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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Alberto Sampaio - Fotobiografia

Amanhã, 30/1/2012, pelas 18h30, na BNP será feita a apresentação e lançamento do livro "A Paixão das Origens - Fotobiografia de Alberto Sampaio", obra organizada por Emília Nova Faria e António Martins. A edição teve o patrocínio da Fundação Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. O livro será apresentado por Guilherme de Oliveira Martins, descendente do grande amigo do historiador vimaranense.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Para visitar



Para quem, este ano, não visitou ainda a Cidade Capital de Cultura 2012, o mês de Agosto promete. Não sei é se haverá vagas nos hotéis...
A brochura que o jornal Público, de hoje, oferece (passe a publicidade), aguça o apetite. A não esquecer, absolutamente: Guimarães aguarda, hospitaleiramente. E com garbo!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um bom exemplo - Manuel de Oliveira


Embora se soubesse, a notícia vem, hoje, documentada no jornal Público. Com 103 anos, Manuel de Oliveira continua a filmar. Desta vez por encomenda de Guimarães, Capital Europeia da Cultura, o cineasta prepara uma curta metragem que tem como cenário o Centro Histórico, com duração de 20 minutos.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Estatísticas (culturais e de turismo)


O jornal "O Comércio de Guimarães", na sua última edição, informa que no 1º trimestre de 2012, e com o início das actividades da Capital da Cultura - 2012, o turismo na cidade cresceu mais de 500%. Como se sabe, este Governo reduziu, bastante, os subsídios do compromisso orçamental que estava previsto, revelando, uma vez mais, a sua faceta de não ser "pessoa de bem", quanto a honrar a palavra dada.
Mas seria bom que o comissário Viegas, adstrito ao PM, pensasse neste aumento significativo do turismo cultural em Guimarães, e daí tirasse as devidas conclusões e consequências políticas. Só em países, mental e culturalmente, pobres se pode pensar que o investimento em Cultura não compensa...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Guimarães, Capital de Cultura 2012




Gostei da cerimónia de abertura. Particularmente de dois, dos cinco discursos proferidos. E da estreia auspiciosa da jovem Orquestra Estúdio, que interpretou Stravinsky e Joly Braga Santos. Logo, às 22 hrs., no requalificado Largo do Toural, actuarão os La Fura dels Baus. Mas para os ausentes, felizmente, haverá serviço público com cobertura televisiva do espectáculo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XVI : post-scriptum 2



Dentro de uma semana (21/1/2012, sábado) iniciar-se-ão em Guimarães os acontecimentos de abertura da Cidade Europeia Capital de Cultura, na cidade. O jornal "Público", através do seu suplemento Fugas de hoje (14/1/2012), dedica 16 páginas ao facto, com informações úteis que não só contemplam a referência cronológica aos acontecimentos culturais mais importantes, como também inclui dados sobre alojamento, gastronomia, etc..
Aqui fica a informação para quem planeie visitar Guimarães, proximamente. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XV : post-scriptum 1



A revista Visão (passe a publicidade), de 29/12/2011, traz consigo no suplemento Vidas & Viagens, um programa detalhado (que recomendo) sobre os acontecimentos culturais mais relevantes, e respectivas datas, que vão ocorrer a partir de 21 de Janeiro de 2012, em Guimarães. Bem como informam sobre os locais a visitar, onde comer, comprar e dormir. Um mapa essencial da cidade acompanha as cerca de 50 páginas informativas.
O programa oficial editado pela autarquia, ao que me disseram, esgotou-se rapidamente, mas vai ser reeditado, em breve. Tenho pessoas amigas, em campo, para me conseguirem um exemplar. Dele darei notícia, se for mais completo, e oportuno fazê-lo. O dinamismo em Guimarães é grande, referiram-me. Mas eu não esperava outra coisa dos vimaranenses. E, também me dizem, que a cidade está mais bonita.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XIV : fora de portas




