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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Livrinhos 15


De diferentes proveniências, os voluminhos têm, por sua vez, diferentes encadernações, mas completam-se e integram toda a obra poética e de teatro de António Ferreira (1528-1569). Constituem a terceira impressão do advogado e poeta conimbricense, editada pela Typographia Rollandiana, em 1829, em formato de bolso. Têm as dimensões de 10 por 7 centímetros  - daí caberem nesta rubrica.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Favoritos L : D. Pedro I



Chamaram-lhe o cru ou o justiceiro, consoante a perspectiva. D. Pedro I, que nasceu a 8 de Abril de 1320, foi um rei controverso. Partilha com D. Sebastião a popularidade mítica das lendas. No caso de D. Pedro, a do amor (por Inês de Castro) para além da morte, que inspirou vários escritores, desde António Ferreira ("A Castro") a Henry de Montherlant ("La Reine Morte"). Mas o rei, que deixou os cofres da Nação a abarrotar - e que seu filho, D. Fernando, se apressou a desbaratar em guerras inúteis e dispendiosas -, D. Pedro I, dizia eu, era também um homem inquieto. Parece que era dado a fúrias repentinas (aliás, na boa tradição dos nativos astrológicos de Áries ou Carneiro) e atreito a frequentes insónias. Nessas alturas, vinha para a rua, alta noite ou de madrugada, dançar, comer e beber com o Povo, à luz das tochas. Mas demos a palavra a Fernão Lopes que, assim, lhe esboça os contornos de retrato:


"Este rei Dom Pedro era muito gago. E foi sempre grande caçador e monteiro, sendo infante e depois que foi rei, trazendo grande casa de caçadores e moços de monte e de aves e cães de todas maneiras que para tais jogos eram pertencentes. Ele era muito viandeiro, sem ser comedor mais que outro homem, que suas salas eram de praça em todos os lugares por onde andava, fartas de vianda em grande abastança. (...) E el-rei Dom Pedro era em dar mui ledo, tanto que muitas vezes dizia que lhe afrouxassem a cinta - que então usavam não muito apertada -, por que se lhe alargasse o corpo por mais espaçadamente poder dar, dizendo que o dia que o rei não dava, não devia ser havido por rei. Era ainda de bom desembargo aos que lhe requeriam bem e mercê; e tal ordenança tinha nisto que nenhum era detido em sua casa por cousa que lhe requeresse. ..."

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ódios de estimação literários


É curioso constatar que escritores, até reconhecidos pela sua generosidade natural, não deixam, contudo, de ter alguns ódios de estimação centrados em confrades da mesma arte. E que exorcisam esse sentimento, com alguma frequência, em conversas mais íntimas, ou mesmo em escritos. É nítida, por exemplo, a antipatia intelectual que George Steiner consagra a E. M. Cioran. Ou a que Cioran, por sua vez, dedicava a Albert Camus. É conhecida a pouca simpatia que Jorge de Sena tinha por Manuel Bernardes, e que considerava pouco inteligente; ou por António Ferreira, que achava um poeta menor - e, aqui, estou quase de acordo com Sena.
René Char (1907-1988), que dedicava uma enorme estima humana e literária a Albert Camus e Saint-John Perse, desprezava, intelectualmente, Valéry e não apreciava nada Aragon. Li, há pouco tempo, um pequeno episódio, narrado por Jean Pénard ("Rencontres avec René Char", 1971), que passo a citar: "...René Ménard n'a décidément pas de chance. Il compare Rafael Alberti à Federico García Lorca. Emportement imédiat de Char: «Comment pouvez-vous les mettre l'un prés de l'autre? García Lorca avait le chant. Alberti ne l'a jamais eu.» Il prononce ces mots avec violence et gravité. ..."