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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Apontamento 121 : Manifesto



[Juramento de Hipócrates, para recordar]

Olhando para as manifestações dos últimos tempos, sempre me pergunto onde toda esta gentinha andou, descansada, durante o tempo de “troicas e pafunços”. Depois, fixando bem o olhar nas figuras que aparecem nos écrans televisivos, não consigo calar a minha aversão profunda à falta de dignidade de criaturas que se dizem pertencer a profissões como médicos, professores, etc. Convenhamos, o respeito profissional não é um valor adquirido, nem se reclama, resulta, antes de mais, do cumprimento do dever inerente.

Querendo manifestar-me, hoje, em plenitude pelo SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (SNS), confesso que há muito me incomoda aquela figura que se intitula Bastonário da Ordem dos Médicos, porque, do seu juramento profissional, pouco ou nada o cidadão comum vislumbra.

Atacando, quase diariamente o SNS, sem nenhuma proposta concreta para a solução dos problemas, pergunto para onde o senhor bastonário, sendo médico, como diz, vai enviar a grande maioria dos utentes do SNS que não têm seguros de saúde, nem outros subsistemas como a ADSE ? 

Relativamente a CUF’s, Hospitais de Luzes, etc., e sem pretender questionar, publicamente, a qualidade profissional de algumas pessoas, sucede que o “povinho” anda vislumbrado e enganado com o aspecto de “centro comercial” das ditas unidades privadas, dos profissionais, mais novos, na maioria dos casos, mas  todos formados em Universidades Públicas.

Senão vejamos. O tempo de marcação, para consultas, exames, etc., depende do seguro ou subsistema. Do SNS recebo uma carta em casa com o dia aprazado. O tempo de espera, no dia da consulta, NÃO é inferior ao de qualquer consulta em Hospitais públicos.

Numa consulta na CUF, esperei mais do que o razoável. Passou-me à frente uma pessoa que veio depois, sem mais explicação. Depois de questionar o médico pela demora, senti que não gostou do reparo e o atendimento foi mais ou menos gélido. Fiquei, para uns meses, com uns  óculos, que não me têm dado nenhuma confiança, mas que terei que usar pela quantia paga pelas lentes. Dito isto, dispenso, mesmo como beneficiária da ADSE os serviços da CUF, na parte da Oftalmologia.

Outro tanto, talvez pior pelo pagamento onoroso que sobrou para o SNS, posso testemunhar no caso de umas ecografias, cujo relatório dos serviços da CUF levantou dúvidas a uma amiga médica e à nossa, competentíssima e atentíssima, médica de família da Unidade de Saúde Familiar. O encaminhamento para o Hospital de S. José, para além de consultas de especialidade, levou à repetição das ecografias no respectivo Hospital, e confirmou, depois de várias diligências e resultados, que o “textinho” inicial do senhor Dr. médico da CUF revelava algumas “fragilidades de interpretação”. Sobrou, para mim, a chatice de repetir o mesmo exame inicial, na CUF, num prazo de 6 meses, i.e., mais dinheiro em caixa para os privados. Depois, foi no SNS que me atenderam, LIVRES de enganos de contabilidade espúria, sobrando para o Orçamento do Estado os “jeitinhos” dos privados no aparente atendimento “amigo do doente” dos Hospitais Privados.

Tenho pena de o SNS não ter a capacidade para atender o maior número de exames que os privados utilizam para captar o doente, indevidamente. O tempo de espera não compensa, e os resultados não convencem, na maior parte dos casos.

Como dizia um amigo nosso noutro dia: que nos livrem da ideologia de infantilização e envergonhada compaixão para com o doente e velhinho, fazendo dele um ser amorfo e ridículo, sem dignidade própria, como anda por aí nas ruas de Lisboa: “ o pó-pó para o vô-vô”. 


PS: Por conhecimento próprio e recente, aconselho o Senhor Bastonário a ter mais tino nos seus ataques, porque o serviço medico prestado aos doentes, designadamente, na Alemanha não é melhor, nem de maior confiança,

 Post de HMJ