Sobre criação literária, refere Graciliano Ramos (1892-1953):
" Afirmavam-me não ser difícil percorrermos um texto, aprendendo a essência e largando o pormenor. Isso me desagradava. São as minúcias que me prendem, fixo-me nelas, utilizo insignificâncias na demorada construção das minhas histórias. Aquele entendimento rápido, afeito a saltos vertiginosos e complicadas viagens, contrastava com as minhas pequeninas habilidades que pezunhavam longas horas na redacção de um período. Julguei Sérgio isento de emoção, e isto me aterrou. Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões. "
Graciliano Ramos, in Memórias do Cárcere (pg. 206).