Mostrar mensagens com a etiqueta António Botto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Botto. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ritmos


Julgo que qualquer pessoa é capaz, ao vê-los evoluir, de distinguir a diferença entre um mau dançador e um bom bailarino. Leveza, elegância, entre outros aspectos, os separam. Mas também o ritmo.
Muitos de nós terão assistido a desgarradas. E admirado a capacidade e rapidez de resposta apropriada que os cantadores evidenciam, com maior ou menor imaginação. São os repentistas.
Na arte da poesia, também os há. O encadeamento dos versos e a justa medida saem-lhes naturalmente e com enorme facilidade. Estou-me a lembrar de António Botto ou de Pedro Homem de Melo. Os seus versos abrem-se escandidos e certos, na perfeição. Outro tanto não acontece, quase nunca, com os poemas de Jorge de Sena. Ou, se quisermos ir mais atrás, com a "frauta ruda" de Sá de Miranda. De forma não aprofundada, eu diria que há um ritmo natural e um ritmo trabalhado.
Como se, num caso, o bater do coração conduzisse à medida certa, e, na outra circunstância, houvesse uma original arritmia que só pela razão pudesse vir a ser corrigida, depois, nos versos.

domingo, 26 de abril de 2015

Faça, você, a sua!


Não consigo descortinar o que leva um escritor ou um artista, até mesmo, um simples ser humano a elaborar listas de preferências ou de gosto. Alberto Manguel tem, por exemplo, várias. Listas que, por sua vez, exercem uma certa atracção e curiosidade nos outros e que são, muitas vezes, um estímulo para que eles formulem as suas, também, mesmo que silenciosa e intimamente. Talvez num esforço ou para proclamarem a sua identidade e diferença.
Marcello Duarte Mathias (1938), embaixador aposentado, não foge à regra, na sua obra Diário de Paris/2001-2003 (Oceanos, 2006).
A sua lista de "Perfis marcantes da história de Portugal" contém, entre outras, as seguintes personagens:
o mais temível: o marquês de Pombal;
o mais desprezível: Cristóvão de Moura;
o mais cativante: Luís de Camões;
o mais espalhafatoso: o duque de Saldanha;
o mais vaidoso: António Spínola;
o mais lúdico: António Botto;
o mais pessimista: Oliveira Martins;
o mais poliédrico: Almada Negreiros;
o mais triste: D. Manuel II;
o mais enigmático: Fernando Pessoa;
o mais senhoril: Óscar Carmona.
Partindo do princípio que tudo isto é uma espécie de jogo e que pode servir para ocupar tempos livres, posso concordar e imaginar o apodo do marechal Carmona, mas tenho uma extrema dificuldade em entender o lúdico colado a António Botto...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Uma louvável iniciativa (26)


Do campino ribatejano ("...que até na sua pobreza nunca sabe mendigar...", António Botto) à estilizada algarvia, passando pela ceifeira alentejana, mais três pacotinhos de açúcar que, no verso, trazem 3 receitas da doçaria tradicional portuguesa: os Arrepiados de Almoster, o Dom Rodrigo, do Algarve, e as Queijadas de Requeijão alentejanas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Polas ribeiras dum rio..."


No cofre-forte, que era biblioteca, não se encontrava Bernardim nem Sá de Miranda, mas havia Camões, Torga e Botto, os dois últimos em primeiríssimas edições. E, como jóia da coroa, um pequeno fragmento iluminado do índice do "Leal Conselheiro", manuscrito, muito embora D. Duarte nunca por ali tivesse andado, que ele era mais de Leiria e do Lis, de Belas e da melancolia.
Da ampla sala, por cima dos livros, víamos do Guincho, quase até ao Cabo da Roca, que se adivinhava: todo o horizonte largo era de mar. Bernardim dissera: "Hiasse polas ribeiras...". E, realmente, antes, tinhamos passado pela ribeira de Barcarena, com nevoeiro, a da Laje, por entre chuviscos, a de Caparide, e já se viam embrulhados em neblina os píncaros de Sintra. No regresso, passaríamos ainda pela ribeira das Vinhas, que mal se via da estrada.
Vegetação acachapada e rasteira que ia crescendo, gradualmente, até se ver Lisboa, onde as ribeiras engrossavam o Tejo, para ele se entregar ao mar, no fim de tudo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os amigos de Peniche


A imagem que encima este poste integrava uma pequena brochura da sucinta biblioteca de meu Pai. Era de propaganda inglesa, em Portugal, no decurso da II Grande Guerra, quando a Alemanha nazi também procurava influenciar a opinião pública nacional a seu favor. Serve-me de base àquilo que quero escrever.
Hoje, foi a vez de Jean-Claude Trichet ( não esquecer que, em francês, tricher significa : fazer batota) que tem, como compinxa e subordinado, o nosso inefável Vítor Constâncio, no BCE, paternalmente (don´t patronize me, please!), afirmar que Portugal deve apressar as suas reformas e cumpri-las com rigor, porque estão atrasadas (curiosamente, nunca ninguém diz, em concreto, quais reformas)...
Quando vejo esta "gente" ou gentalha dar-nos conselhos, lembro-me sempre de um poema fescenino de António Botto, que me apetece citar. Não o faço por respeito por quem me visita, e pela dignidade que tento imprimir ao espaço do Arpose. Mas também me lembro, em simultâneo, de Winston Churchill, pelo seu exemplo de resistência e orgulho nacionais.