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domingo, 20 de julho de 2025

Osmose 145

 
Compreendo perfeitamente os abusos que se fazem sobre alguns verbos, de natureza afectiva, por parte de uma grande parte da gentinha que polui a blogosfera. Adorar, amar, por exemplo, são usados, indistintamente, por quem não sabe usar a medida e o grau. Volúveis, quando não irracionais, estas criaturas levezinhas de cabeça são capazes de incensar um amigo recente de que muito pouco conhecem, esquecendo, com leviandade, os antigos companheiros. 
Gente pouco fiável, que eu gostaria de lembrar neste vago Dia Internacional da Amizade.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

A caminho de ser máxima

 

Para uma boa amizade é sempre vantajoso criar o lastro comum de algumas aventuras no passado.

terça-feira, 11 de julho de 2023

Retro (115)

 


Outros tempos... Altíssimos.

Nada se recolhe do passado, senão memórias esbatidas, talvez algumas curtas palavras mas, o mais das vezes, só o silêncio ocupa entretanto os espaços já vazios e libertos para sempre.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Uma fotografia, de vez em quando... (158)



A atenção humana é, sem dúvida, uma das virtudes maiores de uma boa amizade. 
O meu amigo H. N. teve a grata lembrança de me remeter esta fotografia, acima, que reúne, algures (França?, Portugal?, Itália?, Espanha?...), cinco políticos socialistas que se davam bem. Não deixa de ser uma foto histórica, que muito estimei e que aqui fica.
Só lhe posso agradecer este seu gesto atento e amigo.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Citações CDXXX



Enfim - coisa capital e meu orgulho verdadeiro - eu devo aos meus amigos quase tudo aquilo que sou. Eles acreditaram em mim, que não acreditava em mim próprio.

Paul Valéry (1871-1945).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Formas de amizade


Às vezes e por coisas minúsculas lembrámos os amigos, que nos foram mais próximos e já desapareceram para sempre. Paisagens que eles nos deram a conhecer, refeições que partilhámos juntos e de ameno convívio em sítios improváveis, palavras que nos trouxeram por materna origem, frases que nunca mais esqueceremos, gentilezas e generosidades em que eles eram únicos.
Se não fosse o António, haveria recantos obscuros do Porto que eu nunca teria conhecido. Foi ele que mos deu a gostar e a ver. Ao lembrar-me de Lavadores e da Afurada, ele veio à minha presença virtual...

terça-feira, 16 de julho de 2019

Osmose 107


As afinidades criam-se, muitas vezes, de sobreposições, ainda que ténues. Um gesto que reconhecemos também nosso, uma palavra que nos irmana pelo significado distinto e próprio, um gosto partilhado intimamente, um desprezo oculto que aflora simultâneo, geminado e natural, depois de expresso.
É assim, ainda que cada vez mais raro com o passar dos anos, que reconhecemos a fisionomia de um amigo possível. E a hipótese, nem sempre concretizável, de uma relação para sempre. Embora possa ter demorado muito, até o vazio ter reconhecido uma presença real de ocupação merecida.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Osmose 100


Era um rapaz da minha rua... - disse eu a alguém próximo, aqui há uns tempos, antes de uma cerimónia oficial, em que ele, pintor consagrado, era figura central.
Por linhagem, estes amigos de infância gozam de uma imunidade especial, muito embora as afinidades e a intensidade do afecto possam não ser as maiores, no agora. Que outros vieram, entretanto, com mais força e fidelidade. Atenção e persistência, que não se compadece com o que é volúvel, episódico circunstanciável e leve.
Pelo meio, houve afastamentos, silêncios inexplicáveis, equívocos que duraram pouco, desencontros essenciais, mudanças de rumo, mortes inesperadas, mas também, às vezes, ressurreições maravilhosas - sei do que falo.
E o Natal, aqui tão perto...

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Osmose 98


Pensando bem, creio que nunca me preocupei excessivamente em criar novos amigos. Ou tentar seduzi-los. Eles cresciam, naturalmente, ao sabor de afinidades comuns e de gostos partilhados, de gestos atentos e inesperados. De memórias que se iam fazendo, e de aventuras, a princípio ingénuas, mas cada vez mais reais e impressivas, das nossas vidas. Do primeiro grupo da rua, ao da escola, depois nos locais de trabalho, eles foram aparecendo, tomando vulto e, embora muitos se tivessem sumido, no tempo e na geografia, sempre alguns ficaram - os mais desinteressados, os mais fortes. A triagem do real.
Quando vejo que, no feicebuque, se podem ter até 5.000 "amigos", fico varado! Como será possivel apascentar tanta amizade?!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

George Steiner : a teoria da omissão

O silêncio, a dúvida e a procura também podem ser um sinal de sabedoria.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

