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terça-feira, 31 de março de 2026

Armando Alves (1935-2026)

 

Destacado artista visual, integrando Os Quato Vintes (com Angelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro), assim chamados pela nota obtida nas Belas Artes do Porto, Armando Alves faleceu hoje, deixando o seu nome ligado à notável qualidade estética da obra gráfica da Editorial Inova, e não só.
Aqui deixamos um seu desenho, a tinta da china, de nossa propriedade, e que nos foi oferecido pelo A. de A. Mattos, que também era grande apreciador dos seus trabalhos.



sábado, 2 de agosto de 2025

Divagações 208

 

Gradual e normalmente, com o tempo, a minha correspondência foi-se reduzindo ao mínimo e/ou ao que seria educado e obrigatório, ou meramente formal. Mas dele, amigo meu, reencontro-a do passado, para mim, a cada passo. em livros, gavetas, nos sítios mais improváveis. Postais ilustrados, sobretudo, da Itália, de França, Espanha, Alemanha, até da Lituânia, dando notícias ou narrando algum episódio pitoresco. De Portugal nem se fala, um número imenso de sinais e imagens.
Através deles reunidos e agrupados se poderia, de algum modo, reconstituir o percurso de uma vida e seus estados de espírito.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Mercearias Finas 209

 

Perguntar-se-á o que virão aqui fazer as imagens, em fotografia, de algumas preciosidades enológicas portuguesas, que passo a descrever cronológicamente:

1. Bairrada Garrafeira 1980 das Caves D. Teodósio, e que custou, na altura (anos 90), Esc. 1.055$00.
2. Barca Velha 1985, ícone dos vinhos nacionais que me foi oferecido pelo meu Amigo A. de A. Mattos.
3. Sogrape Garrafeira Bairrada 1985 que, numa mercearia da rua do Arsenal (Lisboa), me custou Esc. 890$00.

Ora, estes tintos de gabarito vieram à colação por os associar, em qualidade, a um Barolo de 2018 (oferta gentil do meu Amigo H. N.) que decidi abrir para acompanhar um rosbife de vitela maronesa excelente, há poucos dias atrás. O tinto italiano portou-se lindamente, nos seus 13,5º equilibrados. Como é costume deste Nebbiolo monocasta a que chamam o rei dos vinhos do Piemonte - com inteira propriedade.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

arte menor (39)



À memória de um Amigo 


Não mais nos apetecem avenidas, 
mas campos rasos com o mar ao fundo,
aves soltas batidas pela chuva,
amores que se perderam no caminho.

Um vento inesperado a saber de nós.


Sb., 26/10/23.

domingo, 23 de outubro de 2022

Adagiário CCCXLII e/ou Mercearias Finas 183



Pimientos Padrón, unos pican y otros non.


( Provérbio Galego)


Esta parceria temática em memória de A. de A. M., que tanto gostava deles e mos deu a conhecer.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Recuperado de um moleskine (37)

 


É sempre uma tentação voltar ao Largo, à procura do que sei já estar extinto. Por vezes o instinto é um caminho à parte, ou um atalho estranho que se impõe de nenhures. A praça quase poderia ser o centro de uma aldeia interior, no seu formato irregular e hexagonal. Duas ou três árvores despidas por Janeiro. Com vento, ouvem-se as ondas a bater no cais desmoronado, lá ao fundo. E há tudo o que poderia fazer falta numa vila pequena: farmácia, tabacaria, café, mercearia, o posto de correio... Volto à paisagem e sossego ao ver-te sorridente na fotografia da memória, embora a luz, agora, seja do Sul, limpo, e nem haja vestígios de rio ou mar pelo cenário ermo e vazio. Depois, há sempre a tentativa de atenuar ou expiar a culpa, ainda que ela nem sequer exista. Afinal, que sabemos nós da ficção que, por vezes, nos invade brutalmente a realidade de viver, seja por via da dor, da saudade ou daquilo que é irremediável? Que sirva de exorcismo o que não tem remédio... Fique a rocha bruta a brotar do rio, e as águas à nossa frente, logo pela manhã. Tudo o resto é extático, irremediável, fixo no passado, já sem história à vista.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

arte menor (31)


Elegia

À beira-mar se perdem
as últimas palavras
por entre o nevoeiro
denso, a memória dos rios
inesperadamente juvenis
e o desconforto da terra
residente.

