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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Cadências, critérios e tendências


Qualquer blogue começa, normalmente, por um entusiasmo inicial. Que se vai atenuando, com o tempo. Por falta de temas, por cansaço, ou por uma quebra gradual desse mesmo entusiasmo ingénuo.
Depois, há os que acabam ou fecham o blogue, com palavras de amargura, outros, nem isso. Apagam-se subitamente, sem razões explícitas, de morte súbita. Talvez porque a vida pessoal do administrador assim o obrigou. Cheguei à conclusão, pela observação prática, que o quarto ou quinto ano de vida são os momentos cruciais de sobrevivência. A persistência abnegada não é uma qualidade lusa...
Dos sobreviventes, há os uni-pessoais e os colectivos. Destes últimos, é notório que apenas uma pequena parte dos colaboradores trabalha. A maioria goza da fama ou prestígio do blogue, deitando-se à sombra da bananeira... Mas nem por isso prescinde, como seria curial e honesto, de manter o seu nome na lista de associados.
Há quem publique mais à Segunda-feira, descansando o resto da semana. Há quem se habitue a sublinhar um dia da semana (O Grifo Planante, por exemplo, com o seu Anedotário, ao Domingo), e quem prefira abrir o mês com uma mesma temática ( o Arpose, com o Adagiário). Blogues especializados, há muitos: sobre Arte, o Memórias e Imagens, ou sobre Cinema, o Manuscritos da Galáxia. Mas grande parte, sendo escassos a publicar (estou a lembrar-me, quanto a qualidade, do Retrovisor), abordam temas diversos, em que a memória de vida, tem um papel primordial.
Finalmente, para acabar, um facto curioso que tenho constatado: a manhã é pródiga em postes. As publicações são maioritariamente matinais. À noite, é quase sempre um deserto de novidades - nos blogues.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Critérios


Não sei que escola pedagógica da modernidade fez difundir, de forma acrítica, a inefável teoria de que se deveria estimular a auto-estima das crianças no sentido e com o objectivo do seu desenvolvimento harmonioso e do seu equilíbrio humano. Num país, como o nosso, em que o sentido crítico dos cidadãos sempre foi deficitário, creio que esse princípio foi tragicamente pernicioso. Qualquer pequeno rabisco de uma criancinha era aplaudido como obra-prima; incentivavam, nas escolas, pequenos seres a fazerem poemas que, independentemente do seu valor, eram sempre saudados, entusiasticamente. E assim por diante... Lá fora, creio que se fez o mesmo. Criaram-se países virtuais apenas habitados por génios. Para si mesmos, sem qualquer sentido de realidade e de grau.
Hoje, no Calhariz, vi um frenético jovem estrangeiro a fotografar, sistematicamente, tudo o que mexia ou estava parado: bocas de incêndio, cãezinhos, vitrinas de pastelaria, o celebrado eléctrico 28, caixotes de lixo... Sem qualquer critério, em suma. Que, depois, irá publicar, talvez, no seu popular Blogue, sempre muito visitado. Mais um génio para "de entre família", como dizia o Pessoa, sempre actual, ainda hoje.
Um pouco de modéstia, outro tanto de sentido crítico e uma boa dose de bom senso não fariam mal a ninguém e seriam salutares, no sentido de separar o trigo do joio, o lixo daquilo que, realmente, se deve recordar. Evitando esta exposição excessiva de mau gosto, este protagonismo medíocre de banalidades, esta assustadora falta de critério.
Em contraponto. Quando abordaram Jacques Brel para que viesse a integrar a prestigiada e séria colecção "Poètes d'Aujourd'hui" ( da Pierre Seghers), o belga ficou varado, corou e achou que as suas canções não eram dignas de tamanha honra. Tentando demovê-lo, o representante do editor perguntou-lhe: "Que vous manque-t-il pour devenir un poète?" E Brel, em toda a sua simplicidade, respondeu: "Y croire!"