Não ficaria de bem comigo, ao acabar esta rubrica, se não alertasse o eventual visitante de Guimarães, no próximo ano de 2012, em que será Capital Europeia de Cultura, para dois locais que, não estando integrados na cidade, lhe estão próximos e, por várias razões, também associados. Refiro-me à Montanha da Penha (cerca de 650 metros, acima do mar) com fauna e flora próprias, um sóbrio Santuário mariano, várias grutas interessantes e dois simbólicos monumentos: ao papa Pio IX e, outro, em homenagem aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A Penha é um lugar ameníssimo, nos quentes dias de Verão, e tem um teleférico recente e moderno que transporta, rápidamente, os visitantes até ao cimo da montanha. Por outro lado, a cerca de 15 quilómetros de Guimarães, e pouco depois das Taipas, a Citânia de Briteiros, restos, reconstituídos em parte, do que foi um povoado primitivo (provavelmente datado de 200 ou 300 anos a. c.) que é o prolongamento prático do Museu Martins Sarmento. Foi, aliás, este arqueólogo vimaranense que descobriu a Citânia, e começou a pô-la a descoberto, em 1875. E os objectos, lá encontrados, constituem grande parte do acervo do Museu. Destaque para a estela funerária a que deram o nome de "Pedra Formosa", que é o ex-libris do Museu Martins Sarmento.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XIII : alguns monumentos e casas



Foram dois os principais núcleos irradiantes à volta dos quais cresceu e se desenvolveu a antiga Guimarães: o Castelo e a Colegiada ou Igreja de N. Sra. da Oliveira. Embora de fundação mais antiga, a sua traça deve a forma de base a Mumadona Dias que os reformulou no séc. X. O Castelo virá a ter o desenvolvimento de muralhas, circulando a Vila, nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. João I, de que restam alguns vestígios (o principal, na primeira imagem). No perímetro do Castelo, situa-se a pequena Igreja de S. Miguel e, no séc. XV, viriam a construir-se os Paços dos Duques de Bragança. Junto à Colegiada, existiu em tempos remotos, a Igreja dos francos, companheiros do Conde D. Henrique, sob a invocação de S. Tiago, na praça que, hoje, tem o seu nome. No adro da Colegiada, o Padrão do Salado celebra a batalha em que D. Afonso IV tomou parte. A partir destes dois focos monumentais, cresceu Guimarães.
São inúmeras as Igrejas e Capelas dispersas pela cidade e seria ocioso nomeá-las a todas. Destaco apenas, para além da Igreja de N. Sra. da Oliveira, a Igreja de S. Francisco, cuja construção se iniciou no séc. XIV e que conta, no seu acervo, com uma bela imagem de N. Sra. das Dores da autoria de Soares dos Reis. De moradias, devo realçar a dita mas improvável casa de Egas Moniz (embora medieval, e na segunda imagem deste poste), situada na Rua Nova. A casa dos Carvalhos, no Largo João Franco, com a sua torre singular, onde funcionou a poética Academia Vimaranense, no séc. XVIII, sob o patrocínio do fidalgo Afonso Lourenço de Carvalho. Mais tarde, foi moradia da família Mota Prego. E, ainda, a casa dos Lobos Machados, na Rua da Raínha (D. Maria II). E, finalmente, o palacete Vila Flor pertença, hoje, da Universidade do Minho. Mas o melhor será passear, sem bússola e sem guia, pelo Centro histórico de Guimarães, porque há muita coisa para ver e descobrir, por exemplo, na Rua de Sta. Maria...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XII : anunciação


Pronta a requalificação urbana do Toural, praça emblemática da cidade, com a reposição do chafariz quinhentista que lá estivera, originalmente, foram ontem anunciadas as grandes linhas de programação da Cidade Europeia da Cultura 2012, que se iniciará a 21 de Janeiro do próximo ano, com um espectáculo de La Fura dels Baus. O antigo Mercado Municipal, desactivado e readaptado, dará lugar a um museu de arte contemporânea, emparceirando num lógico complemento, com o Museu Martins Sarmento (arqueológico) e com o Museu Alberto Sampaio. Aquele novo museu terá, na colecção doada por José de Guimarães, o seu núcleo duro e mais importante. A criação temporária da Orquestra Estúdio, que se estreou também ontem, dará substância musical durante o próximo ano. A Orquestra foi apadrinhada por Elisabete Matos, cantora lírica ligada a Guimarães - nasceu nas Taipas. Também uma ópera foi encomendada a Carlos Azevedo e Carlos Tê. Haverá curtas metragens, no que diz respeito ao Cinema, de Manoel de Oliveira, Jean-Luc Godard, Pedro Costa... Bem como retrospectivas de Sacha Guitry, Ermano Olmi, Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Tendo eu acesso a um programa detalhado e datado, darei nota, oportunamente.
Único senão nesta dinâmica cultural que se aproxima: a redução inopinada de 5% na comparticipação do acontecimento, por parte do Governo. Mas as gentes de Guimarães saberão, com certeza, responder a esta quebra de compromisso estatal, com a sua força bairrista de amor à Terra - como boa gente que é...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XI : Paços dos Duques de Bragança



