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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Um poeta à margem


Já aqui falei dele algumas vezes. Até porque os poetas nem sempre são seres angelicais...
Nascido na Baía (Brasil) em 1633, Gregório de Matos veio a falecer em Pernambuco, no ano de 1696. Andou por Coimbra, onde se formou em Leis e começou a poetar de forma desbragada. Regressou ao Brasil, montando banca de advogado, mas não foi muito bem sucedido no negócio de causídico. Temiam-lhe talvez a língua viperina e daí o alcunharem de Boca do Inferno.
Por razões ignoradas foi deportado para Angola, por onde (Luanda) andava "boémio, quase louco, sujo, mal vestido... de viola ao lado, tocando lundus e descantando poesias obscenas...", segundo um contemporâneo, que o conhecia.
O folheto, que dá corpo às imagens, tornou-se raro, embora tenha tido uma tiragem de 1.000 exemplares, em Novembro de 1982. É o número 15 da colecção & etc / contramargem e tem uma nota introdutória de Aníbal Fernandes.
Na altura, o livrinho (32 páginas) custou-me Esc. 100$00.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O ralo estreito das escolhas pessoais


De vez em quando, mas muito raramente, um nome novo passa no meu crivo. Se quanto a pintores, os últimos a ganharem preferência (há 15?, 20 anos?) foram Turner e Hockney, os realizadores de cinema também não têm aumentado, muito, ultimamente. O mais recente, talvez tenha sido Tornatore, depois de Sorrentino e Moretti, na minha parca lista de favoritos de referência. E, quanto a escritores de policiais, já fechei o círculo restrito, em que ocupam lugar de honra S. S. van Dine e Simenon. Porque, com a minha idade, é salutar não perder tempo com frioleiras que nada trazem de novo e, por isso, tento exercer o meu sentido crítico com rigor austero.
Claro que não sou imune a nomes que se repetem freneticamente nas páginas literárias - quanto a escritores - e que são aconselhados por recenseadores sérios (críticos é que já não há...). Mas basta-me folhear, numa livraria, alguma obra muito falada, para tomar posição definitiva sobre um autor. Raramente me deixo impressionar com a moda. Muito menos, por esses enxames de (falsos) blogues, em que algumas domésticas (a soldo de editoras) e mulherzinhas, com vocação de costureiras, tecem loas altíssimas a obras pindéricas, normalmente mal escritas, publicadas por núbeis ou velhos "suspeitos do costume"...
Para mais, estamos a atravessar a época natalícia das miragens, com recomendações equívocas e fraudulentas de vinhos, livros, filmes e quejandos, de qualidade muito duvidosa. Acresce o facto de eu precisar de levar para longe, comigo, alguns livros (3?) que me acompanhem de entretém mental, nesse país distante onde, por esta altura, neva, e em casa alheia. Lembro-me que, de uma vez, me fiz escoltar de Vergílio Ferreira, Steiner e Xavier de Matos, para uma aldeia renana, a que se juntou um livro de René Char, comprado, depois, em Liége. E bem. Que a escolha foi avisada!...
Por agora, vai curta a selecção e próxima a partida, e tinha apenas para levar Pátria apátrida, de W. G. Sebald (1944-2001), autor alemão que recentemente passou na inspecção apertada do meu crivo de referências. Deus me inspire a descobrir mais dois ou três livros, para levar e ler! O que vai ser difícil e um bico de obra, no já pouco tempo que me resta, para seguir viagem.
Mas, hoje de manhã, lá consegui descobrir na (Livraria) Escriba, mais uma obra que promete, muito bem traduzida por Aníbal Fernandes. E de uma editora alternativa (sistema solar) que, como vai sendo hábito, as páginas literárias conceituadas nem sequer falam...