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quarta-feira, 12 de julho de 2023

Citações CDLXVIII



No amor, não há desastre mais terrível do que a morte da imaginação.

George Meredith (1828-1909), in The Egoist (1879). 

quarta-feira, 1 de março de 2023

Adagiário CCCXLVIII



O amor ainda que cego para ver, é lince para adivinhar.

sábado, 30 de março de 2019

Osmose 103


Fará sentido, hoje, falar-se de amor imortal? Quando a finitude é uma evidência humana? Prefiro, talvez por isso, aceitar, em alternativa: amor fatal - com todas as suas finitas consequências. Porque, também o Outro irá morrer e a memória desse fogo celeste, comum, se irá apagar "como lume breve".
Nunca me recusei a amar, com todos os seus limites e sujeições, terrenos. Mas usar o verbo adorar, e praticá-lo, sempre me pareceu uma prerogativa feliz e exclusiva das almas simples e ligeiras. O que não deixa, no entanto, de ser uma virtude, na alínea particular da generosidade.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

George Steiner : a teoria da omissão

O silêncio, a dúvida e a procura também podem ser um sinal de sabedoria.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Retro (87)


Não costuma ser usada a expressão postal de amor, consagrada que está a generalização de cartas de amor para classificar este tipo de missivas mais ou menos ardentes. Mas é, na verdade, um postal de amor este que o Júlio Mendes remeteu à Anna, de Monte Real, há cerca de 98 anos (29/8/918).
Contém alguns erros ortográficos, o postal apaixonado, mas perdoe-se o facto pela vulcânica emoção que o terá ditado. Quem sabe, se num Agosto tão ardente quanto tem sido este de 2016... Terá este amor frutificado, como o Júlio pretendia? São coisas que eu nunca saberei, mas imagino que sim. Para bem de todos...


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

domingo, 31 de maio de 2015

sábado, 3 de novembro de 2012

O Amor é egoísta, e cego


Todos os dias, no meu jornal de referência (cada vez mais pobre de conteúdos, diga-se de passagem), procuro e leio, na penúltima página, habitualmente, a crónica de um colunista interessante que, com Jorge Sousa Braga (1957), é responsável pelos 2 títulos de livros mais bombistas, sensacionalistas e publicitariamente mais exibicionistas dos eighties e nineties portugueses. Lembro-os, para quem não saiba, ou não se lembre: "O Amor é fodido" (1994) e "De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu" (1981).
Os rapazes eram jovens, na altura, e percebem-se os títulos por uma ânsia juvenil de protagonismo, por uma forma de despertar a atenção do pagode, e para melhor vender os livritos. Entretantos os jovens cresceram, amadureceram, um  deles até se formou em Medicina. Tornaram-se pessoas respeitáveis e, por conseguinte, moderaram também, de alguma forma, a sua linguagem - porque já eram suficientemente conhecidos. Já não precisavam de estridências, nem de dar nas vistas. Mas estão também a amodorrar, definitivamente. É da idade - acontece a todos...
Como dizia, a princípio, todos os dias leio, às vezes com algum agrado, a crónica do já quase sexagenário (nasceu em 1955) colunista do jornal Público. E estou sempre à espera de que ele fale da realidade portuguesa. Mas, infelizmente e até hoje, nada. Fala da Net, da Amazon, dos americanos e das suas revistas e livros, das irrealidades virtuais, etc.. Mas, de Portugal, nada, é como se não existisse. E fala, também, excessivamente, da sua fotonovela pessoal - que terá muito pouco interesse para o leitor. É pena. Como jovem, que foi, prometia mais...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Aquilino sobre o amor


Já aqui falei e transcrevi um pequeno excerto de Aquilino Ribeiro descrevendo Aljustrel, da obra "Brito Camacho", que escreveu em parceria com Ferreira de Mira. Sobre o político alentejano, Aquilino diz-nos que teve vários amores, que casou e teve uma filha que morreu cedo, bem como a Mulher. E voltou depois a enamorar-se, mas de outra maneira. Mas para falar das idades do amor, será melhor dar a palavra, de novo, a Mestre Aquilino:
"...Talvez que o melhor da sua crónica amorosa date da época juvenil, já que todos os encantos se associam na primavera. Os primeiros amores do homem, exercidos em obediência a mandato, não têm história; podem ser profundos, mais ou menos espontâneos, mas não são nada complicados; não há língua que os exprima dignamente, a não ser o assobio do melro. Nessa idade têm-se belos dentes, bom estômago, e em pequeno grau o sentido olfativo. Da mesma maneira que se come sempre com apetite um bom pitéu, sem se ligar importância à baixela, ama-se aqui e além, em qualquer latitude, sem atender a se é loira, morena ou consoante o divino modêlo dos nossos sonhos. Ama-se sem grande afêrro sentimental, embora brigue com os juramentos trocados, porque no fundo não se ama uma mulher, ama-se simplesmente a mulher. Desenganos e mágoas de amor voam depressa e aos quatro cantos como as pétalas do bule-bule. Passam os anos, acaba por amortecer o instinto da espécie, a imaginação inflora, como as árvores que ao fim dum outono benigno se julgam na primavera, e acontece virem cantar nela os ledos e amorosos pássaros da mocidade. Ah, mas o aroma que exala é a cadaverização dos verdadeiros eflúvios e o frescor que derrama todo de ocaso! Mas deixá-lo, sobrevive, enfeita-se de gomos, enfolha, a sua sombra banha a alma como um crepúsculo suavíssimo e chama-se saudade. ..."