Muito próximos do Castelo, no chamado Monte Latito (ou "Colina Sagrada" como gostam de lhe chamar os vimaranenses), os Paços dos Duques de Bragança são, no meu modesto entender, o edíficio mais singular de Guimarães. Foram mandados construir pelo primeiro conde de Guimarães, D. Afonso, filho bastardo de D. João I. Viúvo da filha única de Nuno Álvares Pereira, o conde voltou a casar com D. Constança de Noronha, e os Paços começaram a ser edificados, por volta de 1420. D. Afonso era um homem viajado e conhecedor da arquitectura europeia, daí, talvez, a traça do edíficio ter sido de um tal "Mestre Antom", provavelmente francês, e "sob a vedoria de Johane Steuez". Foi habitado pelos duques sequentes, mas a partir do séc. XVII, começou a entrar em decadência.
Em finais do séc. XIX, o edifício apresentava-se já muito desfigurado (como se pode ver pela 1ª imagem que data de 1886), porque fora adaptado a quartel - situação que se manteve até ao início do séc. XX. Foi lá oficial, Raul Brandão, que em Guimarães veio a conhecer a sua futura esposa. Em meados do séc. XX, começaram as obras de restauro, que tentaram reconstituir a traça de Mestre Antom. Renovada a capela, os restantes espaços foram preenchidos por boas peças de Arte Sacra, cópias das Tapeçarias de Pastrana, bem como outras, flamengas, de Jan Raes. Os Paços dos Duques incluem também um significativo acervo de armas do 2º visconde de Pindela. Um interessante retrato da rainha de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, e a emblemática obra de Josefa de Óbidos, o "Cordeiro Místico", para citar apenas uma pequena parte.
Indo a Guimarães, é imprescindível visitar os Paços dos Duques de Bragança.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses X: doçaria natalícia


Dentro do espírito natalício, lembrei-me do pequeno livrinho [145 x 105 mm] reproduzido abaixo. Tem 20 páginas, dedicadas aO Natal na Cozinha, publicação editada pelo Museu Alberto Sampaio, a propósito de uma exposição sobre o mesmo tema, em 1984, na cidade de Guimarães. Infelizmente, nunca mais encontrei este livrinho em visitas posteriores ao Museu.

Nas primeiras oito páginas fala-se da evolução dos hábitos alimentares para, de seguida, apresentar as várias receitas de doçaria natalícia: aletria, bacalhau doce, mexidos (com 6 variantes de receitas] e rabanadas (com 5 receitas).
Ora, é exactamente dos mexidos que escolhi receitas para reproduzir. Na imagem acima, uma variante publicada no Comércio de Guimarães que, aliás, anualmente e durante a época natalícia, costumava incluir receitas para a consoada. Outras variantes, que se seguem na imagem, foram tiradas do livrinho em epígrafe:


As receitas originais de Mexidos falam em pão de Padronelo que, mais a sul, se tem que substituir por pão de forma. Quanto ao resto, está tudo explicado nas receitas e confesso que é uma papinha doce, enriquecida com o melhor do campo: ovos, manteiga, mel, pinhões, nozes e vinho do Porto, muito apropriada para enfeitar a farta mesa natalícia, ao lado de rabanadas e de outras iguarias.

