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sexta-feira, 3 de abril de 2026

As palavras do dia (57)


Em aditamento, externo, ao poste Desabafo (106), de 30 de Março de 2026, sobre o mesmo assunto, e texto do cronista António Guerreiro, na ípsilon, do jornal Público de hoje.

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Desabafo (106)

 
Conhecem-se à distância os básicos da cultura, pelos Rieus e Viegas que frequentam.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Festa na aldeia

 
Os animadores culturais chegaram à escola, há pouco, melhor dizendo à aldeia, mediante os gritos e o vozeirão roufenho dos altifalantes desregulados de terceira categoria. As criancinhas precisam de festa que, dantes, eram palestras de entediante cultura, nos tempos vagos. E os conselhos directivos não se negam a proporcionar aos pequenos selvagens o divertimento e música (?) bastante para os manterem um pouco calados, para sossego dos professores e pais ausentes.
Quem se trama são os residentes na freguesia, que têm de suportar o destempero desta nova educação moderna e barulhenta.

sábado, 31 de maio de 2025

Últimas aquisições (60)



 A influência cultural da França em Portugal, até meados do século XX, foi predominante. Antes, terá sido a catelhana e a galega, hoje predomina a inglesa e a norte-americana, com todas as vicissitudes negativas que esta última traz atrás de si.
Este número duplo e especial do Lire aborda em dossiês especializados 7 escritores clássicos da literatura gaulesa. A revista densa (226 páginas) é cara (20 euros), mas antecipo que deve valer a pena comprá-la.

terça-feira, 19 de março de 2024

Uma boa notícia



Depois do erro grosseiro de um qualquer funcionário de Cultura (?) português, que permitiu que um quadro maior de Domingos Sequeira (1768-1837) fosse levado para o estrangeiro, para ser vendido, é uma boa nova saber-se que a Fundação Lello tivesse comprado a obra e a venha a depositar num museu nacional, talvez no Norte, para a expor e ser vista pelos portugueses. Nem sempre as histórias acabam mal...

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Desabafo (79)


É frequente algumas criaturas confundirem descrições narrativas ou banalidades do dia a dia com reflexões ou pensamentos, assim as classificando; assim como há também uns e umas generalistas que fazem equivaler, simploriamente, entretenimento com cultura, numa simplificação de tolos de aldeia.
Não há dúvida que são uns felizardos...

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Confusões



Há quem misture alhos com bugalhos nos postes. E junte Rieu com Van Gogh, por exemplo.
Uma imprudência desabusada.  Até na soberba da quantidade...
Mas é no que dá a cultura básica dos espalhafatosos, ao quererem alardear sabedoria.


sábado, 22 de abril de 2023

Curiosidades 98



Deparei-me, há dias, com um bilhete de entrada, do início dos anos 60, para o Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. Custou-me Esc. 2$50, não havendo ainda nessa altura desconto para estudantes. Era este de algum modo o preço da cultura. Um jornal custava Esc. 1$00 e eu conseguia beber um café por $70. Poderiam fazer-se, nesta perspectiva, algumas comparações equivalentes com os dias de hoje.
Pouco tempo depois, tive acesso a uma lista de preços de entrada para alguns dos mais importantes museus mundiais, de que dou conta, em valores crescentes:

- Museu do Prado, Madrid, 15 euros.
- Museu do Louvre, Paris, 17 euros.
- Uffizi, Florença, 19 euros.
- Rijksmuseum, Holanda, 22,50 euros.
- MOMA, Nova Iorque, 25 dólares (ca. 23 euros).

