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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Interlúdio 58


Estes olhares que se pretendem magnéticos, fatais... Convincentes pelo temor e fixidez obsessiva. Agrários e silvestres, religiosos ou místicos, talvez. Às vezes, políticos, e actualizados de vez em quando. Relembremos a palavra honesta de Jorge Campinos (1937-1993) que, quando António Barreto e Medeiros Ferreira sairam do partido, disse que o PS tinha ficado mais puro.


Nota: Em abono da clarificação deste poste, convém dizer que Jorge Campinos esteve exilado em França, antes do 25 de Abril. Não se exilou na Suiça, nem nos países nórdicos. O facto terá a sua importância, com certeza.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O golpe abortado a 24, ainda


Não se terá falado muito nisso, para além dos meios de comunicação. E compreende-se, não era muito conveniente dar publicidade a este golpe baixo, exótico, absurdo e asinino...
O contra-ataque, vivo, forte e legítimo, de uma boa parte dos meios de informação (jornais e televisão), saldou-se pelo retrocesso legislativo, levado a cabo pelos partidos, ditos, do arco da governação, no que diz respeito à tentativa de amordaçar e "disciplinar" a cobertura jornalística das campanhas eleitorais. O dito visto ou exame prévio, a que essa abortada legislação iria obrigar, não era senão uma encapotada forma de Censura. O facto ocorreu, simbolicamente, a 24 de Abril de 2015.
Na noite de 25/4/15, António Barreto, em entrevista à SIC-Notícias, e perguntado sobre o assunto, respondeu com sorriso irónico e matreiro, qualquer coisa como: Vai ver que, mais tarde ou mais cedo, eles voltam à carga...
Três coisas ficam esclarecidas, em minha opinião:
1. A mentalidade cavernícola e anti-democrática de uma boa parte dos parlamentares.
2. A estupidez humana de muitos dos que nos representam, ironicamente, em nome da democracia.
3. A pueril e fruste, surreal e abjecta estratégia de muitas das agendas partidárias.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Antes que eu me esqueça


Ao ler uma entrevista antiga (Março de 2009) de António Barreto, notei que ele refere a talhe de foice que, no Liceu de Vila Real (anos 50/60), onde havia uma bem fornecida e boa biblioteca, alguns livros estavam vedados à leitura dos alunos. E concretiza: "...dois ou três livros de Camilo, mais "O Crime do Padre Amaro", "A Relíquia"...
Concluí, assim, que o homem foi um sortudo, porque estando-lhe proibidos apenas alguns, poderia escolher imensos e variados livros para ler . Pois a minha experiência, no Liceu de Guimarães, foi diametralmente oposta, nesses mesmos anos 50/60. Quando algum professor faltava, e não havia outro para dar aula de substituição, os jovens alunos eram mandados para a biblioteca do liceu, também muito bem fornecida e extensa. Mas, aí, o Sr. Lopes excluía dos alunos todos os livros do acervo, só nos permitindo requisitar e ler obras de apenas um autor: Nuno de Montemor (1881-1964) que, vim a saber mais tarde, era um beirão que foi padre, capelão militar e tresandava a moralista. Os livros dele eram todos fastidiosos e beatos...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os moralistas da 25ª hora


Não sei se será um vício exclusivamente português, mas creio que não. Até porque La Rochefoucauld o sublinhou através da máxima: "Les vieillards aiment à donner de bons précepetes, pour se consoler de n'être plus en état de donner de mauvais exemples" (aqui no bloge, em tradução, a 29/11/09). E Charles Aznavour, paralelamente e numa outra direcção, emite o mesmo conceito na canção "Alléluia". O facto, é que já estou cansado de ver figuras públicas e ex-ministros darem conselhos para bem gerir as suas "ex-cátedras", depois de largarem o lugar e de terem tido oportunidade de os aplicar, objectivamente.
E os nomes, em questão, abundam. Desde Marçal Grilo que, depois de largar o Ministério da Educação, escreveu o livro "Difícil é sentá-los". Até Campos e Cunha, o ministro-cometa de Finanças no 1º consulado de José Sócrates e que, quase todas as semanas, dita regras (no "Público") de como se devem gerir as finanças e economia portuguesas; e ainda um obscuro juíz que, quando se aposentou do Tribunal de Contas, veio perorar sobre o que devia ser feito nessas competências. Para não falar dos senhoritos portugueses bem instalados na vida, ou a comer à mesa do orçamento, quando vem dar conselhos à populaça para gastar menos e se sacrificar: "Bem prega Frei Tomás..." E, no mínimo, esta hipocrisia vai fazendo escola.
O último caso flagrante foi António Barreto no seu discurso moralista do 25 de Abril, a zurzir nos políticos, quando ele próprio também o foi, e não está livre de críticas.
E fico-me por aqui, para não ir mais alto e mais acima...