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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Revivalismo Ligeiro CCCXXXVIII


Em complemento do poste anterior, Amália Rodrigues (1920-1999).

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

interlúdio 101



Antes que nos invadam, os iberistas convictos ... Sejam eles enrodilhados, ou com os corninhos de fora.

quinta-feira, 19 de março de 2020

E se falássemos de outras coisas?...


Com as restrições impostas às populações parece que a poluição geral está já a diminuir nalguns países.
Devo louvar a resiliência da minha tabacaria outrabandista que, embora reduzindo o seu  horário (só abre da parte da manhã), me permite comprar o meu jornal diário para me dedicar ao meu mais rotineiro exercício mental - o sudoku.
E, entretanto, desapareceram as gaivotas, na zona, esse bicho feio, alado e agressivo que já foi  agradável de se ver e poético (vide Alexandre O'Neill, Amália e A. Oulman). Encerrado, por tempo indeterminado, o restaurante-café outrabandista, que lhes atirava as sobras da comida, elas desampararam a loja.
O que o autismo nórdico não conseguiu, tem vindo a conseguir o contágio sínico - haja saúde.
(Nem tudo são desgraças, ó gentes, falai de outras coisas mais animosas! Puxai pela imaginação, ó bloguistas-donas-de-casa encarceradas na vossa obsessão!)

domingo, 9 de junho de 2019

No tempo das cerejas


Amália Rodrigues dizia, com graça evasiva, quando lhe perguntavam a idade, que tinha nascido no tempo das cerejas. O que, nessa altura, seria pelos idos de Julho. Ora, hoje em dia, elas chegam mais cedo. E, este ano, já provámos as da Gardunha e fomos buscar, esta manhã, uma caixa delas e de Resende, ao Telmo, que é um moço singular. A rondar os 30, é licenciado em História, e esteve, no ano passado, num dos Emirados, a praticar arqueologia. Ganha a sua vida, e creio que bem porque é competente naquilo que faz, no Mercado do Monte, à frente do  seu lugar de frutas e verduras de boa qualidade e frescura. Atencioso, sério e com um sorriso sempre pronto, natural.
À saída, ainda vi ao longe, a filha da Leonor, que ajuda a mãe, aos fins-de-semana, a amanhar e vender peixe. Pequena, jovem e franzina de corpo, é dinâmica e simpática. Como o Telmo, também é formada em História e está a acabar o Mestrado.
O Mercado do Monte tem destas singularidades humanas e, por encomenda ao Telmo, umas magníficas cerejas de Resende. Que, lá para a noitinha, hão-de encher alguns frascos de compota, sob a sábia administração e manufactura de HMJ.
Assim seja!

Em tempo e mais tarde:

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Curiosidades 71


Ler correspondência amorosa alheia tem qualquer coisa de devassa ou de pecaminoso, muitas vezes. Entrar numa intimidade apaixonada, faz-nos sentir culpados dessa intrusão importuna, que os amantes, se fossem ouvidos antes, por certo não permitiriam e achariam, no mínimo, despropositada e deselegante.
Pois, tenho vindo a ler Correspondance / 1944-1959 (Gallimard, 2017) que compreende as cartas trocadas entre Maria Casarès (1922-1996) e Albert Camus (1913-1960), no decurso da sua relação amorosa. Mais ancoradas no real, as missivas de Casarès, mais intelectuais, as de Camus.
Não farei transcrições de sentimentos, nem de derrames emotivos. Mas, no decurso da leitura, apercebi-me que havia apenas referência a um nome português, aliás gralhado: Amalia Rodriguez (sic). Essas linhas elogiosas surgem na página 1067, em carta de 24 de Abril de 1956, de Camus para Maria Casarès.
Passo a traduzi-las:

"Sábado, a Virgínia tirou-me da sonolência 1) para ir ouvir Amalia Rodriguez cantar fados no Olympia. Admirável criatura, poética, apaixonada, e eu vim de lá completamente conquistado. É preciso comprar os seus discos. Mas faltará uma presença, que é a sua!"


com os maiores agradecimentos a MR.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Revivalismo Ligeiro CCLXXXIV

Na boa sequência tabágica do poste anterior, aqui fica esta popular e antiga interpretação de Tonicha. Eu iria jurar que Amália também chegou a cantar este "Tu és o Zé que fumas...", mas não consegui encontrar o vídeo. Por isso, e embora com deficiente registo, relembremos a canção popular.

domingo, 12 de abril de 2015

Mistérios


Nunca consegui ver (ou ler) explicado esse estranho contágio simpático que, às vezes, se estabelece entre nós e os sons de uma língua desconhecida, que nem sequer entendemos. Será talvez da mesma natureza da empatia que experimentamos por uma ária, uma melodia, um trecho musical que, feitos apenas de sons, sem representação ou equivalente material, nos seduzem, misteriosamente. Assim se poderá explicar, por exemplo, o sucesso estrondoso que Amália Rodrigues teve no Japão, há muitos anos atrás; ou, mais recentemente, um idêntico sucesso, dos Madredeus, nesse mesmo país asiático. Perante plateias que, na sua quase totalidade, não dominavam a língua portuguesa.
Eu próprio experimentei essa adesão afectuosa (ou hipnótica), também, em 1967 (1968?), ao ouvir Yevtushenko (1932), no Capitólio (ou terá sido no Maria Vitória?), em Lisboa, declamar Babi Yar e A Cidade do sim e a cidade do não, na sua voz vibrante e em russo, em que apenas o sim e o não me eram perceptíveis. O mesmo que me acontece, por vezes, quando ouço Mikis Theodorakis a cantar, em grego, e a dirigir uma orquestra. Aqui, no entanto, também a gesticulação contribui para o encantamento. Como se o movimento dos gestos, prolongasse o corpo, e os seus fios finíssimos e invisíveis, amarrassem outros corpos, de forma sedutora e fatal. Será a isto que se chama carisma?