Os nossos museus nacionais têm preços comedidos: o de Soares dos Reis (Porto) leva 5 euros pela entrada e o MNAA (Lisboa): 8 euros.
Encontrei ainda, nessa lista de preços, uma singularidade aberrante no novo Museu do Cairo. Cobra pela entrada cerca de 4,50 euros aos egípcios, mas leva  aos estrangeiros 30 euros pelo acesso!
E ainda há quem fale em desigualdades e racismo ou xenofobia...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Voltar ao Anjo Suspenso de Barlach, pelo rosto de Käthe Kollwitz



Das coisas de cultura as fronteiras são quase sempre muito pouco permeáveis. Daqui até à França vai um instante mas, se prolongarmos o percurso até à Alemanha, em parte por causa do idioma, são precisos talvez anos até lá chegar, culturalmente. Eu levei muito tempo até vir a conhecer o magnífico Schwebender Engel de Ernst  Barlach (1870-1938) que se guarda numa pequena igreja do centro de Colónia (Antoniter Kirche). O rosto  do anjo foi inspirado na também escultora Käthe Kollwitz.



Mas não somos só nós a demorarmos a chegar até tudo aquilo que a cultura alemã tem para nos oferecer. O jornal  Le Monde de 9/12/2022 dá-nos conta disso de forma muito objectiva, quanto à obra maior de Käthe Kollwitz.
Refere, de início, o artigo de Harry Bellet (e traduzo): "Quem, em França, conhece Käthe Kollwitz (1867-1945)? (...) A artista alemã é mais bem conhecida na China. (...)".

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

E não havia dinheiro para os projectores...


Até parece que, premonitoriamente, no dia 23/3/20, reflecti o nome (Dissonâncias) num poste, com o mesmo título, mas outras razões, com que iria ser crismada uma próxima exposição no Museu do Chiado (MNAC).
Só que o jornal Público informa, hoje, que a Mostra já não vai abrir por haver falta de verba para os projectores, a fim de iluminar os objectos culturais a expor.
Provavelmente a ministra da Cultura gastou, do seu exíguo orçamento, muito dinheiro em dispensáveis drinks de fim de tarde. E agora falta-lhe dinheiro para a luz...

quarta-feira, 22 de maio de 2019

A cultura do placebo


Tenho vindo a assistir nos últimos anos, e com crescente inquietação, aos esforços e contorcionismos patéticos de muitos agentes culturais, no sentido de tornar acessível e mais apetecível às grandes camadas populares o gosto pela Cultura.
Na maior parte dos casos, isso passa por uma infantilização dos motivos e algumas vezes até por caricaturizar obras de arte que deveriam merecer algum respeito. Em vez dos esforços se concentrarem no desenvolvimento, para todos, do sentido estético e do gosto cultural, esta forma pífia de delicadeza da democracia contribui apenas para o aumento da barbárie - que Steiner refere.
O último anúncio do MNAA, fala por si...

sexta-feira, 22 de março de 2019

Gulbenkian


Há quem confie na providência divina... Quem desconfie e, como antigamente, deixe pios legados eternos de missas a serem rezadas pela sua alma e em desconto dos pecados. Os homens práticos e ricos, hoje em dia, deixam fundações. Para tratar da saúde dos seus semelhantes, menos abonados em dinheiro. Para os elevar do seu nível rasteiro e para que fruam de uma cultura mais vasta e cosmopolita. Normalmente, dão a essas fundações o seu nome, na perpétua ânsia de eternidade que é a vaidade (perdoável) de cada ser humano.
De Calouste Gulbenkian (1869-1955), passam 150 anos, amanhã, sobre o seu nascimento. Ele que foi o outro, o grande e eterno ministro da Cultura, em  Portugal...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Os acantonamentos nacionalistas, ou o estreitamento dos horizontes (culturais)


