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segunda-feira, 20 de março de 2023

Antologia 15



Sobre criação literária, refere Graciliano Ramos (1892-1953):

" Afirmavam-me não ser difícil percorrermos um texto, aprendendo a essência e largando o pormenor. Isso me desagradava. São as minúcias que me prendem, fixo-me nelas, utilizo insignificâncias na demorada construção das minhas histórias. Aquele entendimento rápido, afeito a saltos vertiginosos e complicadas viagens, contrastava com as minhas pequeninas habilidades que pezunhavam longas horas na redacção de um período. Julguei Sérgio isento de emoção, e isto me aterrou. Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões. "

Graciliano Ramos, in Memórias do Cárcere (pg. 206).

sábado, 26 de janeiro de 2019

Sobre traduzir


Numa entrevista recente, Javier Marías (1951) reflecte, entre outras coisas, sobre a sua actividade de tradutor como sendo uma via de consolação. Em tempos, diria eu, de defeso e de esterilidade criativa própria, sobretudo. E o escritor acrescenta que é como que se houvesse um rascunho inicial, sobre o qual é necessário trabalhar, aperfeiçoando.
O fazer sua a voz dos outros tem aspectos muito próximos da criação, numa euforia porventura menos febril e por caminhos mais definidos. Como também alguém já disse que, mais que bem conhecer o idioma de que se traduz, é absolutamente obrigatório dominar amplamente a língua (sua, na maior parte dos casos) para que se verte.
Importa muito menos, porém, que o estado de espírito do tradutor se coadune com o teor do texto, ou possa ser paralelo à energia criativa original que o desencadeou. Há sempre qualquer coisa de caótico, inconsciente ou não domável, por inteiro, no fenómeno e forças da criação. A reordenação faz-se, normalmente, numa fase posterior, mais consciente.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Para maiores de 40 anos

O título deste poste não tem nada de censório, mas tem a ver com o facto indesmentível de a língua francesa estar em queda, em Portugal, nos últimos 30/40 anos. E este vídeo da Radio-Canada ser em francês.
Pois deliciem-se os fanáticos de Simenon (1903-1989), que dominam o francês, com esta entrevista interessantíssima do grande escritor belga, em que ele fala da construção das personagens, nomeadamente Maigret. Terão entretém para quase meia hora.
Claro que serão os happy few, que não os ligeiros apressados e frenéticos cibernautas que, em média (90%), visitam e gastam no Arpose cerca de 1 a 3 minutos, quando muito. (Que a vida lhes continue a ser leve!...)