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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Assim vai a arte



Vai longe o tempo em que as obras de arte se adquiriam por gosto estético, por empatia cultural e, maioritariamente, sem ter em conta a eventual valorização do objecto. Hoje, na prática, quase tudo se compra no propósito de investimento e ganhos futuros. Esta serigrafia de Andy Warhol, semelhante a uma série de mais 4 que só diferem nas cores, atingiu um recorde, neste início do século XXI. Representante icónica da Pop Art, ultrapassou o anterior valor máximo de obra de arte, em leilão, que pertencia ao quadro Les Femmmes d'Alger, de Picasso, que também a Christie´s vendera, em 2015, por 170 milhões de euros.
A obra de Warhol foi arrematada por um conhecido galerista norte-americano (Larry Gagosian) e, o único aspecto que eu, subjectivamente, considero positivo, é que o montante apurado na venda será destinado à criação de sistemas de apoio de prestação de cuidados de saúde para crianças e programas educacionais.
Valha-nos, ao menos, isso!

sexta-feira, 4 de março de 2022

Uma obra e algumas respostas de Picasso





O prato pintado por Picasso (1881-1973) pertencia a Jacqueline Picasso. Foi leiloado pela Christie's, em Dezembro de 1997. O lote (183) tinha uma estimativa de venda entre 20.000 e 25.000 libras inglesas.




sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Pinacoteca Pessoal 169


Considerado um post-impressionista, sobretudo pelas paisagens da primeira fase da sua obra, o galês Augustus John (1878-1961), foi sobretudo um talentoso retratista. São notáveis os seus vários estudos e telas, que tiveram Lawrence de Arábia como modelo. Destacaria ainda retratos de Yeats, Guilhermina Suggia, Shaw, Dylan Thomas entre tantos outros.


Bem representado nos museus ingleses, sobretudo na Tate, a Christie's, em finais do século XX, levou a cabo um leilão com um magnífico acervo de telas do pintor, de que eu gostaria de destacar um retrato de Dorelia McNeill (1881-1969), segunda companheira de Augustus John, vestida à oriental.
O lote, com o número de ordem 52, tinha uma estimativa de venda entre 12.000 e 18.000 libras esterlinas.


quinta-feira, 23 de abril de 2020

Leilões, lá fora


Um rico leilão este que a Christie's levou a cabo, há quase 29 anos, por alturas do Natal, em Londres. Desde manuscritos com iluminuras (séculos XIII, XIV e XV) a cartas de Rilke, Orwell, Napoleão, para além de um importante acervo incluindo correspondência do poeta alemão Heinrich Heine (1797-1856).

Mas eu não poderia deixar de destacar, da almoeda, o lote nº 44, único título português nesse leilão. Um livro muito raro, na sua primeira edição (1616): Arte da Caça de Altaneria, de Diogo Fernandes Ferreira. Que só veio a ter uma segunda edição em 1899. Contam-se aliás pelos dedos os nossos livros sobre cetraria, até meados do século XX.
O volume tinha uma estimativa de venda que oscilava entre 5.000 e 7.000 libras.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Filatelia CXXVII


As grandes colecções de selos, as mais importantes e valiosas, foram quase sempre vendidas na Inglaterra ou na Suiça. Londres ou Zurique, mais particularmente. Centros financeiros que concitam, mais facilmente, grandes investidores e filatelistas apaixonados ou fanáticos.


Stanley Gibbons, Robson Lowe e Christie's respondem por Londres. David Feldman pela Suiça. São talvez estas as casas leiloeiras mais importantes do mundo. A celebrada colecção de selos de Maurice Burrus (1882-1959), por exemplo, foi leiloada pela Robson Lowe, em Londres, no ano de 1964.


Não fugiram a esta regra habitual de localização leiloeira as melhores colecções de selos clássicos portugueses. A mítica colecção do comandante Leotte do Rego foi leiloada, em Zurique (Suiça), por David Feldman, em 1985. Aqui ficam, em imagem, alguns dos lotes mais importantes.
Com o Brexit, no entanto, é bem provável que a praça londrina venha a perder importância.
Mas estou certo que os mais raros selos clássicos portugueses continuarão a ser negociados lá fora...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ignorantes, contrabandistas e negreiros


Do quadro de Crivelli, que terá passado a monte para França, nunca mais se ouviu falar...
Entretanto, ao que parece, fundamentando e dando razão à providência cautelar interposta por alguns portugueses, conhecidos e anónimos, o Tribunal Administrativo de Lisboa, interditou a venda de 85 telas de Miró (que pertenciam ao BPN), pela Christie's, sobretudo pela forma ilegal, soez e escondida de como os quadros saíram de Portugal para a Inglaterra.
Pragmaticamente, talvez valha a pena acrescentar mais alguma coisa. Qualquer comerciante, por muito burro que seja, ou qualquer marchand, em início de carreira, saberá que, colocar à venda, ao mesmo tempo, 85 obras de um mesmo Artista célebre e consagrado, provocará, de imediato, um abaixamento de preços no Mercado.

