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segunda-feira, 19 de março de 2012

João Rui de Sousa




Corpo de Ambiguidade

posso e não posso ir-me noite fora
nestes pilares do medo  desta dor
- é quando os dedos ferem (não se tocam)
é quando hesito e coro

é quando vou não vou neste mergulho
em seco a imergir em pobre chão
de caos e flor e vinho e confusão

é quando sem chorar me escondo e choro


Nota: voz discreta e poeta pouco disposto às arenas literárias, João Rui de Sousa (1928) foi galardoado, pela A. P. E., com o Prémio Vida Literária 2012. Merecidamente.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pedro Tamen



Foi uma boa notícia, logo pela manhã: Pedro Tamen (1934) venceu o Grande Prémio de Poesia 2010, da A. P. E.. Porque, embora se considere um "jeune garçon bien rangé" (Revista Ler, Fev. 2011), a sua poesia é tudo menos isso, como aliás também referiu na mesma entrevista: "A poesia é o meu território de liberdade." Ou, através de palavras em verso, mais antigas: "...visão de perto e carne, e ponte estrada/ para coisas de branco e sem medida."

terça-feira, 9 de março de 2010

uma Senhora da cultura



Tive o privilégio de a ter tido como professora, em Coimbra, no início dos anos sessenta, ainda a Profª. Dra. Maria Helena da Rocha Pereira (1925) não tinha completado 40 anos. Era também clássica no trajar e, raramente, dava as aulas com o cabelo a descoberto. O sorriso muito discreto, quando falava da "aurora de dedos róseos", não me permitia adivinhar - na ignorância própria da minha juventude - que ela gostava muito de poesia. E, só muito mais tarde, o vim a perceber. Por isso, quando a manhã de hoje me trouxe a boa nova de que a minha Professora de Coimbra tinha sido agraciada com o prémio "Vida Literária", da A. P. E., reconciliei-me, uma vez mais, com o meu País. Mesmo quando a notícia é postergada para a nona página do suplemento do "Público"; e os Óscares tenham direito à 1ª página: no jornal e no suplemento.

Eu sei: estamos em Portugal. A cultura grega ou a cultura portuguesa o que valem?...face à cultura de Hollywood?..., bem pequena coisa, infelizmente...Por uma uma vez, no entanto, este país parôlo e, tanta vez, provinciano, reconheceu, através duma das suas Instituições, a qualidade enorme desta Senhora da cultura. Não é de perder a esperança no futuro...

" A la minoría siempre", como dizia Juan Ramón Jimenez, longa vida à Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira! E obrigado.