As primeiras amizades


O reencontro com velhos amigos de infância é, quase sempre, uma epifania. Emocional, sobretudo.
Porque alguns deles ficaram-se pela encruzilhada. Outros, ainda, seguiram caminhos, que não os nossos, e alguns muros se foram criando entre nós. Apesar de eles saberem, de cor, a nossa mais íntima biografia.
Por essa razão, estes reencontros afectuosos podem estar ameaçados de melancolia. Ao menos, de um dos lados.

sábado, 18 de junho de 2016

Gostar de


Dos poetas românticos ingleses, as minhas preferências foram sempre para Blake e Keats, quase ex aequo. Aprecio alguns poemas de Coleridge, q. b.; Wordsworth vale-me apenas por um começo de poema (Five years have passed/ five summers with the length...). Mas nunca gostei da poesia de Byron.
Despertaram-se-me estas divagações, da leitura despreocupada de Prazeres, de Eduardo Barroso, livro que já aqui referi. O capítulo estimulante intitula-se O prazer da amizade. E vou citá-lo:
"Tenho portanto amigos de luxo, de primeira, e de segunda, para finalmente aparecerem os indiferentes e até os inimigos. (...) Tenho amigos meus, que por conhecerem milhares de pessoas, pensam sinceramente que têm milhares de amigos. Na amizade, como no amor, existem graus de intensidade que muitas vezes não têm só que ver com o tempo de duração desse afecto. ..."
Ora, são estas coisas simples, e claras também para mim, que se baralham de todo, em muita gente, nos nossos dias. O feicebuque, é um bom exemplo do uso abusivo da palavra amigo e da vacuidade dos like. Muitas vezes, por rasteirice mental de pensamento, por falta de discernimento de grau e ausência de sentido crítico (que sempre foi manifesta em Portugal), por ligeireza de afectos e de sensibilidade. Mas não há nada a fazer...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Osmose 83


Numa recente entrevista, Eduardo Lourenço (1923) referia-se, e por palavras suas, a que: só existimos em função dos outros. Eu acrescentaria que, em casos extremos, nós somos e temos razão de ser nos outros. Finalmente (referi-o há dias), só vivemos a morte nos outros e dos outros, que a nossa é sempre imaginavelmente abstracta e presumível, mas nunca será vivida, em consciência total. Como também, conviria acrescentar, que a palavra sobrevivente (de um acidente, da guerra, do holocausto...) é das mais falsas do vocabulário universal, quando aplicada ao ser humano, porque a morte nunca interrompe o seu curso. Apenas o pode adiar.
Voltando aos outros. Que são o nosso espelho real, e reflectem, mais ou menos conscientemente, as nossas diversas facetas. Há amigos com quem (melhor) pensamos e amigos com quem (melhor) sentimos. Amigos com quem partilhamos leituras e aqueles com quem vamos construindo um breviário estético de eleição perene. Amigos que escolhemos para viver  alegrias e outros que melhor sabem acolher a nossa tristeza. Ou a sabem compreender. Por uma ruga na face, um nublado olhar, um embargo de voz.
Como as almas gémeas são raras e as afeições electivas, difíceis, também por aí nos temos de dividir, para ser, completadamente.

segunda-feira, 7 de março de 2016

5 esboços dispersos, com remate


1. Há vozes, por vezes, ao telefone ou quando ouvimos uma canção, em que não conseguimos identificar, de imediato, o género. E não é sequer pelo tom grave e áspero, que pode parecer masculino, ou pelo veludo suave da sinestesia, que poderia ser feminino. Nosso ouvido? Ou voz do Outro(a)?
2. Talvez por causa do vento frio, as mãos, de que não vejo o rosto, parecem acariciar a chávena de chá, morna provavelmente, e surgem na distância como uma aparente sobrecapa que recobre, acaricia e parece proteger a porcelana. É um gesto, um desenho que reencontra outros, na minha memória.
3. De muitas conversas, há quase sempre o registo apagado de uma palavra ou frase, que ressurge depois, e fica como um título, um sublinhado desse diálogo encerrado. Na altura da conversa, porém, não o fixámos devidamente. Ele impõe-se depois, autónomo, ganha força. E não mais se apaga.
4. Inesperadas e de acaso, há relações sociais que, discretamente, ganham substância e uma consistência imprevisível, com o tempo, sem que nada fizessemos para isso. Chegam, por vezes, muito próximo da amizade.  Mas há também outras que se apagam num silêncio gradual, sem lhe sabermos a causa e a razão de ser.
5. Haverá, porventura, vários graus de amizade. Difíceis, no entanto de hierarquizar. Requerem sobretudo fidelidade, lisura, atenção e inteligência. Quando verdadeiras e desinteressadas, as amizades conseguem resistir até à distância geográfica e mesmo ao silêncio. Porque podem retomar-se e ressurgir. Mas, não perdoam a mentira, embora possam sobreviver à omissão (quando o Outro a pratica, e nós a percebemos).

