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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Citações DXII

 

Com a idade de vinte anos, e depois de alguns erros graves de juventude, eu entrei na poesia como quem entra nas ordens monásticas..

Jean Cocteau (1889-1963), in Le Requiem.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Citações CDXCII



Picasso disse: Demora muito tempo para nos tornarmos jovens. A juventude captura a nossa infância. Mas, com o tempo, a infância acaba por recuperar os seus direitos.

Jean Cocteau (1889-1963), in Journal d'un inconnu.

sábado, 23 de julho de 2022

Citações CDXXXVIII

 

Os Italianos são os Franceses com bom humor.

Jean Cocteau (1889-1963), in Maalesh (1949).

sábado, 17 de outubro de 2020

Citações CDXLVI



Não é na novidade, mas no hábito que nós encontramos os maiores prazeres.


Raymond Radiguet (1903-1923), in Le Diable au Corps

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Citações CDXXXII


Detesto a originalidade. Evito-a o mais possível. É necessário empregar uma ideia original com as maiores precauções para não ter o ar de quem está a usar um fato novo pela primeira vez.

Jean Cocteau (1889-1963), in Opium.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Pinacoteca Pessoal 140


Ao contrário da literatura, as artes plásticas, talvez pela sua maior flexibilidade de concretização, têm criado, mesmo nos últimos tempos, novas expressões para as suas diferentes (?) escolas. O denominado Neo-Expressionismo (por volta de 1980) e o mais recente Formalismo Zombie, cunhado por Walter Robinson (1950), estão aí como exemplos, em confronto com a chancela maior de Romantismo que, em literatura, já cobre, como corrente, mais de dois séculos.
Léopold Survage (1879-1968), nascido na Finlândia - país que, nessa altura, estava integrado na Rússia - desenvolveu a sua obra madura já em França, onde viveu grande parte da sua vida e veio a falecer, em Paris.

Ainda expôs na Rússia, em conjunto com Wassily Kandinsky, mas os seus caminhos de expressão seguiram rumos diferentes. Em Paris partilhou o estúdio com Amedeo Modigliani, que lhe fez o retrato, em 1918. Atraído pelo Cubismo, veio a ser influenciado, também, por Cézanne e Matisse.
A sua obra é multifacetada e, por isso, difícil de ser contida apenas numa escola de Pintura...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

De algumas cores, usadas por Max Jacob (1876-1944)


Dizia Maurice Vlaminck (1876-1958) do uso de cores, por parte de Max Jacob:
"Ele coloria pequenos esquissos com cores como aquelas que os miudos costumam comprar na papelaria do bairro. Para estes pequenos trabalhos, ele usava um pouco de tinta da China, o azul, o rosa, e cinza de cigarro diluida, no fundo da sua chávena, num resto de café."

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Amadeo


É um hábito enraizadamente humano, este de, para melhor localizar ou identificar alguém, o apresentador dizer: "Conhece? É filho de Fulano..." ou "Sabe, é a esposa de Beltrano!" Nestes casos, a pessoa apresentada é, normalmente, menos célebre que o parente referido. O jornal Le Monde não foge à regra e, como se pode ver, pelo título em imagem, socorreu-se de Modiglini, para configurar o nosso outro Amadeo... Quanto ao adjectivo maudit, eu creio que se poderia aplicar a ambos. Porque morreram os dois na flor da vida e com pouco mais de trinta anos, no mesmo ano de 1920. Amadeo de Souza-Cardoso, em Espinho, da gripe espanhola, e Amedeo Modigliani, de meningite tuberculosa, em Paris.
Embora conviventes e amigos, em França, a obra de cada um, no entanto, difere muito. A força da pincelada do português (embora com desenhos de traço muito fino, que parecem pressagiar o traço agressivo de Bernard Buffet) afasta-se da elegância florentina da pintura do italiano. Ambos singularíssimos, naquilo que fizeram e precursores, inimitáveis, do que estava para vir, na pintura europeia do século XX. O jornal Le Monde (28/4/2016) dá nota da magnífica exposição, no Grand Palais (Paris), de parte da obra de Amadeo Souza-Cardoso, composta por três centenas de quadros e documentos, e que estará aberta ao público até 18 de Julho do presente ano.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Pinacoteca Pessoal 92


Wilhelm Albert Wlodzimierz Apolinary, nascido em Itália, com ascendência báltica e polaca, usou em França, como artista e poeta, o nome de Guillaume Apollinaire (1880-1918). Embora com vida breve, exerceu notável influência na avant-garde parisiense da sua época. No grande número de seus amigos, contavam-se vários pintores: Picasso, Max Jacob, Rousseau... Daí, talvez, a sua iconografia ser abundante.
Escolhi, em sequência cronológica, os seus retratos pintados por Jean Metzinger (1910), Chirico, em 1914, e um desenho de Modigliani (italiano como Apollinaire), datado de 1915.




segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Citações CCX


A juventude sabe o que não quer antes de saber aquilo que quer.

