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domingo, 12 de julho de 2015

Apontamento 72: Grandeza



Curioso apelo de um jornalista, no DER SPIEGEL de hoje, apelando à Srª Merkel para “mostrar grandeza” perante um projecto superior a qualquer “racionalidade contabilística”, i.e. incentivando-a a optar por defender uma Europa de Paz.

Defendi, numa conversa familiar sobre a conturbada História da Europa, que a maioria dos alemães nem têm noção da sua História, como demonstra o seu actual “contabilista-mor”. Duvido, por isso, que a Srª promovida, durante algum tempo como protagonista da História Alemã, a chanceler, alcance o sentido profundo do apelo do jornalista.

Duvido, pois, da suprema inteligência de chanceleres cientistas, mesmo de físicas ou químicas, quando se reduzem ao seu terrunho. Sucede que, com frequência, não percebem o mundo na sua essência geográfica, humana, cultural e social. Por isso, apelos “a grandeza de espírito” não têm o seu efeito, porque a pessoa em causa não alcança o imperativo: ético, cultural e humano.

Para tentar redimir este pecado supremo de humilhação de um povo – neste caso da Grécia – lembrei-me da Sinfonia Renana de Schumann que, nos meus tempos de adolescência, abria o noticiário local. Era uma altura em que a cultura se aliava à política. Ou seja, bons tempos de grandeza de espírito que, infelizmente, não existem actualmente.


Post de HMJ 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Apontamento 47: A deriva da Senhora Merkel é um pesadelo para o cidadão da Europa



Poucos dias antes das eleições para o Parlamento Europeu, a Senhora Merkel brinda-nos, mais uma vez, com a sua habitual arrogância e num total desrespeito pelos tratados fundamentais da UE, a saber:

“Os membros da Comissão são escolhidos em função da sua competência geral e do seu
empenhamento europeu de entre personalidades que ofereçam todas as garantias de independência.
A Comissão exerce as suas responsabilidades com total independência.
E, os membros da Comissão não solicitam nem aceitam instruções de nenhum
Governo, instituição, órgão ou organismo.”

Ao que parece, a “poderosa” Senhora já alcançou a “concordância, na GROKO [=coligação CDU/SPD] para a «ocupação» das posições-chave na UE”, claro está, depois do resultado das eleições próximas.

Perante esta deriva, no mínimo perigosa, pergunta-se o cidadão o que significa, para os políticos da Alemanha”, o preceito fundamental da UE, prevendo que “todos os cidadãos têm o direito de participar na vida democrática da União”. O cidadão da Europa irá votar no próximo Domingo, sabendo que, no seu centro, a Alemanha já dividiu os “tachos”, e certamente a seu favor ?


De facto, o ataque aos princípios fundamentais da UE não poderia ser mais significativo. E é uma profunda afronta aos princípios democráticos dos verdadeiros cidadãos da Europa.

Post de HMJ

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Apontamento 26: Dois pesos, duas medidas



A imagem representa o dia de "tomada de posse" do novo Parlamento Alemão, com uma falta de organização evidente. Sucede que passou um mês desde que a Senhora Merkel ganhou as eleições com meia dúzia de deputados. Mas, por enquanto, ainda não existe governo, facto insólito que muitos não comentam.
A confraria vencedora, CDU/CSU, tem andado em conversações para uma coligação, já que os anteriores partidários da FDP nem sequer tiveram votos para entrar, de novo, no Parlamento. Ao que parece, e passado um mês de "conversas preliminares", tudo se encaminhará para uma "grande coligação" entre a CDU/CSU e o SPD. E o novo governo, senhores ? Para quando ?
Não obstante o "vazio de governo", os anteriores titulares ministeriais ficam em funções. Sucede, no entanto, que o Senhor Presidente da República Alemã entregou, hoje, as cartas de demissão aos ministros do FDP, sem representação parlamentar (!).
Ora, se um tal atraso na formação de um governo sucedesse num outro país da Europa, que avaliação se faria ? Ineficiência, atraso, incompetência, certamente.
Não me parece que a Senhora Merkel tenha adoptado o modo de viver à italiana, embora goste de passar férias na Itália. É preciso reconhecer que, com tamanha ineficiência, o "Império Germânico" não consegue subjugar os "povos vizinhos", cientes do embuste dos pequenos merceeiros a tentar enganar os clientes com ares de sobranceria.