É quando a morte  faz da vida
esta ficção amarga e futura
de passos perdidos na mentira,
da ausência escura
para sempre.


Sb. 1/7/2020.


à memória de A. de A. Mattos

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Osmose 113


Se houvesse além, havias de já ter dito alguma coisa, depois de arrumares as tuas roupas, livros e  outros pertences, ao chegares. Sempre foste mais arrumado que eu - lembro-me bem. Excepto no final dos teus dias, já mais complicados.
Mas tenho imensa dificuldade em situar-te, agora. Saiba embora que estás nalgum lado: mas qual o espaço eleito, o cenário preferido para te recordar? A Norte ou a Sul? A Foz húmida dos últimos dias ou a Caparica, ainda quase juvenil e luminosa dos antigos Verões despreocupados e dos Agostos imensos encantados e alegres, povoados de crianças que eram nossas?
Sei, porém, que é em mim, no presente, que te hei-de encontrar.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

De Auden para Yeats





In Memory of W. B. Yeats
(d. Jan. 1939)

I

Morreu quando o inverno agonizava,
Os regatos estavam gelados, os aeroportos quase desertos,
E a própria neve desfigurava as estátuas pelas ruas;
Até o mercúrio se contraía pela boca do dia moribundo
E todos os instrumentos convergiam de frio, concordavam
Que o dia da sua morte era um negro, gélido dia.

Para longe da sua doença
Os lobos desapareceram no denso mais verde das florestas,
O rústico rio selvagem nem sequer foi atraído para os cais
Mais amenos; e as bocas mais gentis e discretas
Souberam poupar os seus poemas à morte do poeta.

Embora para ele tivesse sido, com efeito, a última tarde,
Um entardecer de freiras e rumores;
Todas as regiões do seu corpo revoltadas,
As praças da sua alma, de repente, despovoadas
E o silêncio invadiu todos os subúrbios;
A energia mais íntima do sentimento apagou-se. Ficou a dos outros

Seguidores. Agora ele está espalhado por centenas de lugares
E sente-se obrigado a ser gentil com os desconhecidos
Para encontrar a felicidade por entre estranhos tecidos
E ser castigado por códigos novos e alheios
De um outro vocabulário de homem falecido
Alterado pelas regras dos sobreviventes.

Mas no que vier a ser importante ou ruído de amanhã
Quando os corretores rugirem como feras pela Bolsa,
E os pobres tiverem sofrido tudo aquilo para que estão fadados,
E todos nas celas de cada um se convencerem da sua liberdade,
Alguns poucos milhares hão-de pensar na importância deste dia
Como quando alguém se apercebe no dia em que fez algo extraordinário,
Aquilo, no fundo, em que os instrumentos metereológicos concordaram
Que o dia da sua morte foi extremamente escuro e muito frio.

II

Eras tão ignorante quanto nós, mas o teu dom foi sobreviver a tudo:
À paróquia das senhoras finas, à física decadência;
A ti próprio. A loucura da Irlanda feriu-te bem fundo de poesia.
Agora a Irlanda tem outra loucura bem como o seu tempo tranquilo,
Pois a poesia não faz acontecer já nada de novo: sobrevive
No vale onde é feita e por onde os executivos
Não querem entrar, e desliza em direcção ao sul
De quintas isoladas e sentimentos diligentes,
Ingénuas cidades em que acreditamos e onde morremos;
Apenas sobrevive uma forma de ser, uma única boca.

III

Terra!, recebe este honrado hóspede:
William Yeats veio para repousar.
Deixa que o barco aporte
Despido de toda a sua poesia.

No escuro pesadelo
Todos os cães da Europa ladram
E as nações existentes aguardam,
Cada uma sequestrada no seu ódio;

A desgraça intelectual
Vai-se reflectindo em cada face,
E mares de misericórdia aí ficam
Fechados e gelados no olhar.

Segue, poeta, vai além
Até ao fim da noite,
Com a tua voz enfim liberta
Convence-nos ao júbilo.

Com o cultivo de um verso
Constrói o destino da vinha,
Contra o insucesso humano
Num êxtase de angústia;

Pelos ermos do coração
Deixa que rompa a ferida da fonte,
Pela prisão de cada dia
Ensina o homem livre a celebrar.


W. H. Auden


( versão portuguesa, feita em memória de A. de A. M.)

