onde embrulhar cinco réis de cominhos.
5. Fala francês como uma vaca espanhola.
Pois estas 5 e muitas outras mais expressões curiosas encontram-se explicadas, convenientemente, em Origem de varias locuções, adagios, anexins, etc. (Elvas, 1928), de António Thomaz Pires (1850-1913), pequeno volume que, lindamente encadernado, adquiri recentemente e por bom preço. Valeu bem a pena, pois tenho aprendido muita coisa, por ele.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Idiotismos 37


O Dicionário de António Morais da Silva (Livros Horizonte, 1980) regista (pg. 335, vol. V) tramontana como: vento norte; estrela polar...
E António Thomaz Pires, no seu Origem de várias locuções..., já por aqui citado, refere a propósito: "Na antiga navegação, ainda no século XIII, chamava-se tramontana à estrela polar, por onde se orientavam os marinheiros" que, quando a perdiam de vista, se dizia: perdeu a tramontana.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Idiotismos 36


Na rubrica Idiotismos (nº 7, de 5/12/2012), abordei a expressão cortar na casaca. Por essa altura, e por associação de ideias, em parceria com um amigo, tentámos descobrir, também, a origem e razão da expressão virar a casaca que, de uma forma geral, se aplicava a pessoas que se adaptavam a novos tempos, mudando de opinião, partido e modos de ser, para melhor aproveitarem e se servirem de novas conjunturas políticas. João Abel Manta (1928), muito inspiradamente, pouco depois do 25 de Abril, num cartoon muito sugestivo (em imagem, a encimar este poste), exemplificou de forma humorística, os viracasacas, oportunistas que, tendo servido o antigo regime com devoção, se tentavam integrar, disfarçadamente, na nova ordem democrática.
Mas nem o meu amigo nem eu, nessa altura, conseguimos deslindar o mistério da origem do virar a casaca. Recentemente, porém, no livro Origem de várias locuções, adágios, anexins, etc. (Elvas, 1928), de António Thomaz Pires (1850-1913), preto no branco, tudo era explicado claramente. Acontece que Carlos Manuel (1562-1630), duque de Sabóia, tinha um carácter dúplice e oportunista, que o fazia apoiar ora a Espanha, ora a França, na guerra em que os dois países andavam envolvidos. Consoante os benefícios que, daí, poderia colher. E para não ter que mandar fazer duas fardas de cores diferentes (branca, cor da França, e vermelha de Espanha) mandou fazer um casaco branco por um lado e vermelho, do outro. Podendo assim igualmente servir dos dois lados, e ambos os países inimigos, conforme fosse a ocasião e opção escolhida. Assim se começou a usar a expressão: virar a casaca.

para A. de A. M., afectuosamente.