Jean Cocteau (1889-1963), in La Difficulté d'être.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pequena história (31)


Tendo, ambos os livros, um cenário natural poderoso, e Blaise Cendrars (1887-1961) ter sido tradutor, para francês, de Ferreira de Castro (1898-1974), sempre pensei, até há pouco tempo, que "A Selva" (1930) tivesse sido escrito antes de "L'Or" (1925). Estava enganado. Esta ideia radicava, fundamentalmente, em eu saber que Cendrars tinha feito uma excelente tradução da obra-prima do escritor português, em 1938, para a Grasset. De tal modo a versão era primorosa que, com a sua crua mordacidade habitual, Almada Negreiros teria dito, ao ler a tradução de Cendrars, que seria óptimo que um bom tradutor pusesse em português a versão do escritor suiço, naturalizado francês... Um exagero, de facto!
Quer "O Ouro", de Blaise Cendrars, quer "A Selva", de Ferreira de Castro, são momentos altos da literatura universal.

Nota: o livrinho, em imagem, é o número 71 da Colecção Miniatura, traduzido por Freitas Leça (Mécia de Sena?), com capa de Bernardo Marques. O retrato de Blaise Cendrars é, visivelmente, de Modigliani.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Uns livrinhos de Arte


Os livros de temática sobre Arte sempre foram caros, sobretudo pelas reproduções de quadros que, muitas vezes, contém. No entanto, o interesse que despertam é, ao que parece, momentâneo e efémero, pelo menos, lá fora. Quer na Inglaterra, quer na Alemanha, 2 ou 3 anos, depois de terem saído, entram em saldo, com rebaixas substanciais sobre o preço inicial. Eu próprio, que já fui um entusiasta por esta temática, sobretudo na minha juventude, costumo dizer, hoje, em tom de brincadeira que: são livros para ver, uma vez por ano...
Mas quando era novo cobiçava-os muito e o orçamento não dava para extravagâncias deste género. Por isso, me lembro que, numas férias (Natal? Páscoa?), tendo sido afortunado, no jogo de poker com os amigos, apliquei a quase totalidade dos ganhos em 2 livrinhos sobre a pintura de Modigliani, com várias reproduções de quadros do pintor italiano. Deixo-os em imagem, a encimar o poste.
Os outros dois livros, um pouco maiores (sobre Botticelli e Dufy), já os comprei mais tarde. E, hoje em dia, não é muito frequente comprar livros desta temática.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Citações CXXXIII


"A juventude é uma aquisição da idade madura."

Jean Cocteau (1891-1963).

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Divagações 32


Um artista, quer ele seja romancista ou poeta, pintor ou escultor, músico que seja, terá de ter, naturalmente, algumas obsessões, sem as quais não alcançará um estilo, uma personalidade e uma coerência. Já em relação à res publica, Lopes Cardoso dizia que "um político que não se repete, não é coerente".
E é esse estilo, esse motivo ou tema que permite a um amador, mas fiel observador, reconhecer no poema, na tela, no exercício público, um desígnio e uma matriz essencial, que denuncia a mão do seu autor. Através de um mimetismo de sinais, de traços ou palavras que, paralela e cronologicamente, se vão repetindo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

As imagens (em poesia), segundo Reverdy


1. Uma imagem não é forte porque ela é brutal ou fantástica, mas porque a associação das ideias é longínqua e justa.

2. A excelência de uma imagem encontra-se na justeza das relações que a criam e a deixam entretanto absolutamente inadaptável a qualquer objecto concreto da realidade. A concordância perfeita destruí-la-ia.

Pierre Reverdy (1889-1960), in "En vrac".

domingo, 25 de setembro de 2011

Comic Relief (34) : as "search words", para variar...