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Arquivo morto


Nem todas as histórias infantis são para crianças. Lembro-me de, em tenros anos, ter lido algumas que me deixaram uma desagradável impressão. Creio que uma delas tinha por título A Princesa dos sapatos de ferro, ou qualquer coisa assim parecida... Não me lembro, porém, do nome do autor. Mas recordo que o conto tinha ilustrações de Augusto Gomes.
Este pequeno trecho de Ilse Losa (1913-2006) foi mandado para o extinto JL&L, em 1989, através do meu amigo A. de A. M., acompanhado de um post-it, a ele endereçado, como se pode ver na imagem. Não sei se chegou a ser publicado, ou se está inédito, mas também me parece que é uma história para adultos e menos para crianças.



com agradecimentos a A. de A. M..

domingo, 25 de agosto de 2019

Mercearias Finas 149


De conservador que sou, de vez em quando, dou-me a inovações para "desmanchar a regra" (A. de A. M.) e destruir o tédio ou o fastio, se existirem. De sobremesas, que me lembre, já vou em três criações originais, mas não registei patente.
Até tarde na vida, sempre pensei que a tríade marmelada (de fabrico caseiro), queijo flamengo (dos Açores, de preferência) e banana (das pequeninas da Madeira, se for possível) era uma sobremesa, por tradição, doméstica e banal, até que a vi constar de ementas de pensões e restaurantes modestos, sobretudo do Norte.
Em casa, e no Inverno, fui subindo a parada. O flamengo passou a Castelões, primeiro. Depois, havendo desafogo e matéria prima, deu lugar a Queijo da Serra - um luxo!
De há 2 ou 3 anos a esta parte, criei uma nova combinação, eliminando a banana porém: marmelada e queijo Roquefort. E não é que funciona - e bem - talvez pelo contraste?!
Para acompanhar, sugiro um branco Terras do Sado ou Regional Lisboa, lotados com Arinto e Fernão Pires, tirando a garrafa do frigorífico 1 hora antes, para estar simplesmente fresco.
Um bom almoço de Domingo - são os meus votos.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Mercearias Finas 146


Vai hoje a temática do poste, maioritariamente, em transcrição do livro Uma História Saborosa do Mundo (Casa das Letras, 2008), até porque, em matéria gastronómica, de Coimbra e Viseu não trouxe recordações de maior. Para lá de uma merenda ajantarada de convívio ameníssimo, em casa de um grande amigo que já não via há muito.
Actualmente, é difícil imaginarmos a preciosidade que representavam as especiarias para os nossos avoengos de quinhentos. Elas foram também, por motivos de comércio, uma das razões dos descobrimentos e fizeram algumas fortunas, sobretudo entre os nobres e alguns navegadores.
Mas o melhor será dar a palavra a Kenneth F. Kiple (1939), através de um pequeno excerto da página 134 da sua obra, acima referida.
Assim:

As cidades portuárias, como Lisboa, Londres, Dublin e Amesterdão enriqueceram com o comércio das especiarias, tal como cidades continentais como Constância, Augsburgo e Nuremberga. Todavia, as especiarias orientais, com inúmeros intermediários a subirem os preços ao longo do percurso, tornaram-se demasiado caras mesmo para os ricos. Um documento alemão de 1393 indica que meio quilo de noz-moscada valia sete vacas gordas e meio quilo de gengibre dava para comprar uma ovelha. A gente do povo, excluída do mercado das especiarias exóticas, tinha de se contentar com as plantas amargas regionais. Entre as mais adequadas, contavam-se os cominhos (Carum carvi), a genciana (género Gentiana), o zimbro (Juniperus communis) e o rábano picante (Armoracia rusticana).

com agradecimentos, dúplices, a A. de A. M. e a A. J. R. M. M.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Os mecanismos de substituição


Admito que não tenha sido por acaso que se convencionou, para hoje, celebrar-se o Dia dos Irmãos que, ontem no jornal Público e em crónica, Guilherme d'Oliveira Martins, afectuosamente, lembrou. Cair a data, no signo dos Gémeos, terá alguma razão de ser. Embora se a crismássemos de Dia da Fraternidade, a opção talvez fosse mais ampla. Até porque há quem não tenha tido irmãos.
A exemplo de Ulisses, o homérico homem dos mil ardis, quem os não tem, pode sempre inventá-los. Ou escolhê-los, que ainda será melhor. Foi o que fiz, desprovido que fui, por sangue, de fraternas presenças. Duas figuras humanas, com o tempo, foram crescendo a meu lado e ganhando o meu afecto crescente e natural, talvez por íntima afinidade e delicada proximidade de sentimentos. Cabe-me, por isso, lembrá-las com ternura. A Fernanda, que irei rever, hoje, e o António, que sempre, memorialmente, me acompanha.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Sensibilidades