Na Lisboa antiga dos anos 60, eu era um felizardo. Para além do acesso a uma pequena, mas bem escolhida, biblioteca da embaixada japonesa, por onde li (em ingles) várias centenas de haiku e outras poesias nipónicas, tinha na Av. Duque de Loulé, à minha vontade, várias centenas de clássicos norte-americanos, para ler, gratuitamente, no Centro Cultural estadunidense. Depois, havia uma Livraria Britanica, perto do Cais do Sodré, duas livrarias espanholas bem abastecidas, uma delas muito próxima da Almirante Reis. E ainda havia a Buchholz. Sem esquecer as grandes livrarias portuguesas que eram pródigas em livros franceses, ingleses, espanhóis e teutónicos. Na verdade, Lisboa, nessa altura, era muito mais cosmopolita (e lida), culturalmente.
Hoje, é a miséria que sabemos, apesar da FNAC, que foi encurtando o seu espólio de escolha, pouco a muito, mesmo em obras gaulesas. Fechou entretando a Portugal, a Clássica, e a Sá da Costa hoje transformada em antiquário empalhado, com livros a custos à moda do Porto, que pouco acrescenta ao panorama livreiro. Restam 2 ou 3 alfarrabistas importantes. Mas noutros países, o mesmo vai acontecendo. Aqui, por Koblenz, é impossível encontrar "L'Obs." ou o TLS, para comprar. E, quase esgotada a minha reserva de livros para ler, pedi conselho (a quem sabe) sobre uma livraria da cidade, onde eu pudesse escolher obras, em língua inglesa ou francesa. Depois de muita pausa, foi-me indicada a Reuffel, no centro de Koblenz. E lá fui.



O panorama foi desconsolador. De livros ingleses, tirando os dicionários, havia meia prateleira, e grande parte dos títulos (talvez 30)  era para consumo escolar do Liceu (Shakespeare, Huxley...). Trouxe um James Baldwin, Sonny's Blues. Os livros franceses sempre ocupavam mais comprimento, talvez duas prateleiras, e aí uns 100 títulos, quando muito. Em desespero de causa, de lá trouxe La Cache, de Christophe Boltanski. Autor para mim desconhecido, tirando o facto de ser colaborador do Libération e o livro ter recebido o Prémio Femina de 2015. Dois tiros no escuro, a bem dizer...


Parece poder concluir-se que, apesar do linguajar norte-americano globalizante e cheio de erros e abreviaturas internéticas que por aí se fala e escreve, os europeus väo lendo cada vez mais e apenas nas suas próprias línguas nacionais. Ao menos, em papel.
Patrioticamente?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Boas novas


Não é todos os dias que nos podemos congratular com boas notícias. E, desta vez, foram duas que surgiram quase em simultâneo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu oficial e garantidamente que o sarampo e a rubéola foram erradicados em Portugal. É o resultado de uma política de saúde consistente e perseverante, ao longo de várias décadas, mas também um objectivo alcançado pelos agentes, diversos, do Serviço Nacional de Saúde português.
A outra boa nova prende-se com a Cultura e o Património nacional. E interrompe dois séculos de desmazelo, ao ser anunciado o projecto de conclusão do Palácio Nacional da Ajuda que, segundo foi dito, ficará concluído em finais de 2018. O custo (15 milhões de euros) será suportado pelo Ministério da tutela e pela Câmara de Lisboa (através da taxa turística, que tanta polémica provocou, quando foi lançada...).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Divagações 115


Para que nos serve o saber, a cultura, o conhecimento? E tê-los, em parte, pode fazer-nos mais felizes? Tenho dificuldade em responder pela positiva. Muito embora, e na boa tradição judaica, que frequentes vezes George Steiner gosta de lembrar: o conhecimento é aquilo que ninguém nos pode tirar.
Por outro lado, o saber técnico ou científico tem, também, as suas utilidades práticas. E, quanto ao lado humanístico do conhecimento, ele poderá, entre outras coisas, permitir contar histórias. Que é uma coisa a que quase nenhum ser humano se negará a ouvir. Desde os tempos longínquos em que os homens se sentavam, à noite, em volta do fogo para se aquecerem, e conviver.
Nada disto porém se cruza, obrigatoriamente, com essa coisa inefável a que, à falta de melhor,  chamamos felicidade...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Divagações 111


