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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Ontem como hoje


A incomunicabilidade alarga-se a praticamente quase todos os grandes serviços públicos e privados nacionais, onde, muito provavelmente, refastelados nos seus sofás, os CEO's não querem ser incomodados com perguntas ou reclamações. A crónica de Clara Ferreira Alves vem na revista do Expresso de 15/12/2023.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

3 motes para uma causa


Duas transcrições repescadas de há dias:

1.
Este mundo (editorial) definhou. Coisa que Saramago previu, no seu pessimismo ontológico, a propósito da morte do romance. Definhou sobretudo por duas razões, uma paroquial e outra cosmopolita. A paroquial é simples. Os editores começaram a publicar o sabor do mês, a jovem promessa, e os críticos a considerar génio todo o autor ignoto que não lhes ameaçasse a sapiência ou preponderância. O mundo literário povoou-se de nulidades que criaram a sua legião crítica.
Clara Ferreira Alves, in A Seita (Expresso, 7.4.2018).

2.
Estava portanto arrumada, por insuficiente, a hipótese etária, quando me recordo - maldita memória! - de um autor de nome minúsculo que confessou enervá-lo Herberto Helder; "por isso não está neste livro".  E porque o enerva Herberto Helder, a ponto de eliminar do tal livro um texto em que o nome deste aparecia? O motivo veio nos jornais: "...Herberto Helder não era acolhedor. Cheguei a falar com ele por telefone umas duas vezes e até lhe bati à porta - teria uns 26 anos -, e falámos pelo interfone. Não abriu a porta nem me quis receber".
Ana Cristina Leonardo, in Primeiro foram as Padarias, depois foram as Livrarias (Expresso, 7.4.2018).

E, já agora, deixem-me meter a minha colherada!

3. Reparem-me nestes dois "tesourinhos deprimentes" que foram editados, tendo como títulos:

- 25 Gramas de Felicidade,
- O cancro não gosta de beijinhos,  

por duas editoras(?) portuguesas, provavelmente ronceiras e muito mal amanhadas. Mais uma vez, por caridade, evito referir o nome dos autores de tais obras salvíficas.


Querem mais títulos?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Na revista do jornal Expresso, a 11 de Julho de 2015


Deve haver muito poucas portuguesas (e portugueses) que justifiquem um epitáfio tão bonito como este, embora ditado, de forma desarmada, pelo coração. Mas amplamente merecido.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

De uma entrevista já antiga


A entrevista de Clara Ferreira Alves a Michel Houellebecq foi publicada na revista do Expresso de 23 de Maio de 2015, e sendo já velha, não deixa de ser interessante. O pequeníssimo excerto, que deixo em imagem, não sendo propriamente uma pergunta, é uma reflexão de C. F. A., com certo grau de objectividade que me apraz aqui deixar, para memória futura.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Comerciantes e vendedores portugueses


Aqui há uma boa trintena de anos, tive oportuna necessidade de consultar e ler um estudo de mercado para uma empresa de grandes superfícies, com relatório anexo, minucioso e fundamentado, sobre as potencialidades da Linha de Sintra, para abertura de novas lojas. Havia prós e contras, na conclusão.
Há cerca de um ano, nas minhas imediações outrabandistas, reabriu pela quinta vez (quanto a donos), uma pequena superfície, agora franchisada (talvez porque abriu um Lidl, próximo), para minha surpresa. Mas, intimamente, desejei-lhes felicidades, até porque me era útil, e a dona e os três empregados eram discretos e simpáticos. Creio que nunca lá gastei mais do que 10/15 euros, para compras de ocasião e momentânea necessidade. O pequeno supermercado fechou há 8 dias... Subitamente, na sexta-feira passada, reabriu com nova gerência. Franchisada, também.
Em 2013, no coração de Lisboa, e numa loja que já fora de roupas, galeria e de decoração doméstica, inaugurou-se um bar. Vim a saber que pertencia a uma advogada lisbonense, pouco conhecida, mas que devia ter muitos amigos. Porque o local se tornou incomodativo, e HMJ, mais sensível do que eu ao ruído nocturno, se perturbava grandemente, eu sosseguei-a, premonitoriamente: "Tem paciência, que só vai durar um ano!" Durou 2.
Por tudo isto, achei interessante que Clara Ferreira Alves, numa das suas últimas crónicas, pessimista, no Expresso, tenha escrito (em tempo: o meu amigo H. N. sublinhou metade do vou transcrever), com inteiríssima razão:
"...Há lojas fechadas, com papéis a tapar os vidros da montras. O melhor hambúrguer do mundo e tretas assim. Uma boa parte destes empreendedorismos espeta-se, fecha. Muita gente não tem formação para montar um negócio."
Fora as tias, que têm quem as espalde, é uma tristeza. Mas também a falta de sentido crítico e da realidade, de uma boa parte dos portugueses. E não é só em relação à literatura...