Post de HMJ

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Apontamentos 8: A imigração vista pela Senhora Merkel


[Imigração para a Alemanha - 2012]


O gráfico que encima o “post” foi publicado pelo jornal DIE WELT, na sua linha editorial da “voz do dono”, para acompanhar as recentes declarações da Senhora Merkel sobre imigração, proferidas no âmbito de uma conferência sobre demografia. Perante a conhecida falta de “trabalhadores qualificados” para a indústria alemã, a “excelsa senhora” afirmou que a Alemanha tem boas condições de “acolhimento, mas com uma má imagem” lá fora. Sendo o sublinhado nosso, uma máxima deste calibre, da boca de uma pobre figura, merece um apontamento mais desenvolvido.
Existe uma categoria de alemães, de difícil transposição linguística para o espaço das línguas românicas, os chamados “Spiesser” ou “Biedermänner” – de notação depreciativa – que os ingleses designam como “narrow-minded”, o que me parece mais apropriado do que o simples “burguês atrasado” que consta do dicionário Langenscheidt. E como demonstra a máxima proferida, os “Biedermänner” não se apercebem do ridículo das suas pobres figuras, nem assumem a responsabilidade pela “má imagem” que espalham.
O que parece óbvio é que a “crise” nos países do Sul da Europa já está a servir, na perfeição, a indústria alemã, fornecendo-a com “trabalhadores qualificados”, a custo zero para o estado alemão. Certamente, as entidades alemãs dispensavam a “mobilidade indesejada” dos Romenos e Búlgaros e, por isso, andam todos preocupados. Como se vê, não é qualquer “mobilidade” que serve, apenas a “mão-de-obra qualificada” para compensar os problemas da demografia alemã.
No entanto, as declarações da Senhora Merkel fizeram-me lembrar uma peça de teatro que Max Frisch publicou em 1948, intitulado Biedermann und die Brandstifter, que os franceses traduzem como Monsieur Bonhomme et les incendiaires. Pela explicação que dei acima, a tradução francesa é demasiado lisonjeira para com os “Biedermänner”, porque lhes retira o carácter negativo de reduzidas qualificações humanas que lhes é próprio. E nada melhor do que ler a peça de Max Frisch para o confirmar. Em resumo, um “Biedermann” despede, de forma desumana, um empregado seu. Pouco depois, ele acolhe, em sua casa, primeiro um vadio, e depois outros dois, se não me engano, porventura como remissão do pecado. Rapidamente se arrepende do seu gesto, sem conseguir despachá-los. Os vadios preparam, entretanto, no sótão da casa, tudo para incendiar a casa, o que acontece no final da peça.
Ora, foi a lição que me veio à cabeça. Há por aí muitos “Biedermänner” que estão a “acolher” uns incendiários, infelizmente não na sua própria casa apenas, mas na nossa casa comum, a Europa.

Post de HMJ

terça-feira, 1 de maio de 2012

Recuperar a cultura humanista da Europa



O Suplemento 2 do Público trouxe-nos, no Domingo passado, um trabalho jornalístico que, pelo apelo à reflexão, se torna cada vez mais raro. Numa entrevista de Teresa de Sousa a Rob Riemen, do Nexus Institut, falava-se da essência – da herança cultural clássica, da Filosofia, da Literatura – como imperativo para recuperar os valores espirituais da verdade, da beleza e da justiça, expressão de uma verdadeira democracia, em detrimento de uma democracia de massas, baseada numa cultura “kitsch” que impede o pensamento crítico.
Da análise crítica e desassombrada do rumo político e social da Europa, prevalece o apelo ao humanismo europeu como “ideal a que devemos aspirar”. No entanto, o entrevistado identifica bem os responsáveis por essa “democracia de massas”, i.e., uma classe dirigente “absolutamente focada nos seus próprios interesses, que têm a ver com o dinheiro e o poder, que fez emergir aquilo a que chamo cultura kitsch”. Por conseguinte, “a nossa classe política nunca conseguirá resolver os nossos problemas porque ela é o principal problema”. A estreiteza de espírito dos nossos dirigentes não lhes permite, em vez de “salvar os bancos”, preocupar-se com as pessoas, “facultar-lhes o acesso à arte, à cultura, aos livros … para que possam tornar-se seres humanos críticos”. Enfim, diríamos com tudo o que tem sido alvo de cortes, em nome de numa ideologia, o capitalismo, que o entrevistado refere, juntamente com outros fundamentalismos, como o religioso ou outra qualquer forma de fascismo ou nacionalismo.
As palavras dedicadas ao sistema de educação não podiam ser mais eloquentes, resumindo, na essência, o que já abordámos noutro post. “Só interessa um sistema de ensino que seja bom para a economia [Belmiro/Sonae, etc agradecem] e para o Estado, ou seja, para uma classe de privilegiados, avessa a seres humanos capazes de pensar autonomamente. Num alerta relativamente aos jovens, as primeiras vítimas e mais vulneráveis desta sociedade, o entrevistado também é claro sobre a tendência de voto na extrema-direita. A sociedade kitsch fez com que acreditassem que cada um vale pelo que tem, o tipo de roupa, o relógio, os sapatos e se não “encaixares, não és nada. Querem apenas estar no Facebook e poder dizer: este sou eu”.
Sobre a miséria cultural da nossa classe dirigente, sublinhada por Rob Riemen, não resisto a acrescentar uma imagem esclarecedora:


com o ar embevecido perante um futebolista, a quem, segundo o jornal DIE ZEIT, até mandou “cartas de amor”.
Por fim, não resisto a denunciar, neste 1º de Maio, o capitalista selvagem que, despudoradamente, se aproveitou do feriado para lançar uma campanha abjecta de descontos, usando a “crise” e a “democracia de massas” em proveito próprio e, tal como o Wilders, da Holanda, país onde colocou o seu dinheiro, não é um democrata.