Para o bem ou para o mal, a Europa constituiu-se cânone cultural do mundo durante vários séculos. Alguns poemas épicos indianos conseguiram penetrar o muro, alguma da poesia chinesa e japonesa foram aceites, embora tardiamente. A arte azteca ou a escultura africana foram, apesar de tudo, olhadas quase sempre como manifestações exóticas, a que valia a pena conceder alguma atenção, para evitar um etnocentrismo excessivo. Mas se considerarmos a música, teremos de concluir que a ortodoxia foi quase total. Que ainda hoje predomina no cânone clássico europeu. Até a aceitação da ópera chinesa foi uma concessão, vista por muitos como uma espécie de caridade de favor a uma cultura milenar...
Se o cânone cultural, hoje, graças à globalização, é menos estreito, o fenómeno de fecho das fronteiras, a xenofobia e o racismo, voltam a encerrar, por outro lado, a Europa em volta de si mesmo. Claro que o Trump não viria acrescentar nada a estas divagações despretensiosas...

domingo, 10 de abril de 2016

Em contraponto divagante, moral e coscuvilheiro


Não será frequente, mas também não é surpreendente, encontrarmos subitamente uma sumidade da capital a refeiçoar, tranquilo, o pequeno almoço, em buffet, num pequeno mas cómodo e bem situado hotel de província. Esta gente vem para dar cor às manifestações culturais das pequenas cidades do interior: o lançamento de um livro, um colóquio sobre um escritor local, uma celebração... E, como "santos da porta não fazem milagres", estas personalidades das grandes cidades são convidadas pela edilidade regional para abrilhantar e atrair mais gente aos acontecimentos. Não é coisa nova: foi assim que eu conheci e ouvi Gaspar Simões, Óscar Lopes, Cochofel, no início dos anos 60, pela primeira vez. Convidados que tinham sido pela Associação Académica de Coimbra. E a urbe universitária, até pelo seu espírito conservador, era, na altura, uma mera cidade de província (provavelmente, ainda hoje será). Estes colóquios, devo notar, não dispensavam a gravata aos conferencistas...
Ontem, sábado, matinalmente, surpreendi-me ao ver, em traje muito desportivo, uma destas celebridades da capital a tomar o seu abundante pequeno almoço, que bisou, num hotel da Beira Interior. Figura de proa de quanto é jornal e revista literária, o homem colabora em tudo o que seja Cultura (não sei é onde arranja tempo). Despenteado, de ténis, pareceu-me inicialmente vestir um pijama. Firmei melhor a vista e acabei por concluir que usava um fato de treino. Nem tudo se perdeu, de compostura, felizmente!...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Palavras do dia (15)


"Aquilo que define a noção de cultura, no nosso tempo, é a sua plasticidade e o seu carácter elástico. A esfera cultural tornou-se pan-inclusiva e tem uma infinita capacidade agregadora e de homogenização. A culturização global da vida coloca num mesmo regime a  promoção dos vinhos do Dão e a literatura contemporânea, os sabores da gastronomia regional e os sabores da poesia, a arte alentejana dos chocalhos e a arquitectura gótica. Neste mundo pan-cultural, governa a lei da indiferenciação. De tal modo que a questão já não é «como defender a cultura?», mas antes «como defendermo-nos da cultura?» ..."

António Guerreiro, in A anestesia cultural, revista ípsilon (jornal Público).

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Um título, no jornal de hoje


Para a música pimba, a formação não é indispensável. E também é sabido como o anterior governo considerava a Cultura. O retoque da passagem de Secretaria a Ministério, recentemente, creio que denuncia apenas um malabarismo na maquilhagem. A menos que esta notícia da "apagada e vil tristeza" portuguesa, de que falava Camões, venha ser corrigida nos próximos dias, na realidade.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Recomendado : cinquenta e sete - Cultura


O libelo construtivo e fundamentado, sobre Cultura, subscrito por Raquel Henriques da Silva, a propósito da apressada inauguração, hoje, das novas instalações do Museu dos Coches, merece ser lido.
Veio publicado no jornal Público de hoje. O tom sereno e sério do seu testemunho justifica, inteiramente, que eu recomende, aqui, a sua leitura.