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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Da ressaca, ainda


"Há blogues muito simpáticos," - dizia-me o Z. - "muito simples, com muitas imagens bonitas e folguedo, que nos distraem e não nos obrigam a pensar... é destes que eu gosto!" Eu disse que sim (que tinha compreendido) com um pequeno trejeito facial. E ele continuou: "Depois, há os outros, que até são interessantes, mas armam ao pingarelho, ao intelectual provinciano, que quase não têm imagens, têm textos enormes, como se o comprimento de cada poste implicasse maior profundidade de reflexão." Eu voltei a acenar que sim. E continuámos a andar.
Z., de repente, estacou e, olhando para mim, com um sorriso aberto, prosseguiu: "Há dias, vi uma coisa muito bonita: fui dar com um blogue em que, num poste solidário, aparecia a fotografia de um hamster, com um letreiro ao pescoço, onde se lia - «Je suis Charlie!» Não é uma ideia original, encantadora e comovente?!"
Cinco passos à frente, fomos saborear duas ginjinhas com elas, ali, pelas Portas de Santo Antão. Estava um frio de rachar e ficámos um pouco mais reconfortados. Eu e o Z..

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A ressaca e os números da desordem


 A frase de Régis Debray, que encima e ilustra este poste, na sua abstracção metafórica e abrangente, parece-me exemplar na caracterização dos tempos que vivemos. Porque, se de um lado se reúne e agrega o irracionalismo fanático da ignorância civilizacional, do outro lado do mundo, ocidentalizado, o que prima é uma convicção de fogachos, um emocionalismo demagógico, muito intermitente e inconsistente, explorado, a maior parte das vezes, pelas centrais mediáticas. Que tudo uniformizam, num camaleonismo banal e vulgar. Nesta bipolaridade superficial de 2 mundos, há um ponto comum: a inexistência de sólidas e fundamentadas razões, coerentes e éticas, duradouras e políticas.
Hoje, ao comprar o TLS, tive uma breve conversa com o dono da tabacaria onde vou semanalmente adquirir o jornal inglês. Fiquei a saber que ele recebia, por rotina, 2 Charlie Hebdo, e que vendia normalmente apenas um. Depois do massacre de Paris, e nos dias seguintes, uma das empregadas da tabacaria esteve quase diariamente a atender o telefone, por causa dos pedidos de encomenda da revista satírica francesa. Alguns clientes quase imploravam pela garantia de poderem comprar um exemplar.
A tabacaria recebeu 25 revistas. Da lista de reservas, ficaram cerca de 170 potenciais clientes por atender...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

3 fragmentos para um massacre


Le XXIe siècle sera religieux ou ne sera pas.

André Malraux (1901-1976).
...
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.

Eugénio de Andrade (1923-2005).
...
Por isso, não mandes perguntar
por quem o sino dobra,
que ele, também, dobra por ti.

John Donne (1573?-1631).