quinta-feira, 7 de novembro de 2024
Segredo
quinta-feira, 25 de abril de 2024
Apontamento 166: 25 de Abril – Vivências
[cfr.
https://restosdecoleccao.blogspot.com/search?q=Transportadora+Belo]
Passados 50 anos, todos sabemos
que a memória já não é o que era. Sucede, no entanto, que permanecem registos
inapagáveis, embora de precisão temporal e local algo diluídos.
Mesmo assim, resolvi registar,
para memória futura, o que ainda se acumula na memória, visual e afectiva, de
aprendizagem única e determinante.
Com efeito, assim foi o meu 25 de
Abril.
Saí, pouco depois das 7 da manhã,
da casa de residência em Cacilhas, transformada maioritariamente em república
estudantil, para ir para o meu trabalho de administrativa numa fábrica situada
no Casal do Marco. Utilizava as camionetas Belo, em imagem, para acordar no
caminho, sonolenta, das noitadas de conversas e convívios.
Julgo não estranhei, à partida, a
ausência de qualquer passageiro habitual, porque também não tinha grande
familiaridade com os utilizadores da camioneta. Achei estranho o facto de o
motorista estar muito atento ao que estava a ser transmitido na sua telefonia,
matéria que, no meu estado meio ensonado, me passou ao lado. Ficou-me a
lembrança de ter feito a viagem com poucos passageiros, contrariamente ao
habitual.
Depois de sair da camioneta, seguindo
a pé para a fábrica, o caminho também me pareceu pouco frequentado.
Junto da entrada da fábrica
comunicarem-me que não podia entrar, devia recolher a casa porque estava em
curso “não sei o quê”.
Preocupada com os meus
companheiros que deixara a dormitar na “residência estudantil”, tentei voltar o
mais depressa possível a casa. Felizmente, as camionetas Belo ainda funcionavam
regularmente.
Ao voltar a entrar em casa, já
havia quem se tinha apercebido, embora vagamente, do que se estava a passar em
Lisboa.
Como seria para passar de barco,
de Cacilhas para Lisboa ? Haveria barcos ?
A partir deste momento, da nossa
deslocação da margem Sul para o centro dos acontecimentos em Lisboa, a
cronologia já não acerta. Baralham-se as imagens, embora haja, por enquanto,
registo de memória dos locais percorridos.
Lembro-me perfeitamente, da mole humana e do ambiente no Largo do Carmo. Antes ou depois, guardei imagens de uns soldados da GNR, com arma na mão e semblante assustadiço, nas escadas de acesso para os comboios da estação do Rossio.
Ainda em pleno dia, como diz a
seguinte notícia:
“Uma primeira manifestação tinha
avançado pela rua António Maria Cardoso, provocando os primeiros disparos e os
primeiros feridos, por volta das 13h30.” – Esquerda NET
recordo-me de fixar, para o resto da minha vida, uma
Travessa dos Teatros, ao Chiado, pelo facto de alguém me ter empurrado, caindo
nestas escadas, para não ser atingida.
Actualmente, julgo saber o lugar exacto, na imagem
acima, de onde vieram os primeiros disparos.
Não me lembro de todo o que se comeu, onde e quando
nestes primeiros dias fora de casa.
Vínhamos para casa apenas para dormir e tratar das
necessidades básicas e de higiene.
Da altura, e ainda como forasteira voluntária, fica o
meu testemunho de uma experiência ímpar, de rara dádiva humana, social,
cultural, política e afectiva.
No final de contas, seria imperdoável não registar as
mudanças de vivência e as alterações no relacionamento pessoal que se operaram
após o 25 de Abril. A aparente abertura com laivos de opções progressistas nas
relações pessoais cedo deu lugar a outros encontros, passando de ideais
revolucionários a trilhos tradicionais de “casa e pucarinho”.
Sinais do tempo.
Consequentemente, se o pós-25 de Abril provocou,
primeiro, a perda do poiso na residência habitual e, de seguida, o despedimento
de um emprego seguro, surgiram as dificuldades próprias da altura. Abalos e
consequências, certamente, na convicção, julgada inabalável, de uma opção
democrática, nem sempre bem fundamentada, de quem se tentava situar na margem
esquerda do mundo democrático.
Em todo o caso, foram essas circunstâncias que
contribuíram para uma opção de vida que desejava, baseada numa formação sólida,
intelectual, com enriquecimento pessoal, político e afectivo que, passados
estes 50 anos, me merece o maior agradecimento ao país que me acolheu e,
designadamente, ao apoio dos que me são mais próximos.
Fica o eterno abraço a todos os amigos que encontrei e
que me ajudaram, assim como os familiares que me têm enriquecido a vida todos
os dias.
terça-feira, 9 de abril de 2024
Apontamento 163: Repensar a cidade
Ora, ontem, após um período de
recuperação e melhoria na respiração, pensava retomar as minhas saídas, no
Chiado e Rossio, etc.
Aproximando-me, de carro, do
nosso poiso habitual, olhei em volta e a um centro de cidade transformado em
“Disneylândia” e quejando, gentinha, sem rumo, sem eira nem beira, a circular
onde eu pensava passar, concluí, mais uma vez, que a vontade de sair acabara
naquele momento.
Concluí que a miséria física,
cultural, mental e cívica, com que me deparara, anulou todo o meu desejo de
passear pelas ruas que, em determinada altura no passado, tanto contribuíram
para me enriquecer.
Nem se fala do ruído ensurdecedor, que os turistas julgam ser música e aplaudem, nem do atropelo ao código da estrada pelos TUC TUC, estacionados à balda junto de S. Pedro de Alcântara, ou dos autocarros de turismo que param onde querem, causando longas filas de trânsito pela paragem prolongada à espera de bimbos.
Post de HMJ
terça-feira, 18 de outubro de 2022
Teimosias
Na banca do Chiado o fora de série (nº 112), de L'OBS, dedicado a Marcel Proust (1871-1922), chamou-me a atenção e tentou-me. Eu bem sabia que os sete volumes (do Em Busca do Tempo Perdido), da Livros do Brasil, traduzidos pelo brasileiro Mário Quintana (1906-1994) me aguardavam leitura na estante, desde finais do século XX. Sei da data de aquisição, pelo valor ainda em escudos (2.800$00) e os algarismos disciplinados e elegantes, denunciando a letra de Tarcísio Trindade (1931-2011), alfarrabista memorável a quem os comprei, na rua do Alecrim. Proust está porém na boa companhia de Hermann Broch e Alfred Döblin, grandes romancistas, mas cujos livros também nunca consegui ler até ao fim...
Lá trouxe pois da banca este Hors Série, na remota esperança de que a revista (98 páginas), profusamente ilustrada e com colaborações promissoras, funcione como aperitivo e alento para, mais uma vez, reencetar a leitura desta obra-prima de Marcel Proust.
Oxalá!
sábado, 4 de maio de 2019
Contorcionismos
Deus também já não se livra destes turistas de meia tigela.
quinta-feira, 6 de abril de 2017
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Primícias
sábado, 10 de janeiro de 2015
Cosmopolitismos
sábado, 19 de julho de 2014
Impromptu (6)
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Comprados de fresco
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
David e Golias
Um cordial obrigado a A. de A. M.