Post de HMJ

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses IX : pequena história (2)



Nestes nossos tempos de "apagada e vil tristeza" (Camões dixit) da nova usurpação estrangeira (agora por via económica) é importante recordar a Restauração de que, amanhã, passa mais um aniversário e que, provavelmente, será pela última vez feriado nacional. Até porque, actualmente, há muitos Miguéis de Vasconcelos, sobretudo entre os economistas portugueses...
Em Guimarães, a dominação filipina e castelhana nunca foi bem aceite. Já em 1580, o povo vimaranense tomou partido por D. António, Prior do Crato, que a arráia-miúda conhecia, por ele ter frequentado a Universidade da Costa. Muito embora o alcaide da Vila, Fernão Coutinho, fosse afecto aos castelhanos. Venceu, entretanto, a força, a cobiça e o dinheiro.
Por essa altura e desde há muito que já havia a comemoração tradicional da vitória de Aljubarrota, celebrada todos os anos a 14 de Agosto, com uma procissão de N. Sra. da Oliveira, uma missa de acção de graças e um sermão sobre essa motivo patriótico. A missa era dita no exterior da Colegiada, junto ao Padrão do Salado, onde eram exibidos o loudel (colete alongado e acolchoado que se vestia por baixo da armadura) ou pelote e a lança pessoal que D. João I oferecera, em preito de gratidão, à imagem da Virgem da Oliveira. Ora, em 1638, presidia aos destinos da Colegiada o D. Prior Bernardo de Ataíde, o pregador sagrado escolhido foi o franciscano Fr. Luís da Natividade que era o Superior do Convento de S. Francisco, em Guimarães. Este franciscano era um patriota de alma e coração, e aproveitou a oportunidade para apelar aos sentimentos nacionais e à revolta. Olhando para o loudel, ia dizendo: "... Vejo-vos, pelote, velho e roto: vejo-vos atravessado com a vossa própria lança (...) Só me resta a consolação de ver-vos diante desta Virgem da Oliveira, que se uma vez vos livrou da morte, vos pode ainda ressuscitar a nova vida." E disse mais ainda: "...O Reino que nessa roupa o invicto Senhor D. João nosso rei dedicou e sujeitou à Virgem da Oliveira, quando o vedes em tal estado, nele vedes também qual esteja o Reino."
Menos de 2 anos e 4 meses, depois, foi a Restauração. 

sábado, 26 de novembro de 2011

Aditamento (sonoro) ao poste sobre as Festas Nicolinas

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses VIII : Festas Nicolinas



Das festas mais importantes de Guimarães, destacam-se pela singularidade: as Gualterianas e as Nicolinas. Ambas se acolhem à protecção de santos: S. Gualter, patrono de Guimarães, e S. Nicolau, dos estudantes. As Festas Gualterianas têm lugar em finais de Julho e prolongam-se até aos primeiros dias de Agosto, tendo um objectivo económico e turístico. As Festas Nicolinas começam sempre a 29 de Novembro e terminam a 6 de Dezembro e têm sobretudo um carácter lúdico, pois são feitas por e para os estudantes. O figurino na sua versão actual data dos finais do séc. XIX, mas os festejos estudantis já aconteciam, em Guimarães, no séc. XVII, embora numa versão mais incipiente, e muito dependente, ainda, da Igreja. Havia aliás uma capela de S. Nicolau que foi demolida nos anos 30 do século passado.
Por esta altura de Novembro, na cidade, já se ouve o rufar dos bombos e caixas num ruído cavo que se propaga pelas ruas, de manhã, no intervalo das aulas depois do almoço, e à tardinha. É o afinar dos toques, antes do início das festas. Os nós dos dedos sangram, por vezes, mas o rufar continua; e também acontece que o bombo fica "inutilizado", tal foi a força das baquetas que a pele rebentou. Mas tudo isto é antes do princípio, porque a verdadeira festa começa a 29 de Novembro, à noite, quando o Pinheiro (oferecido, tradicionalmente, pelo chefe da comissão das Festas Nicolinas) entra na cidade, puxado por carros de bois e trazido dos arrabaldes. O cortejo, acompanhado de estudantes tocando caixas e bombos, em ritmo compassado, terminará no Campo da Feira, onde a árvore (enorme, habitualmente) será enterrada, sem raízes, e aí ficará, até ao final das Nicolinas. A madeira será depois vendida para custear despesas. No entretanto haverá as "Posses" (ofertas de particulares aos estudantes, muitas vezes, em viandas), o "Magusto" (com castanhas assadas e líquidos à discrição...), a  noite da "Roubalheira" (em que os nicolinos mudam os pertences exteriores dos particulares para sítios insólitos. Vasos, roupa a secar, tudo que esteja à vista ou à mão é levado para locais improváveis e distantes.). Antes do cortejo final das Maçãzinhas, a 6 de Dezembro, haverá ainda a leitura do "Pregão" (pequena epopeia herói-cómica, habitualmente, em decassílabos marotos e de crítica a Guimarães e ao Mundo), declamação que é feita junto à Câmara Municipal, junto à casa que foi da Sra. Aninhas (chamada a Madrinha dos estudantes), e noutros locais da tradição Nicolina. A 6 de Dezembro, o ponto mais alto, com o cortejo de estudantes mascarados que oferecem da rua, às jovens raparigas nas janelas e varandas das casas, maçãzinhas na ponta de uma lança. E recebem delas, em retorno, pequenas ofertas que podem ir de colheres de pau até pequenas garrafinhas de Vinho do Porto. Quando as pequenas maçãs acabam, o estudante oferece a lança (de metal ou latão), adornada com fitas de diversas cores, à eleita do seu coração. Ou, então e manhosamente, só a dá, depois, no baile nocturno que encerra as festividades, para tirar maior "proveito" da oferenda...
Vale a pena ir ver as Festas Nicolinas, a Guimarães.

