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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Bibliofilia 149


Não é fácil acompanhar a vida passada ou monografias de antigas revistas portuguesas. Muitas delas com vida breve ou efémera deixam habitualmente um rasto ténue.
Desta revista de cultura portuguesa Rumo, dirigida por Mário de Albuquerque (1898-1975), que foi professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, ter-se-ão publicado 6 números no ano de 1946. Que, muito bem encadernados, vi à venda, num catálogo de alfarrabista, por 250 euros, recentemente. Números soltos, brochados, podem adquirir-se à volta de 10 euros, em média.
De pendor conservador e com colaboradores simpatizantes do Estado Novo, a revista abordava a filosofia, economia e também temas literários. O número 1, que possuo e surge em imagem, tem capa de Manuel Lapa. De destacar, entre a página 100 e a 101, um extra-texto com um belíssimo retrato, a lápis, do poeta Afonso Lopes Vieira (1878-1946), executado pela multifacetada artista Alice Rey Colaço (1892-1978). O desenho está datado de S. Pedro de Muel, e do Verão de 1947(?).

No C. V. do poeta Ruy Belo (1933-1978) surge, por volta dos anos 60, a indicação de que teria sido chefe de redação da revista Rumo (ressurgimento?); de 1958, na mesma revista (?) há também referências à colaboração de António Quadros (1923-1993).


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Traduzir Camus


Para quem tiver um mínimo de experiência em traduções, será fácil perceber que, muitas vezes, é bem mais difícil encontrar a palavra exacta de substituição do que perceber o sentido de uma frase, e traduzi-la quase fielmente para outra língua. Tanto em prosa, como em poesia.
A propósito da terceira (?) tradução para inglês do romance "L'Étranger", de Albert Camus, uma recensão crítica favorável, de Shaun Whiteside, no TLS, aborda a questão da tradução de Sandra Smith, para a Penguin, bem como algumas questões e dificuldades daí derivadas. Vamos ao concreto, com exemplos comparativos, considerando também a tradução que António Quadros fez, para a Livros do Brasil (Colecção Miniatura, nº 48). Assim começa o romance:
- "Aujourd'hui, maman est morte." (Texto original de Camus, em francês)
- "My mother died today." (Tradução de Sandra Smith, para inglês)
- "Hoje, a mãe morreu." (Versão portuguesa de António Quadros).
Nos dois casos de tradução, verifica-se uma fuga à familiaridade do vocábulo "maman" (que, usando de secura, seria: mère), original, para uma objectividade mais fria e impessoal: mother (em inglês) e mãe (em português). Terá sido o mais correcto e justo? - é o que me pergunto. Até porque, na versão inglesa de Sandra Smith, ao longo do romance, a tradutora irá usar, várias vezes: Mama. E o TLS regista que, nas anteriores traduções inglesas, se teriam usado as palavras mum e mom, acompanhando mais fielmente essa tal familiaridade que Camus usou.
Dir-se-á que são problemas de "lana caprina", estes, que aqui levanto. Mas penso que são estes pequenos casos que podem fazer toda a diferença entre uma boa e uma menos boa tradução.