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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Filatelia CXIV


O primeiro catálogo de selos portugueses, que tive, era do ano de 1953, precisamente do centenário da criação dos primeiros selos portugueses - reinado de D. Maria II (1853). Era uma edição modesta, mas digna, a preto e branco, patrocinada pela casa filatélica Simões Ferreira (Porto), mas elaborada por coleccionadores de selos com reconhecido mérito e isenção. Os preços sempre me pareceram justos. Outros catálogos fui comprando, ao longo dos anos. Nacionais e estrangeiros (Yvert, S. Gibbons, Michel).
Fui-me apercebendo das diferenças. Nos catálogos portugueses, os selos portugueses nunca baixavam de valor, acompanhando, no mínimo, a inflação. Enquanto nos estrangeiros, os preços oscilavam consoante a procura do mercado. O exemplo mais flagrante era o dos catálogos da Stanley Gibbons. Talvez por isso, as grandes colecções de selos (clássicos) portugueses foram quase todas leiloadas na praça de Londres. Como foi o caso da notável colecção do brigadeiro Cunha Lamas. Dispersando-se assim um acervo nacional importante...
Saído já há algum tempo, comprei ontem o mais recente catálogo, da Mundifil (para 2016), herdeiro nobre na sucessão do Simões Ferreira e, depois, dos catálogos Ateneu do Porto/Afinsa, orientado, aquele, por J. Miranda da Mota, conhecido e importante filatelista português. A edição é luxuosa, a cores e papel couchet, e suficientemente especializada para um coleccionador que se preze.
Em breve comparação, pouco rigorosa, pude aperceber-me que entre 2002 e 2016, os selos portugueses tiveram um aumento de valor, nos preços, entre 25% e 30%.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Filatelia LXXXIV


Diz-nos a Wikipédia que hoje se celebra o dia da Literatura (Bibliografia) Filatélica, pelo menos, no Brasil. Sobre estudos filatélicos brasileiros, tenho de confessar a minha ignorância, mas em relação a estudos filatélicos portugueses há que referir, justamente e pelo menos, Cunha Lamas e Oliveira Marques, entre alguns mais. Mas ainda hoje me espanto com a qualidade e quantidade de trabalhos e estudos ingleses sobre os selos britânicos, onde, quase tudo se pode aprender sobre o que é importante saber. Só sobre o reinado e selos da rainha Victoria (1819-1901), a Stanley Gibbons editou, em 1963, um ilustrado volume (em imagem), com 270 páginas, onde se abordam, de forma minuciosa, as peculariedades de cada emissão victoriana.
Mas os ingleses sempre foram muito próprios e singulares. Penso que são dos pouquíssimos países, onde um selo novo nunca perde a validade. Assim o selo novo, de 1 penny, na primeira linha do pequeno classificador (em imagem), sendo de 1841, poderia ser usado, ainda hoje, numa carta, na Inglaterra. Claro que não compensava, porque o seu valor filatélico é muitíssimo superior à taxa... Outra curiosidade, é que os selos ingleses da borda da folha tinham, no período victoriano, uma das margens bastante mais larga. Em imagem, da última fila do classificador, podem ver-se 3 exemplares nestas condições, que, normalmente, são mais valiosos que os restantes selos da folha. Os ingleses chamam-lhes: wing margin.
Aqui ficam duas curiosidades, que são o meu contributo para o dia da Literatura Filatélica.

domingo, 19 de junho de 2011

Filatelia XXIII : Bibliografia (1)


Iniciado em 1853, o uso do selo postal, em Portugal, nos primeiros 90 anos não se pode dizer que tenha havido muitos estudos de fundo sobre a filatelia nacional. Tirando Castro Brandão que abordou os selos "Ceres" (1942), em trabalho de fôlego, os mais alargados estudos filatélicos, foram feitas por estrangeiros. Em 1948 saíria outro trabalho, bem importante e minucioso: "Estudo das reimpressões de selos portugueses", de José da Cunha Lamas, com a colaboração de Luís da Câmara d'Orey.
Foi preciso chegar-se ao centenário do selo postal (1953) para começarem a aparecer filatelistas portugueses a divulgar e a estudar, com profundidade, as emissões nacionais. Nos primórdios, há que destacar as obras de Constantino Salvi (1887- ?), sobre carimbos de Portugal, publicada em 1929 e, anteriormente, 2 livros  do inglês Frederick John Melville (1882-1940), sobre "Cameos" e as emissões de selos entre 1880 e 1911. Estas duas obras foram editadas em 1911. Até 1953, tirando as obras referidas, de autores nacionais, o que há são artigos fragmentados e parcelares, e obras de pouco fôlego. Uma ressalva, ainda, para os trabalhos de Godofredo Ferreira (funcionário dos CTT), mas que abordam, sobretudo o funcionamento dos Correios Portugueses, através dos tempos. A primeira obra de grande fôlego começará a ser editada em 1954 e é da autoria de A. H. de Oliveira Marques: "História do Selo Postal Português", que foi reeditada em 1995. Ainda hoje é um livro imprescindível e fundamental.

para JAD, por várias razões.
  

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Filatelia I : o princípio


Gravo, para memória futura, que o início da minha colecção de selos data dos meus nove anos de idade. Se não tiver sido assim, a verdade e a data andarão por perto. E, é essa, pelo menos a referência objectiva que tenho: compraram-me o primeiro catálogo, nesse ano (ou no anterior) - Catálogo do Mercado Filatélico de 1953.
E foi a Nini (não a do Paulo de Carvalho!) que me passou o gosto. Era a mais velha das meninas Coelho, que moravam na minha rua. E a casa onde viviam, alta e matriarcal (5 contra um Pai). Desde muito pequeno, sempre lá me senti bem-vindo. Eu era uma espécie de mascote masculino num universo, marcadamente, feminino. Deixavam-me ler as revistas brasileiras do Capitão Marvel (Shazam!), contavam-me histórias, davam-me rebuçados, mostravam-me o fabuloso sótão (que a minha casa não tinha), e também brincavam comigo no quintal que tinha um baloiço vermelho enorme para a minha pequena altura.
Os primeiros selos que tive, foi a Nini quem mos deu, dos repetidos que tinha na colecção dela: de Portugal, da Polónia e da França. E foi por aqui que eu comecei a gostar, particularmente, dos selos gravados portugueses e dos talhe-doce franceses, que eram uma fascinação visual, para mim. Ainda hoje são, embora, pelo custo da produção, sejam raramente feitos por esse processo delicado. Também me lembro ainda como arranjei ou comprei alguns, ao longo da minha vida de filatelista amador. Porque os grandes filatelistas têm nome conhecido: Brigadeiro Cunha Lamas, A. H. de Oliveira Marques, C. George...
Mas é melhor começar pelo princípio, e reproduzir alguns exemplares da minha colecção. À cabeça, o 25 réis D. Maria II (que com o 5 réis foram os primeiros a ser emitidos) de Julho de 1853. Segue-se, à sua direita, o 100 réis, lilás, de D. Pedro V. Os restantes são já todos de D. Luís. De início, os selos eram cortados da folha, à tesoura, daí terem tamanho de margens muito variado. O denteado, que facilita a separação, só veio a ser utilizado, pela primeira vez, na emissão de D. Luís, fita curva, de 1867-70.

P.S.: este poste responde a ms que, há uns meses, me perguntou porque não falava de filatelia, no Arpose. Disse-lhe, na altura, que era um nicho cultural que interessava a pouca gente. Mas também é verdade que a filatelia se entrelaça na minha vida. E é, muitas vezes, um calmante natural. Por isso, hoje, não resisti, ms.