Algumas (amizades) me ficaram pelo caminho. E pareciam bem sólidas, antes da ruptura ou do término surgido, inesperadamente. Terá havido um apagamento gradual, um desinteresse ou, quem sabe, um incidente involuntário. Há gente assim e assado, gente que se resume ou mirra no silêncio, porque as escolhas não terão sido perfeitas. Minha culpa? Ou do Outro?
Seja qual for a razão, valerá a pena reconvocar Virginia Woolf: "Perdi amigos, alguns deles, por morte... outros, por mesquinha inabilidade em atravessar a rua."

quarta-feira, 2 de março de 2016

Mínima, tentando a máxima


À amizade repugna a mentira. Mesmo a piedosa.
Pode suportar, no entanto, a omissão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Recuperado de um moleskine (16)


Chamam-me, às vezes, Vizinho, nas lojas outrabandistas que frequento. Não gosto, mas não protesto. No Mercado, creio que já deixaram de usar o abusado vocativo Amor ou Querido, em que as varinas e peixeiras caprichavam, numa pretensa intimidade escamosa e sedutora. Também os suportei algumas vezes, a estes substantivos, fazendo apenas uma cara mais séria. Agora, quando algum desconhecido me trata por Amigo, afino mesmo, e reponto...
Amigo sempre me foi palavra cara de concretização rara e difícil. Onde entra generosa fidelidade. Não isenta de exigência recíproca que, às vezes, não resiste a turbulências. Nem às tentações. Próximas e distantes, são as categorias e graus. Que o resto são meros conhecimentos humanos, fugazes quando avaliados pelo tempo, que, por circunstância, nos cruzaram os anos de vida, mas não deixaram marcas, nem perguntas, ao terem desaparecido.

domingo, 31 de maio de 2015

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Divagações 72


Há quem conceba a vida como uma forma superior de ficção. E lá está Calderón de la Barca (La vida es sueño) para o justificar, de algum modo. Para não falar de Pessoa.
Ao descer as escadas da estação do Metro, já no regresso, reparei num sem-abrigo, ainda novo e de barba crescida que, embora vestido dignamente, se abandonara ao sono e ao cansaço, esparramado que estava, num dos patamares. Um jovem (25? 30 anos?) de calções, que ia à minha frente, parou um pouco, e à socapa tirou-lhe uma foto, através do telemóvel. O sem-abrigo não deu por nada.
Raras são as relações humanas que se iniciam, ou terminam, por vontade explícita de ambas as partes. Muitas vezes, até crescem ao abandono e naturalmente, sem intenção expressa, ganhando consistência e dimensão. Mas há quase sempre um clic, um ponto de partida notório, como é o caso do final de "Casablanca" (1942), de Michael Curtiz: "Isto pode ser o princípio de uma bela amizade!" E, em determinada altura do almoço, a glosa, inesperadamente, começou a impor-se-me, por razões diametralmente opostas: "Isto pode ser o fim de uma bela amizade!..."
Com justiça se poderá afirmar que o "post-scriptum" da conversa decorreu com a maior elegância. Não seria de esperar outra coisa de quem se conhecia há mais de quarenta anos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Círculos


A menos de 30 páginas do final de "Le Noir et le Rouge" (Grasset, 1984), de Catherine Nay, sobre a ascensão ao poder de François Mittérrand (1916-1996), é com pena que vejo o livro a terminar. É um texto desapiedado (ou pouco elogioso, e isento - parece-me), mas rico e inteligente, sobre os defeitos e virtudes de um grande político e homem de estado, mas também o retrato das circunstâncias e vicissitudes francesas de uma época (política).
Um dos aspectos que mais me surpreendeu e interessou foi o facto de saber que Mittérrand, em relação às suas amizades, acabou por criar uma espécie de diversos círculos ou grupos humanos que, embora quase tangenciais, raras vezes se tocavam ou conviviam entre si. Compartimentos estanques, de fidelidade, que Mitérrand, sabiamente, geria e administrava, em equanimidade. De algum modo, era a sua forma de dividir para reinar, politicamente.
Na modéstia da minha experiência, e naturalmente, verifico também que, o discurso e temas que privilegio com os meus maiores amigos, têm, quase sempre, algo de específico e predominante. Se, com alguns, a abordagem da ética, em sentido abstracto, se destaca, já, com outros, os diálogos abordam, maioritariamente, a arte e a literatura, em geral. E, ainda para outros, são os aspectos políticos, ou de sensibilidade humana que são mais recorrentes.
Digamos, para concluir, que os seres humanos, e à sua medida, não são assim tão diferentes, entre si.

sábado, 24 de setembro de 2011

Amizade


Um Amigo, é saber onde pousar a mão. Ter a medida certa de até onde podemos ir, naquilo que dissermos. Fidelidade de não esquecer a voz. Perdoar com alegria. Sangue da memória, silêncio partilhado, entendimento cúmplice, confidência de Outono, adivinhação pressentida, comunhão laica. Percebermos quase tudo.
É pensar que seria melhor que a morte nos pudesse atender primeiro.