Mostrar mensagens com a etiqueta António Sérgio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Sérgio. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Divagações 196



Pouca gente hoje, mesmo da élite cultural diminuta nacional, fará a menor ideia da grande influência ideológica que António Sérgio (1883-1969), durante a segunda metade do século XX, exerceu sobre uma boa parte da esquerda portuguesa.
Assisti na RTP Memória, há pouco, a um programa, bem feito, sobre este ensaísta, com testemunhos interessantes de Vasco da Gama Fernandes, Raul Rêgo, João de Freitas Branco, A. José Saraiva, mas podia lembrar também a reverência intelectual que Mário Castrim lhe dedicava, como pude verificar, pessoalmente.
Era ontem. Hoje, quem sabe de António Sérgio?

domingo, 8 de maio de 2011

Leituras Antigas XXXII : Clássicos para crianças


Leitores de hoje foram-no, ontem, na maior parte dos casos, também (ainda crianças ou adolescentes), leitores destas adaptações de grandes obras clássicas, publicadas pela Livraria Sá da Costa. As novelizações ou adaptações em prosa foram feitas por António Sérgio, Aquilino Ribeiro, João de Barros e Marques Braga. As capas e ilustrações nas páginas interiores pertenciam a Alberto de Sousa, Emérico Nunes, Martins Barata, J. Pedro Barata, e eram muito sugestivas. Os livros começaram a ser publicados nos anos 40 do século passado, mas ainda hoje são reeditados pela Sá da Costa, onde se podem comprar. Eram um óptimo veículo intermédio para uma criança, quando já adulto, vir a interessar-se e aceder aos textos clássicos originais.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

República : (2) Perspectivas e razões - Oliveira Martins


Na sua pequena brochura "Bosquejo da História de Portugal", editada pela Biblioteca Nacional (2ªedição, 1923), António Sérgio (1883-1969) socorre-se de palavras de Oliveira Martins (1845-1894), para sintetizar alguns erros da Monarquia. Assim:
"...uma sociedade vivendo de recursos estranhos ou anormais, e não do fruto do seu trabalho e economia. Porque enquanto o scenário do fomento dava a Portugal a aparência de um país rico, o facto é que a balança económica acusava um deficit sempre crescente e de alcance inverosímil quasi. Como se sustentava, pois, o castelo português? De um modo simples: 1º, suprindo a escassez do trabalho interno pelos subsídios oficiais, salariando a ociosidade e pagando-a com o produto de empréstimos; 2º, saldando anualmente a conta económica da nação com a exportação de gado humano. Outrora vinham quintos do Brasil para o tesouro, hoje veem saques para particulares. ..."

sábado, 2 de outubro de 2010

Jorge de Sena e as suas "Dedicácias"


Há uma ideia que se perpetuou, grandemente, a propósito de Jorge de Sena (1919-1978). É a de que era um homem agressivo, de mau feitio e pouco conciliador. Eu tenho, no entanto, uma opinião diferente. Baseio-me nos poucos dados pessoais de que disponho, e no testemunho de Eugénio de Andrade que o conheceu bem. Penso que era alguém que, tanta vez atacado injustamente (por vezes, de forma encoberta e sinuosa), criou uma estratégia inteligente de defesa prévia e um espaço, em volta, que lhe permitia ter tempo e modo de contra-atacar, pensada e engenhosamente. E aí, sim, era, por vezes, agressivo.
Como me preocupo, já, muito pouco com as modas e novidades literárias - que deve ser uma obrigação e dever da Juventude -, só ontem dei pela saída da segunda edição das "Dedicácias" (Março de 2010). Em relação à 1ª edição (1999), vem acrescida do discurso da Guarda, onde Jorge de Sena pronunciou, como convidado oficial, uma exposição de ideias sobre Camões e sobre o dia de Portugal - que eu ouvi, na altura, mas nunca mais tive oportunidade de ler, posteriormente. Comprei, por isso, esta segunda edição da editora Guerra e Paz.
Num folhear ligeiro, apercebo-me de que não consta da obra, pelo menos, o poema de "escárnio e maldizer" dedicado a Alberto de Lacerda. Aliás, Mécia de Sena diz-nos, na Nota Prévia, que faltarão 7 dedicácias...
Transcrevo de "Dedicácias" um dos poemas menos ácidos de Jorge de Sena, em que se refere a Rodrigues Lapa, António Sérgio e Charles S. Boxer.

História Trágico-Marítima

Lapas e Boxers eminentes, Sérgios racionais,
com que prazer glosais erros e culpas
que às naus as afundaram
na carreira das Índias!
Dos carpidores ecoais todas as queixas
de Velhos do Restelo. O que quereis?
Que nada se afundasse
e o império fosse rico?
Ou que ninguém jamais o navegasse
senão entre Coimbra e Celorico?

domingo, 14 de março de 2010

Bibliofilia 9 : António Sérgio



Sobre o pequeno livro "O Navio dos Brinquedos" de António Sérgio (1883-1969), nada melhor que o texto exemplar de Raul Rêgo (1913-2002) que o situa e descreve, e que reproduzimos do "Diário de Notícias" de 1/9/1983; quanto à história de como me veio parar às mãos, é outra coisa... Nessa noite chuvosa de Dezembro de 1976, assisti a um dos últimos leilões tipo-"ancien régime" ( que dava direito a café - começava às 21,30hrs. - e, depois, aguardente velha ou whisky, à escolha), na Afra Filhos, ali, na esquina da Av. Duque de Loulé com a Praça José Fontana, em Lisboa. Estava muito pouca gente e os preços quase estavam a saldo.

Comprei 3 lotes. O primeiro adquirido, "Cidade Triste e Alegre" de Victor Palla e Costa Martins, dei-o, aqui há uns anos, ao meu filho mais velho, por razões de maior afinidade dele que minha, com o livro; custou-me, na altura, Esc. 253$00 (cca. euros 1,25) e o último que se vendeu em leilão, há poucos meses, atingiu o preço de euros 800,00. Saíu, entretanto, uma reedição.

A terceira compra (lote 369) foi "O Navio dos Brinquedos", de António Sérgio, que justifica este "post". Estava e está danificado , sobretudo, no canto superior direito, mas tem boas margens e texto completo e não afectado. Custou-me Esc. 17$30, ou seja, euros 0,90. Parece ridículo, mas em 1976, daria para almoçar, razoavelmente.
Nota: na foto reproduzida, António Sérgio está ao centro, Aquilino Ribeiro à direita, e Ferreira de Castro encontra-se à esquerda.


P. S. : para MR, pelas mais óbvias razões, cordialmente.