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domingo, 7 de janeiro de 2024

Apontamento 157: Apelo ao Civismo

 


Recebemos, no Sábado de 6.1.2024 o seguinte aviso, que considero um apelo ao civismo;

“Tem sintomas de gripe ? Antes de vir à Urgência do Hospital (…), ligue para a teleconsulta DRA (das 10 h às 21 h (218847177)."

Ora, entendendo o civismo como pilar essencial da democracia, considero que o tributo fundamental do cidadão é, para além de reclamar os seus direitos, cumprir com a sua contrapartida, i.e., o essencial da condição de cidadão, a saber, assumir, de forma inequívoca, a sua “dedicação e fidelidade ao interesse público”.

Perante o aviso acima reproduzido, não tenho dúvida em sublinhar a excelência do trabalho do SNS, com a atenção de avisar, individualmente, cada utente. Cuidados como este, não serão, certamente, pelo meu conhecimento alargado, prática de muitos serviços de saúde do centro da Europa, designadamente da Alemanha, França, Inglaterra, etc.

Resta acrescentar que, na Alemanha, nenhum cidadão do Serviço de Saúde Geral (AOK) pode deslocar-se ao Serviço de Urgência de um Hospital próximo, público, público-privado, privado-confessional, seja de que natureza for. Não será atendido sem o reencaminhamento de um médico ou através de um serviço semelhante ao SNS 24 24 24 ou 112. O que, aliás, faz todo o sentido.

Então, a criatura com febre vai para o Hospital. Fazer o quê ? Infestar o ar do espaço do hospital, certamente !

Post de HMJ

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Apontamento 122: Civismo


Resultado de imagem para E. Munch.Menina doente

Na esteira do manifesto anterior, aplicando-se o jargão economicista de sobrefacturação ao tratamento e “sofrimento” duplicados a que fui sujeita, não posso calar a minha indignação perante a falta de civismo dos utentes do SNS. Sejamos francos, há muito boa gente a abusar dos recursos, marimbando-se nas consequências económicas, financeiras e até humanas, do SNS, recorrendo aos Hospitais quando não é necessário.

Aliás, já há muitos anos que me dizia uma médica amiga o seguinte: “Quando precisares da urgência, a melhor hora é a das telenovelas. Ficamos às moscas. [sic]” Não me espanta, por isso, que, mesmo passados vários anos, ainda haja uma percentagem elevadíssima – de 40% - de emergências médicas não urgentes, i.e., de recurso a uma Urgência Hospitalar.

Confesso que não compreendo este gosto, para mim algo perturbador, de pensar, logo ao primeiro sinal, de se deslocar a um Hospital, já que é ambiente que não me é confortável e evito ao máximo. No entanto, já aconteceu ter tido a necessidade de utilizar este último recurso. Liguei para a Saúde 24, quando a minha ciência a capacidade de sofrimento ultrapassou o limite. Mesmo estando fora da residência habitual, encaminharam-me para o Hospital mais próximo, o Garcia de Orta de Almada. A chegada ao Hospital foi tranquilíssima. Na Recepção da Urgência já tinham todos os meus dados recolhidos no telefonema anterior e aguardei, conforme o parecer médico, pela ordem amarela atribuída, já que não vinha trucidada de nenhum membro. Posto isto, não partilho de nenhuma opinião catastrofistas quanto a este ou outro Hospital, a saber, o S. José em Lisboa.

O caso de haver, ainda, 40 % de casos – NÃO URGENTES – nos Hospitais portugueses, relaciona-se, quanto a mim, com uma enorme condescendência relativamente à falta de civismo com que muita gentinha utiliza os recursos.

Para elucidar como se processa lá fora, na Grande Alemanha, como cá por casa se conhece, conta-se, em poucas palavras, como se processa.

NÃO SE PODE IR PELO PRÓPRIO PÉ PARA UMA URGÊNCIA ! É mesmo assim, tal e qual. Ou vai, como se diz, de charola, ou pelo Serviço Saúde 24, i.e., um médico a dizer que tem de ser assistido em ambiente hospitalar.

Ora, um dia, há muitos anos, a minha mãe sofria de degenerescência de um fémur, provocando, por vezes, dores insuportáveis. Sucedeu que, ao circular numa estrada secundária, bati num buraco e o balanço do carro lhe devia ter provocado um movimento pouco saudável. Chegado ao destino, a casa. ela não conseguiu, com tantas dores, sair do carro, mesmo com a minha ajuda. Que fazer ? Fui com ela ao Hospital mais próximo. Estacionei no parque e, na Recepção, relatei o caso. Resposta: NADA. Não contactou o seu médico ? Não ligou para o 112 ? Assim não pode ser ! Só com muita insistência, lá foi um enfermeiro falar com a minha mãe, deram-lhe uma injecção contra as dores para, pouco depois, sob o efeito da mesma, poder ajudá-la a sair do carro e contactar o seu médico assistente para mais apoio.

Com efeito, o abuso por parte de prestadores e utilizadores apenas conhece, quanto a mim, uma regra clara de não complacência, quando a falta de civismo não ajuda.

Post de HMJ