O
imponente edifício da TT, olhado do relvado fronteiriço, revela a sua
degradação e falta de manutenção com o aproximar dos passos até à entrada.
Lá dentro, a “monumental” escadaria pareceu-me, sempre, à semelhança do difícil
acesso ao céu, como imagem perfeita dos sacrifícios impostos ao penitente –
quiçá pedinte – para redimir o seu pecado de ter ousado querer entrar em
espaços tão etéreos e nobres.
Ultrapassada
esta fase iniciática, que implica, normalmente, uma prolongada espera de mais
de 30 dias a aguardar que “recaia despacho superior favorável” a pedidos de
consulta, o leitor sujeita-se ao crivo de uns quantos – numerosos –
funcionários “mui” próprios. A sensação que nos fica é semelhante a daquelas
lojas, com muito bom aspecto, em que os empregados não percebem nada da poda,
tanto vendem “trapos” como “caramelos”.
Com
efeito, há uma carência básica no domínio de palavras tão essenciais como
difíceis, a saber, “princípios metodológicos” que obrigam a uma consulta
PRESENCIAL dos documentos. Se determinados princípios fossem compreendidos por
quem de dever, poupava-se o leitor a um
calvário imenso recheado de “pedras” e “flores de ignorância”, de que a troca
de “fólios” por “páginas” na reprodução de documentos é apenas um leve acidente
de percurso.
Soube,
presencialmente e no presente mês, que um pedido último, datado de 30.6.2014,
não foi despachado porque não “entrou”, já que o endereço electrónico mudou e o
“sistema” esqueceu-se de captar as solicitações anteriores, entregues a uma
qualquer “nuvem informática”. Feito, então, novo pedido, recebi uma “recaída
superior”, solícita e esclarecedora da ignorância metodológica. Adverte uma
excelente senhora que o documento – um fólio impresso – se encontra disponível online, o que eu já sabia, aconselhando,
depois de fornecer as medidas do corpo do texto, que descarregasse a imagem
para “realizar as medições necessárias, bem como analisar a marca de água” (!).
Sublinha-se que o impresso tem na sua mancha gráfica tipos de corpos
diferentes, para além de tarjas e duma inicial.
Resta
acrescentar que tive conhecimento do impresso através de “mão amiguíssima” –
rato de biblioteca no mais nobre sentido da palavra – já que os “auxiliares de
consulta” e, sobretudo, o catálogo electrónico da TT não prestam auxílio algum
e a visualização de imagens online é
uma verdadeira tortura. Pode acontecer que uma pesquisa por ORDEM DE SANTIAGO
nos remeta para mais de 5000 entradas com a palavra “pereira” e sabe-se lá o
motivo da resposta.
No
entanto, e no meio de tantas pedras no caminho para observar presencialmente um
documento, não pode deixar de ser curioso contemplar a liberalidade – quiçá
falta de rigor – com que certos leitores se rodeiam, na sala de leitura, de
garrafinhas ou garrafas de 1.5 l de água em cima ou ao lado das mesas de trabalho.
Mas, sou certamente eu que não entendo os efeitos dos tempos modernos !
Se
há quem tome um bom pequeno-almoço antes de ir a uma Repartição de Finanças,
confesso que preciso mais para cumprir o meu “dever metodológico” e observar,
em presença, documentos na Torre do Tombo.
Post de HMJ, dedicado a JAD, como "Santiago aos Mouros"