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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Lembrete 9 (com algumas divagações despropositadas)


Em Agosto, é recorrente: lembro-me sempre de férias passadas. Normalmente, à beira-mar. E da procissão de Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto), a que se seguia um foguetório intensíssimo, que durava, no mínimo, 20 minutos. Os foguetes eram lançados de vários barcos engalanados, do mar da Póvoa de Varzim, nesta data festiva. Paga de milagres de salvamentos, em perigos de mar. Mas o que nunca esqueci e, na altura, adorava ver e ouvir, era um mesário da confraria que, ladeando o andor da Virgem, e com a sua bolsa de veludo para as esmolas, lançava um pregão velocíssimo e tonitroante: "Quem se lembra, com a sua esmola misericordiosa, para Nossa Senhora da Assunção?!"
E, hoje, dei-me a pensar em: quem se lembrará de António Maria Lisboa? Que nasceu, precisamente, a 1 de Agosto de 1928, e foi uma espécie de D. Sebastião, para os surrealistas portugueses. Obra curta, como lhe foi a vida (morreu a 11 de Novembro de 1953), poemas e prosa um pouco crípticos, mas interessantes. Ergueram-lhe altares, hoje desfeitos - creio. Por isso, aqui o decidi lembrar, agora, através duma obrinha pouco frequente (ver imagem), que foi editada, postumamente, por Mário Cesariny de Vasconcelos, em 1958. O meu exemplar terá sido oferecido, pelo editor, a Artur Portela Filho. Daí a dedicatória manuscrita.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Surrealista, e esquecido - António Mª. Lx. (1928-1953)


H

Sei que dez anos nos separam de pedras
e raízes nos ouvidos

e ver-te, ó menina do quarto vermelho,
era ver a tua bondade, o teu olhar terno
de Borboleta no Infinito

e toda essa sucessão de pontos vermelhos  no espaço
em que tu eras uma estrela que caiu
e incendiou a terra

lá longe numa fonte cheia de fogos-fátuos.


António Maria Lisboa, in Ossóptico e outros poemas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Salão de Recusados XVIII : Crianças



1. - ...Mas as crianças, Senhor
porque lhes dais tanta dor?
porque padecem assim?...

Augusto Gil (1873-1929).

2. - É tão bom ser pequenino,
ter mãe, ter pai, ter avós,
ter esperança no destino
e ter quem goste de nós. ...

João Linhares Barbosa (1893-1965)

3. - Varech

Eu estimo sobretudo os teus olhos incolores
as tuas mãos inúteis, a tua boca verde
Eu falo somente dos relógios caídos, dos autocarros
Eu falo somente dos pés vermelhos
Eu falo... eu falo... eu falo...
No vigésimo século as nuvens são árvores
e os pássaros mais pequenos grandes paquidermes

Sim, é verdade, os cabelos loiros
Então, meia noite!
Senhora, se me dá licença, este dia acabou
por este dia simplesmente

A criança é porca, é inútil
Muito obrigado...

António Maria Lisboa (1928-1953).