Em recente questionário-entrevista, a um semanário, o musicólogo Rui Vieira Nery (1957), à pergunta : "Um músico pode não ser um artista?", respondeu: "Um verdadeiro músico é sempre, por definição, um artista. Mas depois, claro, há os outros..."
Se o exercício profissional de uma actividade pressupõe alguma coisa de mecânico e automático,  rotineiro enfim, impessoal e neutro, até determinada altura, na minha vida, eu imaginava que os cultores de algumas funções artísticas eram dotados de uma especial sensibilidade.
Até que um dia, questionei o meu amigo António - que fora compagnon de route de uma orquestra do Norte - sobre a especial sensibilidade dos músicos. Respondeu-me, mais ou menos, assim: Não te iludas, uma boa parte são uns burgessos!...
Na verdade, eu tinha-me esquecido da forma como Fellini os vira e tratara em "Ensaio da orquestra" (1978)...

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Outro lado


Felizmente que as camisas havaianas berrantes, os chanatos chineses de plástico rasca e os calções desengonçados, que deixam à mostra as pernas branquelas e anémicas dos turistas aos molhos, não chegaram ainda a Canide, a Lavadores, nem sequer à Afurada. Os turistas pack-chapa-zero ficam-se pela Lello e pela torre dos Clérigos, e por aí se babam de pasmo incontinente e fotos sucessivas.
Deixaram-nos os areais limpos e o azul cobalto das águas, o silêncio maravilhoso da paisagem natural e o conforto de os olharmos, tranquilamente.
E, depois, com quatro sardinhas a cada um, uns nacos de broa e um branco da casa, fresquinho, na esplanada da tasca modesta, só ouvíamos falar português. Com moderação e sem selfies...
Ainda há outros mundos, felizmente, não poluidos de todo.

para A. de A. M., com grato reconhecimento, e em memória.

sábado, 22 de setembro de 2018

Memória 124


O Stencil teve grande uso e voga até, pelo menos, meados dos anos 90. Mais barato que as fotocópias, na altura, e de fácil reprodução em quantidade, fazia as vezes de jornal político clandestino para as organizações de extrema-esquerda e maoístas, principalmente. Mas também era usado como arma de arremesso e denúncia anónima de instituições laicas.


É o caso deste O Escândalo das Letras (EoL), de Abril de 1989, que se destinava a incomodar a nossa república literária, ou beliscar, mordaz, alguns bonzos ou figuras instaladas em certas instituições literárias. Com 12 páginas stencilizadas, este pasquim interessante, é hoje, certamente, um documento raro. Não haverá, por aí, muitos exemplares sobreviventes que possam vir a ser consultados.


Por essa razão, aqui deixo algumas imagens do exemplar nº 0, para se fazer a ideia de uma época e das motivações, efémeras, que o justificaram, na sua origem panfletária.

com envoi fraterno para A. de A. M..

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Retro (98)


Quase todos os conflitos bélicos, a partir do século XX, foram acompanhados, por parte dos governos envolvidos, de propaganda justificativa das razões que legitimavam as guerras. Essa propaganda poderia ser radiofónica, assumir a forma de cartazes, publicações escritas distribuídas gratuitamente aos cidadãos (e em países amigos e aliados) ou, em tempos mais recentes, ocupar espaços de antena televisivos.
E se as imagens, a partir da II Grande Guerra, tiveram uma importância preponderante, na I Grande Guerra eram os folhetos escritos a forma mais usada para ganhar as consciências, sobretudo das classes mais cultas e letradas.


Alguns se hão-de lembrar de dois ou três slogans estadonovistas, difundidos constantemente nos microfones da antiga E. N.. Um, de meados dos anos 50: Os sinos da velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses, para reagrupar os nacionais em defesa do ex-Estado da Índia. O outro, no início dos anos 60, acompanhado de música marcial, que entoava em estribilho o Angola é nossa!
Os chamados Campos de Concentração foram criação original do Império Britânico, na África do Sul, aquando da guerra anglo-boer (1899-1902), destinando-se ao acantonamento, em espaço restrito, das populações de colonos de origem holandesa.