Aqui vão:
1. Não sei, francamente, se o actor Andy Garcia alguma vez representou o papel do pintor Amedeo Modigliani, mas houve um visitante que indicou, curioso, ao Google o seguinte: "ping pongue com Andy Garcia amadeo modigliani"; e o Google, pressuroso, levou-o até ao poste "Comic Relief (20) : o chiclete Ping-Pong" do Arpose, colocado em 23/12/2010.
2. Outra visita, decerto amante de genealogias, lançou para o motor de busca: "ana maria morais carlota joaquina artes plásticas" (era guloso, este investigador!); pois o Google, ardente difusor de cultura, deu-lhe a dica: "Pelos 76 anos de Eduardo Gajeiro", de 16/2/2011. Bom trabalho, ó Google!
3. Um pesquisador bilingue disse para o motor de busca: "Cavaleiro no animals meat"; e foi empurrado, culturalmente para uma tela de Francis Bacon, que ilustra o poste: "O ogre de Oslo e o silêncio dos inocentes", do Arpose.
4. Outro visitante, talvez disléxico ou trapalhão, escreveu as "search words": "o vinho de hebe poesia ilustrado" (admitamos, também, que este investigador gostasse de se meter nos copos...); contagiado, o Google deu-lhe a pista do poste "Poema longo, poema breve". Desta vez o Google, pelo menos, tresleu...


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pinacoteca Pessoal 12 : Amedeo Modigliani


É visível, nesta pintura cálida de cores, a alegria de viver de quem a fez, e uma estética linear de simplicidade naquilo que, de melhor, se prolongou da Renascença. Falo de Modigliani, obviamente, que é, para mim, o sucessor mais legítimo e actualizado de Botticelli. Muito embora Sandro seja mais aéreo no traço, e Modi (como lhe chamavam os amigos) raramente se desprenda da Terra. Apesar de, em toda a sua vida, só ter feito 2 quadros sobre paisagens. E os seus nus evitarem a sensualidade exuberante de um Renoir, preferindo-lhes uma elegância sóbria ou levemente exótica. Dizem que ao morrer, tuberculoso, terá dito: "Cara, cara Itália!" Parisiense no viver, nunca deixou de ser italiano de traço e coração. Reproduz-se, em imagem, um "Auto-retrato", a tela que teve como modelo Lunia Czechowska, de 1919, e um "Nu", de 1917, que, curiosamente, faz lembrar, pela posição da modelo, o único nu pintado por Velásquez.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Citações LVIII : Jean Cocteau


" A poesia é indispensável; se, ao menos, eu soubesse a quê! "

Jean Cocteau, citado por Ernest Fischer.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pinacoteca Pessoal 1 : Chaim Soutine


O Arpose inicia, hoje, uma nova secção: Pinacoteca Pessoal. Que abordará pinturas, trabalhos gráficos, gravuras e, eventualmente, esculturas de artistas que, por um ou outro motivo, sejam da minha particular predilecção. Inicio a rubrica com Chaim Soutine (1893-1943), um dos meus pintores de referência, que nasceu a 13 de Janeiro de 1893, na que é, hoje, Lituânia, mas na altura pertencia, territorialmente, à Rússia. A sua vida artística desenvolveu-se e consolidou-se na França, tendo sido grande amigo de Modigliani, que lhe fez, pelo menos, 2 retratos. Era, ao que parece, homem de mau feitio (Maurice Genevoix dixit in "O Vairão"), solitário. As suas pinceladas fortes e largas, os seus retratos torturados (mesmo quando pinta crianças, e pintou muitas) denunciam a sua marca pessoal. Os seus meninos de coro, peças de carne esventradas, as paisagens dramáticas, são seus temas recorrentes. Creio que Francis Bacon lhe deve algumas influências... Escolhi, de Chaim Soutine, o "Retrato de uma Enfermeira" (1919) que integra o acervo do Los Angeles County Museum of Art.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Modi



Amedeo Clemente Modigliani nasceu em Livorno, Itália, a 12 de Julho de 1884, e faleceu em 24 de Janeiro de 1920, em Paris, onde vivia desde 1906. Modi - como era conhecido pelos amigos - para lá levou toda uma memória cultural italiana, que ia de Dante a Miguel Angelo. É, para mim, pelo traço elegante, o descendente directo e actualizado de Sandro Botticelli.