Nota: nas imagens, Nicolinos, prontos para começar o cortejo das "Maçãzinhas. Reproduz-se ainda uma parte do "Pregão" de 1985.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses VII : pequena história (1)



Da primeira metade (1420?) do séc. XV até 1744, a cidade de Barcelos estava obrigada a enviar alguns homens para varrerem, em datas festivas, "a Praça Maior, o Padrão (do Salado) e os açougues" da cidade de Guimarães. O rei D. João V, a pedido dos barcelenses, concretamente dos habitantes das freguesias de Cunha e Ruilhe, revogou esta disposição régia de D. João I, libertando-os da servidão que eles consideravam humilhante.
Não há, conhecido, o suporte documental de origem que fundamente esta obrigação. Mas há vários autores (Padre Torquato de Azevedo, António da Costa Miranda, Fr. Rafael de Jesus) que referem esta disposição régia.
A causa desta obrigação de Barcelos foi objecto de acesa polémica entre J. Mancelos Sampaio (A servidão de Barcelos a Guimarães, 1943)  e A. L. de Carvalho (Guimarães em Ceuta, 1954). Ao que parece, em 1419, os árabes tentaram reconquistar Ceuta, na posse dos portugueses desde 1415. Um troço das muralhas exteriores da cidade africana era defendido por tropas de naturais de Barcelos e, ao lado, os muros contíguos eram apoiados por soldados de origem vimaranense. Acontece que os mouros lançaram um ataque fortíssimo sobre o perímetro defendido pelos barcelenses e estes recuaram, e começaram a fugir. Ao ver isto, o grupo de Guimarães dividiu-se em dois e, um deles, foi cobrir a posição desguarnecida das muralhas de Ceuta, conseguindo deter a invasão mourisca.
A partir de então, por provisão de D. João I, a cidade de Barcelos terá sido castigada e obrigada a mandar alguns homens varrer alguns locais de Guimarães, em datas festivas e com traje caricato: "com barrete vermelho na cabeça, banda vermelha ao ombro, espada à cinta, um pé calçado e outro descalço" - segundo refere o Padre Torquato de Azevedo. Até que D. João V, magnânimo, revogou este castigo, em Fevereiro de 1744.  

