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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (188)


 
Cineasta e fotógrafo, o holandês Ed van der Elsken (1925-1990) produziu vários livros (cerca de 20) onde deu a conhecer o melhor da sua obra. Tendo permanecido em Paris de 1950 a 1955, a capital francesa ficou detalhadamente documentado pelas suas fotografias originais de rua.





Tendo pertencido à Agência Magnum, conviveu de perto com Henri Catier-Bresson e Robert Capa, que respeitavam a qualidade do seu trabalho. As suas viagens por África e pelo Oriente deram também impressivos portefólios.


terça-feira, 23 de julho de 2019

Sentimentos



Tenho reparado que os cães aguentam até à última, ainda que com grandes peladas e escanzelados, mas também reconhecem os donos, na agonia. Homero, na Odisseia, deixou um bom exemplo desse facto. As pombas retiram-se para um canto, e ali ficam para morrer, já com muita falta de penas e sem dono.
Mas não deixa de ser comovente ver a matriarca do jardim zoológico de Amesterdão, Mamma (com 59 anos) recolhida a um canto também para acabar os seus dias, reconhecer o seu amigo, Jan van Hoof (de 81 anos), e expressar o seu afecto e grande alegria, pelo reencontro. Mamma morreu uma semana depois.

terça-feira, 16 de abril de 2019

A arte de rebaixar a Arte


Sabe-se que Rembrandt foi um dos pintores europeus que mais se auto-retratou.
Não conheço, nem sei da qualidade mental do sr. Taco Dibbits que, ao que diz o TLS, será o director do Rijksmuseum de Amesterdão. Onde, até 10 de Junho de 2019, estará patente uma grande exposição (All the Rembrandts) sobre a obra do pintor holandês.
Mas aquele sr. director deve ser um homem propenso a afirmações ambíguas ou infelizes, e o seu pensamento deve puxar-lhe, intrinsecamente, para o chinelo. Bombástico, afirmou tonitroante - também segundo o TLS - que Rembrandt terá sido "o primeiro Instagrammer" (sic). Qualquer dia, e se não o calam de vez, ainda é capaz de dizer que Van Gogh foi o primeiro autor de "selfies"...
Irra!

sábado, 24 de setembro de 2016

Exposição, hoje, em Almada


Discreta e emigrada desde 1970, em Amesterdão, Maria Beatriz (1940) inaugura, hoje, em Almada e na Casa da Cerca, uma mostra subordinada ao tema Trabalho de Casa. O uso da colagem tem sido uma constante da sua obra, mantida, ao longo de dispersas exposições, que tem feito em Portugal. A artista está representada no C. A. M. (Gulbenkian).


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Holanda : 3 perspectivas portuguesas


Da Holanda, para mim e a princípio, eram as tulipas e os moinhos; mais tarde, os selos, o queijo, os pôlderes e as cortinas interiores, das casas, sempre abertas. Depois, Ramalho, Nemésio e, mais recentemente, Rentes de Carvalho (1930). Deste gaiense, de ascendência transmontana, lá radicado há muitos anos, vou quase no final de "Com os Holandeses", que tenho vindo a ler, com agrado veloz, e se, até meio do livro, os holandeses não saem bem do retrato, quando ele começa a falar de Amesterdão, começa a declaração de amor. O pragmatismo, a bruteza, a fastidiosa gastronomia, a falta de humor (ou um humor demasiado próprio) - Rentes de Carvalho fala deles, abundantemente. Mas compensa depois, talvez arrependido, com alguma ternura embevecida.
Ramalho Ortigão é mais equilibrado, para o bem e para o mal, no seu "A Holanda", mas também menos intenso. Nemésio, mais efusivo e apaixonado, nos seus versos, talvez porque alguma holandesa lhe desalinhou os "jacintos", que ele julgava já murchos e secos ("...Já para alguns jacintos alinhados/ Na janela fechada do que fui."), no último quartel da sua vida (1963). Assim, entre "A Holanda" (1883) de Ramalho, a de Vitorino Nemésio (livro publicado em 1976) e a obra, mais recente (2009), de Rentes de Carvalho, se compõe o poliedro deste país conquistado ao mar que, eventualmente e com a subida dos oceanos, no futuro, poderá nele, de novo, submergir para sempre.