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segunda-feira, 2 de março de 2015

Pequena história (33)


São-me gratos os arminhos, sobretudo, pelo quadro de Leonardo da Vinci, que se guarda no Museu de Cracóvia. Mas também não sou indiferente à memória de Laurence Olivier (1907-1989), que sempre considerei um grande actor. A história, um pouco cruel por sugestiva e insólita, colhi-a do livro de Alberto Manguel (Journal d'un lecteur), que ando a ler.
Terão perguntado um dia a Laurence Olivier como fazia ele para conseguir dar um grito tão impressivo, na peça de Sófocles (Édipo Rei), ao representar. Ao que ele terá respondido que tinha ouvido falar que, no Árctico, para caçar os arminhos, espalhavam sal pelo gelo, e os animais acorriam para vir lambê-lo. A sua língua gelava, então, e ficava presa ao gelo. Olivier terá pensado nisso, para expressar o lancinante grito de Édipo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Do "Bestiário", de Leonardo da Vinci


Muitos autores escreveram bestiários. Retenho dois, de que gosto particularmente: de Maurice Genevoix (que a propósito do Vairão, até fala de Chaim Soutine, pintor muito da minha preferência) e de Leonardo da Vinci. Na imagem do poste, o quadro de Da Vinci que mais aprecio: "Senhora com um arminho", que está no Museu de Cracóvia (Polónia). O quadro já consta do arquivo do Arpose, mas foi posto há mais de um ano, e é tempo de o recordar. Seguem-se, então, algumas transcrições do "Bestiário" de Leonardo da Vinci:
35. Moderação
O arminho pela sua moderação apenas come uma vez por dia e prefere deixar-se apanhar pelos caçadores a fugir para a sua toca se estiver enlameada, a fim de não macular a sua pureza.
95. Camaleão
Este apanha sempre a cor da coisa onde pousa; por isso, juntamente com os ramos onde pousam, muitas vezes são devorados pelos elefantes.
97. Dos Pressentimentos
O galo não canta se antes por três vezes não bater as asas.
O papagaio, ao deslocar-se pelos ramos, só põe o pé onde antes já pôs o bico.