Mostrar mensagens com a etiqueta António Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Cruz. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Porto, em circunstância


Metamorfose

Para a minha alma eu queria uma torre como esta,
assim alta,
assim de névoa acompanhando o rio.

Estou tão longe da margem que as pessoas passam
e as luzes se reflectem na água.

E, contudo, a margem não pertence ao rio
nem o rio está em mim como a torre estaria
se eu a soubesse ter...
                                  uma luz desce o rio
                                  gente passa e não sabe
que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem
                                                       as nuvens não passem
                                                       tão alta tão alta
que a solidão possa tornar-se humana.

Jorge de Sena, in Coroa da Terra (1949).