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domingo, 3 de setembro de 2017

Palavras mágicas


As expressões Shazam e  Abracadabra perderam, há muito, a sua força encantatória. Agora, são as workshops, as startups e quejandos, que fazem sonhar. Para alguns, ditas estas palavras, logo eles entram em transe hipnótico de felicidade tecnológica e alumbramentos de alma.
Graças aos economistas, aos comentadores espúrios, aos CEO, aos informáticos mono-aculturados e a alguma juventude pária, o linguajar português transformou-se, pouco a pouco, numa incaracterística manta de retalhos, talvez semelhante à "linguagem meada de ervilhaca" de que falava Camões, na sua carta da Índia.
Penso até que não devíamos perder mais tempo com a CPLP, por causa do A. O.. Melhor seria encetarmos negociações, pragmaticamente e desde já, com a administração norte-americana. E criarmos, cheia de futuro, uma nova sub-língua, neste rectangular espaço europeu à beira-mar plantado. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Como tornar-se iletrado e analfabeto em curso intensivo do Google e quejandos, na Net

Quando reabro, aqui no Arpose, o recentemente postado vídeo dos R. E. M. (At my most beautiful) surge-me, quase invariavelmente, logo no primeiro minuto da audição, ao fundo, um rectângulo impertinente e publicitário. De algum modo, já estou habituado, porque os marcanos aproveitam tudo para ganhar dinheiro...
Mas desta vez, excederam-se. O título é exemplar: Problemas De Próstrata - assim mesmo! E o resto do anúncio não destoa deste português reles, inicial.
Deve ser, em linguagem de ervilhaca, de que falava Camões, na sua carta da Índia, algum remédio para tratar dos Prós... Está muito bem.
E não pensem que isto tem a ver com o A. O.. Quando muito, é mais uma das traduções hilariantes do inefável Google, em conúbio foleiro com o Youtube. Para ganhar dinheiro, sem olhar a meios.

domingo, 13 de março de 2016

Divagações 109


Não há nada como arrumar os sonhos, para começar o dia por inteiro. Ora, às vezes, é bem difícil...
Imagine-se um capítulo em que entram, de forma quase caótica, um Mestre parado e cristalizado nos anos, que nos recomenda, veemente, um crítico já falecido; uma rua ensolarada da Amadora envolvida em sedução e tatuagens (ou seriam graffiti?), Vasco da Graça Moura armado em duelista sobre o Acordo O., um prémio pouco esclarecido sobre um poema que nem tinha começado... sobre um broto redondo de um limoeiro que se vai formando em fruto oval, pela graça de deus. Mais uma rola invisível que, paralela a mim e saltitando de árvore em árvore, arrulha incessantemente. A isto se junte o desenrolar de um pedestre que tenta chegar a Campolide.
Fico-me pelo limão, arrumo as outras bugigangas para debaixo da cama, e vou à vida. Porque hoje é domingo...