Todos os dias, no meu jornal de referência (cada vez mais pobre de conteúdos, diga-se de passagem), procuro e leio, na penúltima página, habitualmente, a crónica de um colunista interessante que, com Jorge Sousa Braga (1957), é responsável pelos 2 títulos de livros mais bombistas, sensacionalistas e publicitariamente mais exibicionistas dos eighties e nineties portugueses. Lembro-os, para quem não saiba, ou não se lembre: "O Amor é fodido" (1994) e "De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu" (1981).
Os rapazes eram jovens, na altura, e percebem-se os títulos por uma ânsia juvenil de protagonismo, por uma forma de despertar a atenção do pagode, e para melhor vender os livritos. Entretantos os jovens cresceram, amadureceram, um deles até se formou em Medicina. Tornaram-se pessoas respeitáveis e, por conseguinte, moderaram também, de alguma forma, a sua linguagem - porque já eram suficientemente conhecidos. Já não precisavam de estridências, nem de dar nas vistas. Mas estão também a amodorrar, definitivamente. É da idade - acontece a todos...
Como dizia, a princípio, todos os dias leio, às vezes com algum agrado, a crónica do já quase sexagenário (nasceu em 1955) colunista do jornal Público. E estou sempre à espera de que ele fale da realidade portuguesa. Mas, infelizmente e até hoje, nada. Fala da Net, da Amazon, dos americanos e das suas revistas e livros, das irrealidades virtuais, etc.. Mas, de Portugal, nada, é como se não existisse. E fala, também, excessivamente, da sua fotonovela pessoal - que terá muito pouco interesse para o leitor. É pena. Como jovem, que foi, prometia mais...