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pelo Sol chegado


Parece trágica, a canhestra e ululante alegria das gaivotas, sobre o Tejo, agora que o Sol abriu pela tarde. Há muito que, para mim e pela estridência agressiva dos seus pios roucos, corpulentas e numerosas, deixaram, poeticamente, de "trazer-me o céu de Lisboa" - como O'Neill gostava de dizer. E Amália, de cantar.
Mas, hoje, perdoo-lhes, porque vieram com o Sol, neste Dezembro do nosso descontentamento.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Divagações 2


Há um frio sobre o frio destes descampados de nenhures, cercados de altas torres de escritórios apagados e sem gente. Destes largos passeios desertos que servem unicamente para demarcar ruas sem pessoas, onde os automóveis passam, continuamente, em direcção à noite.
À espera, e vendo-as altas, lembro-me de O'Neill, da canção e dos versos: "Se uma gaivota viesse..." E penso que cinquenta anos bastaram para quebrar este lirismo. As gaivotas estão mais gordas, mais agressivas, quase nos disputam o espaço, parecem desafiar-nos, em terra. Pairam sobre monturos, sobrevoam os aterros a céu aberto, bicam frenéticas o lixo das ruas. Papos cheios como alados adolescentes obesos que já não sabem voar. São agora aves antipáticas. Deixaram o seu voo elegante sobre as águas, para descerem à terra. Já quase não seguem os barcos e as traineiras quando regressam da faina, à espera de algum peixe que os pescadores deitem borda fora. Perderam todo o encanto aéreo que mereciam nos versos de Alexandre O'Neill, que Amália tão bem cantava. Já não trazem o céu de Lisboa, no bico. Mas o lixo de Lisboa, nestes ermos cinzentos de torres apagadas e sem gente, onde passam carros, continuamente, em direcção à noite.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Umm Kulthum

Por razões conhecidas, o Egipto está na ordem do dia. Oxalá (que vem do árabe, e quer dizer queira deus) que para bem, no futuro. Egipto lembra-me Nasser, mas também Umm Kulthum, no que diz respeito ao séc. XX. A cantora (contralto) Umm Kulthum (1898-1975) foi para o Egipto, o que Amália foi e é para Portugal. Ainda hoje a cantora, nascida no Egipto, é considerada uma das maiores cantoras do mundo árabe. Quando morreu, a 3 de Fevereiro de 1975, fizeram-lhe funerais nacionais que foram acompanhados por milhares de populares.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Amália Rodrigues, em sequência do voluminho de canções


Este é o fado de Amália, cuja letra consta no livrinho de canções do poste anterior. Era cantado por Amália Rodrigues no filme "Sangue Toureiro", de 1958.

Curiosidades 27 : Folhetos e afins, anos 50


Eram baratos e populares, estes folhetos e os voluminhos com capas coloridas e canções em voga, nas páginas interiores. Vendiam-se pelos quiosques e havia nos comboios (Campanhã e Sta. Apolónia), antes de partirem, vendedores que passavam nas carruagens a apregoá-los. Eram de publicação semanal, em papel de muito fraca qualidade. Os folhetos traziam histórias de dramalhões, grandes amores infelizes, mas também aventuras do faroeste, ou outras. São edições feitas no Porto, como se pode ver pelas capas. Mas também os havia, de Lisboa.
O livrinho de canções, com Grace Kelly na capa, que se mostra na imagem, tinha a letra de várias canções, em moda, como por exemplo:
- Quien Será - Pedro Infante
- El Pequeño Ruiseñor - cantado por Joselito
- Fado Rock - interpretado por Artur Ribeiro
- Um Só Amor - Amália Rodrigues
- Marusela - com letra de E. Bonagura e interpretado por Renato Carosone
- Besos - cantado e tocado pelo Trio Odemira; entre vários outros de nomes desconhecidos, hoje.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Camões por José Afonso

Nem todos os poetas serão cantáveis. Mas Quevedo que, às vezes, parece áspero, como o nosso bom Sá, já o foi. Fundamental é que a voz encontre as palavras, no sentimento certo. Como fez José Afonso ou Amália.

P. S.: para o Luís, com as melhores lembranças.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Memória 12 : Carmen Miranda


Amanhã, 9 de Fevereiro, completam-se 101 anos sobre o nascimento de Carmen Miranda (1909-1955) numa pequena freguesia de Marco de Canavezes. Fez carreira de sucesso no Brasil e Estados Unidos da América. Antes de Amália Rodrigues foi a cantora de origem portuguesa mais conhecida, universalmente.