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sábado, 9 de maio de 2020

Memória 134


Do passado, o puzzle completa-se, quando as memórias se cruzam, havendo sobreviventes. O problema agudiza-se, no entanto, se nenhuma das testemunhas vivas recorda o acontecimento.
Aí, a única forma de comprovar a existência de um facto é encontrar um documento verídico e concreto, uma fotografia, por exemplo, que certifique o acontecido. A foto que se apresenta acima existe em França.
O acontecimento retratado ocorreu no Minho, a 6 (ou 8) de Abril de 1961. Nele estão representadas as forças vivas de um distrito (um governador civil, um presidente de câmara, um arcebispo, um arcipestre de Colegiada).
Um grupo de estudantes (14?), de capa e batina, fez a guarda de honra aos despojos ou relíquias de D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) e ao seu montante, que peregrinaram por todo o Portugal (confirmei Penafiel, Guimarães, Bragança), nessa altura. Nenhum de 4 estudantes contactados se lembra deste acontecimento.
Ocorre-me notar que ele decorreu pouco tempo antes da invasão da ex-Índia Portuguesa e pouco depois do deflagrar do terrorismo em Angola. Especulo se a organização desta peregrinação não se deveu a uma parceria Estado Novo e Igreja, no sentido de despertar o patriotismo das gentes de Portugal, para a longa guerra colonial que aí vinha?...

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Reacções


Têm sido muito diversas as reacções dos meus próximos ao estado de sítio destes tempos mais recentes, desde a resignação ponderada à impaciência frenética, da acédia à quase depressão, do realismo positivo ao pessimismo doentio, quando não, tolo. Depois, há também umas damas piedosas que se apegam com santas e santos de sua estimação. Uma coisa é comum a muita gente: o rearrumar da casa, onde os livros se incluem. Premonitoriamente, parece, eu comecei a fazê-lo ainda em Janeiro, no dealbar do presente ano.
Ontem, dizia-me um bom amigo, que já me vem da infância, que vai estando um pouco farto até porque lhe falta a adrelina, mas também nos rimos, ao telefone, de algumas situações caricatas acontecidas por aí. E, hoje, de um vídeo que me mandaram, Ana Vasconcelos, curadora da Gulbenkian, cita o pintor David Hockney (1937) que, da Normandia onde reside, de momento, teria dito: Temos que continuar a trabalhar porque, lembrem-se, não se pode cancelar a Primavera.
Ora, este parece-me ser um bom lema adequado ao tempo, em vez de perdermos as estribeiras...

domingo, 2 de setembro de 2018

Em desamor de Coimbra


Há todo um imaginário e vocabulário próprios de Coimbra. Remanescente em quase toda a gente que por lá passou. Inesperadamente, e apesar de lá ter nascido, assim como, por dois anos, lá ter cabulado, caloiro e semi-puto, parece-me que fiquei imune a esse fascínio que a cidade parece despertar.
Dizia-me o bom amigo A. C. S., na Penha, aqui há uns meses, a propósito de outras coisas: Coimbra é uma cidade morta. Sem futuro. Formam-se e fogem... Devia ter razão. Logo que a troquei por Lisboa, com a sua liberdade mais ampla, prontamente a esqueci, sem saudades.
Ficaram-me algumas palavras que a praxe académica cultivava, alguns nomes de Repúblicas, alguns trinados de serenatas, na Sé Velha, um falar limpo sem grandes entoações nem sotaques. Mas pouco mais me vem à tona, para além do Mondego, que, pelo Verão, era um fiapo ou fiozinho de água envergonhado, que mal dava para refrescarmos os pés...