Não deixa por isso de ser irónico que, destes 4 folhetos ingleses (seguramente, destinados a Portugal), em imagem, um deles se ocupe a verberar, em 1916, Os Horrores de Wittenberg, sobre as condições desumanas dos prisioneiros britânicos em território alemão, durante a I Grande Guerra. Chamo ainda a atenção para o folheto A Perspectiva da Guerra, que foi subscrito, em 1915, pelo célebre criador de Sherlock Holmes -  Arthur Conan Doyle. O opúsculo destinava-se, principalmente, a justificar a Expedição dos Dardanelos, tentando desvalorizar a derrota e as muitas mortes de soldados britânicos (cerca de 100.000) por que se saldou.


grato reconhecimento a A. de A. M., que me facultou o uso destas interessantes publicações.





quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Recomendado : setenta e dois - Óscar Lopes


Lançada no mês passado de Outubro, em homenagem a Óscar Lopes (1917-2013), pela passagem do centenário do seu nascimento, esta fotobiografia (Óscar Lopes - retrato de rosto), orientada por Manuela Espírito Santo, sob o patrocínio da Câmara de Matosinhos, é um documento precioso. Não só pela copiosa iconografia, mas também pela correspondência de e para Óscar Lopes, reproduzida. E pelos testemunhos muito diversos e importantes, aí inseridos.

agradecimentos fraternos a A. de A. M..

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Formar o gosto


Há dívidas que nunca mais se pagam. E eu tenho uma delas para com Óscar Lopes (1917-2013).
Não tanto pelos livros que publicou, de que se destaca a História da Literatura Portuguesa, mas sobretudo pelo seu magistério crítico que, ao longo dos anos, foi exercendo, às terças-feiras, no suplemento literário Cultura e Arte, de "O Comércio do Porto".
Pelas suas recensões semanais fui apurando o meu sentido crítico, aprendendo a separar o trigo do joio literário, a melhor compreender a prosa e a poesia portuguesa, que, então, se ia publicando. A agudeza das suas sínteses, a fina intuição que não excluía o afecto (o texto à morte de Mário Sacramento, é um magnífico exemplo de amizade), deixaram marcas na minha memória.
Conheci-o pessoalmente já tarde, por intermédio do nosso comum amigo António, num dia atribulado de lançamento de um livro, em Lisboa. Era a simplicidade em pessoa, apesar da sua imensa sabedoria.
Aqui o quero lembrar, 4 dias depois da passagem do centenário do seu nascimento. Com gratidão.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Arquivos, espólios, cartas, fotografias, recortes...


Nem sempre os espólios passam de ser vivo para ser vivo. Naturalmente, a trasladação passa de pessoas desaparecidas para sobreviventes ou herdeiros, ou, noutros casos, para instituições capazes de cuidar desses papéis, de forma técnica e apropriada. Essas heranças dão-se, muitas vezes, por razões de espaço a ganhar, em casas particulares sem grandes dimensões, nem capacidade de armazenamento físico. Noutras ocasiões, os donos desses espólios, por questões práticas, resolvem doar em vida ou vender, a instituições culturais ou regionais, o excedente supérfluo para poderem conservar o essencial, em sua casa.
Passei, recentemente, cerca de 4 dias a desbastar cerca de uma centena de envelopes, que me tinham sido confiados ad eternum, por um Amigo. E, isto, porque eu próprio também estava a necessitar de espaço em minha casa. Ordenado alfabeticamente, o espólio tinha servido de suporte a uma publicação cultural que, já há largos anos, tinha deixado de existir. Nos envelopes, havia de tudo: fotocópias, cartas, recortes de jornais, revistas, fotografias, cartões de visita, C. V., bibliografias... Uma grande parte documental perdera, entretanto e completamente, a actualidade e/ou interesse do que fora, em tempos (15/30 anos, atrás), acontecimento notabilíssimo. A lei do tempo que, como disse Yourcenar, é um grande escultor.
De tudo isso conservei apenas cerca de um quinto do acervo inicial.

para A. de A. M., afectuosamente.