Nota posterior: em nome do rigor, devo rectificar que não foi o T. A. de L. que impediu e evitou o leilão das obras de Miró, mas o facto fica a dever-se a uma decisão da Christie's, resultante duma avaliação dos pressupostos, pouco claros e seguros, do negócio.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Soutine, em destaque


Há muito que Chaim Soutine (1893-1943) é um dos meus pintores preferidos. Pois, ontem, o seu quadro "O pequeno pasteleiro" (cca. 1927), na Christie's de Nova Iorque, atingiu o mais alto preço das suas obras, em leilão, até hoje. O feliz e anónimo comprador deu pela tela 18 milhões de dólares. É obra!...

sábado, 26 de maio de 2012

Para agradecer aos que se lembraram


Quando a 21 de Maio passado, alguém, estimado, me perguntou se eu me tinha esquecido do "amigo Dürer", eu respondi que não. Mas que, como já havia muito de Albrecht Dürer (1471-1528) no Blogue, preferia lembrar o Douanier Rousseau que também nascera no mesmo dia do mês, embora num ano diferente.
Ora, hoje, entre várias coisas que me vieram à mão, surgiu também a reprodução de uma gravura do Pintor alemão, que ele fizera em 1513, intitulada "Cavaleiro, Morte e Diabo" que dizem ser inspirada pelo Salmo 23 do rei David. E que não é muito frequente ver-se. A Christie's leiloou um exemplar, em Dezembro de 1985. E, em Hamburgo, no ano de 2007, apareceu outra à venda - que não sei se seria a mesma.
Aqui fica, em imagem, a encimar o poste.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O preço da Pintura



Das cinco versões da série "Joueurs de cartes", de Paul Cézanne (1839-1906), apenas uma das telas, pintada em 1895, se encontrava em mãos particulares. Mais concretamente, na posse de George Embiricos, milionário grego, falecido recentemente. Foi por isso, principalmente, que o quadro mudou de dono - conforme noticiam os jornais e as revistas The Art Newspaper e Vanity Fair. Segundo esta última, a transacção teria tido lugar ainda em 2011. A compra terá sido feito pela família real do Qatar, possuidora de uma notável pinacoteca e dona do conhecido canal televisivo Al Jazeera. Os montantes envolvidos, embora não se saiba o número exacto, andarão muito próximo dos 228 milhões de euros. Assim esta tela , "Joueurs de cartes", de Cézanne, passa a ser a mais cara vendida, até hoje, ultaprassando em mais do dobro o quadro "Desnudo, hojas verdes y busto", de Pablo Picasso, vendido pela Christie's, em 2010, por 81 milhões de euros. Compra quem pode...  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mercearias Finas 44 : Vinhos de guarda


Pode dizer-se que, de uma forma geral, os vinhos brancos têm uma vida mais curta do que os tintos e, por isso, não devem ser guardados muito tempo. E, em Portugal, pode afirmar-se que os bons vinhos tintos das regiões demarcadas do Dão, Bairrada e Douro, à partida, têm mais potencial de envelhecimento que os do Alentejo.
Para quem, como eu, goste de vinhos velhos, e os guarde na garrafeira, torna-se no entanto um problema saber se um vinho com 10, 15 anos se encontra ainda em boas condições de ser bebido e apreciado. A menos que, tendo várias garrafas da mesma marca, ano e região, vá provando, gradualmente, o vinho para poder avaliar a passagem do tempo, e a qualidade.
Ora, a casa leiloeira Christie's tem um processo simples e prático, embora não totalmente rigoroso, de estimar as condições do vinho, em garrafa. Como o vinho, com o tempo e porosidade da rolha, vai evaporando e perdendo volume, a leiloeira estabeleceu uma escala de altura do líquido, em relação ao gargalo da garrafa, como se pode ver pela imagem, que permite prever o seu estado.
Assim, segundo o esquema, a posição 1 (high fill) é um óptimo sinal para um vinho tinto velho de 10 anos. Pelo contrário, a posição 8, abaixo da curvatura da garrafa, é um indício de que o vinho já não estará em condições de ser bebido. Muito embora esta tabela seja para aplicar aos "Bordeaux", creio que também poderá ser usada em relação aos vinhos tintos portugueses, de guarda.

sábado, 22 de outubro de 2011

Uma curiosidade, pelo bicentenário de F. Liszt


Infelizmente e pelos meus menos que rudimentares conhecimentos, não sei descodificar esta reprodução de pauta musical corrigida pela mão de Franz Liszt.
A obra musical é da peça Fantasie dramatique sur les Huguenots de Meyerbeer, Op. 11, para piano, com as correcções efectuadas por Liszt. A obra musical, conforme indicação do lote (461), tem 30 páginas.
Foi leiloada, pela Christie's, em Londres, a 29 de Junho de 1995. Tinha uma base de licitação entre £ 3,000 e 3,500 libras.

sábado, 30 de abril de 2011

Em volta do Vinho, Gastronomia, falsários e convencidos



1. Os jornais noticiaram a morte, ontem (29/4), de David Lopes Ramos (1948-2011), conceituado gastrónomo e probo crítico de vinhos que, no suplemento "Fugas" do jornal "Público", durante anos, educou o nosso gosto e paladar para melhor apreciarmos o que de bom temos na nossa cozinha e enologia. Com José Quitério, João Paulo Martins, José Salvador e Luís Ramos Lopes, pertenceu a uma geração notável que nos chamou a atenção, de forma isenta e desinteressada, para a rica gastronomia e vinhos nacionais. E, assim, também para que os nossos produtos melhor se aperfeiçoassem.

2. No melhor pano cai a nódoa - diz o povo, e com razão. A conhecida Christie's parece que meteu o pé na poça... Em 5 de Dezembro de 1985, a casa leiloeira inglesa vendeu uma garrafa de Château Lafite 1787, gravada com as iniciais "Th. J.", pelo astronómico valor de 156 mil dólares, a Malcom Forbes, da revista "Forbes". Segundo indicações da casa leiloeira, o vinho teria pertencido a um lote adquirido pelo 3º presidente americano, Thomas Jefferson, grande apreciador de vinhos franceses. Ora, recentemente, veio a verificar-se ter sido uma fraude, falsificada por Hardy Rodenstock. E não é que os reputados críticos Robert Parker, americano, e a inglesa Jancis Robinson, naquela época (1985) também apoiaram, involuntariamente, o falsário?