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os Heróis e os Venerandos


Como é que podemos andar felizes, nós os portugueses?
Como pano de fundo, a crise que nos asfixia e restringe os rendimentos. Na boca de cena, do lado esquerdo, um Herói que, nos seus incontinentes e verborreicos dislates, nos incita, epicamente, a um novo 25 de Abril. Do outro lado, direito, um Venerando que, só por presidir à Cidade Capital de Cultura 2012 aufere, mensalmente, numa urbe de província, 14.300,00 euros + carro + telemóvel + 500,00 euros por cada reunião a que presida. Fora a pensãozita que já recebe, e é vitalícia. (Gostei sobretudo daqueles cem contitos por reunião...)
Com tanto voluntarismo, até apetece citar o Poeta:
"... E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo rei, se de tal gente."

domingo, 13 de novembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses VI : itinerário mínimo



Imagine-se que o ilustre visitante tem dois a três dias para visitar Guimarães e assistir a algumas manifestações culturais, na urbe. Como os acontecimentos de cultura são, normalmente, ao fim da tarde ou à noite, disporá de algum tempo para respirar a atmosfera da cidade. Sendo assim, agrupei 4 núcleos mínimos que, pela proximidade, poderão ser visitados em outras tantas quatro etapas (2 manhãs e 2 tardes), como se segue (sendo a sequência arbitrária):
1. - Castelo de Guimarães, Igrejinha de S. Miguel e Paços dos Duques de Bragança.
2. - Igreja de N. Sra. da Oliveira (Colegiada), Padrão do Salado e Museu Alberto Sampaio.
3. - Igreja de S. Francisco, Largo do Toural e Museu Martins Sarmento.
4. - Passear a pé pela Rua da Raínha, Rua de Santa Maria e Praça de Santiago.
Não sendo tudo o que a cidade tem para oferecer ao turista, com este programa o visitante ficará com uma ideia razoável e suficiente sobre Guimarães.

Nota: as telas representadas são de autoria do pintor naïf vimaranense J. M. Silva.

à memória de M. da L. S. e de L. R. Teixeira.

domingo, 23 de outubro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses III : Homens ilustres



Não serão muitos os varões vimaranenses que, "por obras valorosas", tenham ganho fama e cuja celebridade tenha ultrapassado os limites regionais da cidade e concelho. Dos tempos da possível Araduca, e ainda não chamada Guimarães, há que referir o papa S. Dâmaso (305-384) que lá terá nascido; nos tempos antigos, Mumadona (ou Dona Muma), fundadora de um mosteiro dúplice que, mais tarde, daria origem à Colegiada e, pouco depois, nos alvores da nacionalidade aí nasceu o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques (1109?-1185). É discutível que Gil Vicente (1465-1536?) seja de lá natural, mas há quem isso defenda. Frei Rafael de Jesus (1614-1693), cronista e religioso, era vimaranense. Depois há um grande espaço até ao séc. XIX, até se poder referir Francisco Martins Sarmento (1833-1899) inspirado arqueólogo que pôs a descoberto a Citânia de Briteiros, e Alberto Sampaio, conscencioso historiador. E ainda Abel Salazar (1875-1941), médico e pintor estimável. Bem como Francisco Leite de Faria (1910-1995), frade capuchinho e grande bibliófilo. Finalmente, vivos e no presente, são vimaranenses o pintor José de Guimarães (1939), de nome próprio: José Maria Fernandes Marques; e a soprano Elisabete Matos. Seria injusto não referir o nome de Raul Brandão (1867-1930) que, tendo embora nascido na Foz (Porto), casou com uma Senhora de Guimarães, e era um vimaranense por adopção.
Queria destacar, também, o nome de três historiadores regionais que, sendo pouco conhecidos no exterior, têm apreciável e importante bibliografia sobre a região vimaranense. São eles, cronologicamente:
- João Gomes de Oliveira Guimarães (1853-1912), mais conhecido como Abade de Tagilde, que organizou a colectânea "Vimaranis Monumenta Historica", bem como várias obras sobre história religiosa.
- António Lopes de Carvalho (1881-?), que editava as suas obras sob o nome de A. L. de Carvalho, autor do livro "O S. Nicolau dos Estudantes" sobre as Festas Nicolinas, e do monumental "Os Mesteres de Guimarães", em 7 volumes.
- Manuel Alves de Oliveira (1902-1990) que foi director do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta e que publicou importantes estudos sobre Guimarães, na revista Boletim de Trabalhos Históricos.